segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

SEM ESPERAR RESPOSTA


Enviei a mensagem sem esperar resposta. 

 

No início foi estranho, quase um exercício de desapego. 

 

Estamos acostumados a falar e aguardar retorno, aprovação, confirmação.

 

A palavra lançada parece pedir eco, como se só existisse plenamente quando alguém a devolve. 

 

Naquele dia, escrevi apenas porque senti vontade. 

 

Depois, deixei o telefone de lado. 

 

Não fiquei olhando a tela, nem contando minutos.

 

Não esperei o sinal, nem o som. 

 

A mensagem já havia cumprido seu papel. 

 

Percebi como é cansativo esperar respostas o tempo todo. 

 

Esperar cansa mais do que falar. 

 

E naquele silêncio encontrei uma inesperada sensação de liberdade.

 

Escrever nos dá a ilusão de criar algo nosso, embora a resposta a uma postagem aumente a autoestima, como se confirmasse nossa existência diante do outro.

 

Estou acostumado a aguardar retorno ao que publico no blog, assim como às mensagens do convívio pessoal.

 

Aprendi desde cedo que não responder era falta de educação.

 

Procuro entender o silêncio dos amigos que recebem diariamente meus textos.

 

Às vezes, nem um simples bom dia como resposta.

 

No início doeu.

 

Depois, compreendi como é exaustivo viver na expectativa.

 

Deixei para lá.

 

As pessoas são complicadas, e viver nunca foi simples.

 

Hoje vivo ‘trancado’ em um quarto e é frequente o telefone não tocar — sinal de que ninguém está interessado em saber minhas notícias.

 

Para quem, durante anos, recebeu chamadas o dia inteiro, esse silêncio foi um aprendizado pleno de sabedoria.

 

Diante da tela do computador, as palavras vão surgindo, formando frases cujo destino, desconheço, se é que existe destinatário para o que escrevo.

 

O teclado guiado pela memória, conduz ao sentimento de liberdade.

 

Escrevo com o som distante da rua, o ar-condicionado desligado, numa tarde de fim de semana.

 

A tarde se despede lentamente, e o sol caminha para se esconder, iluminando outras partes do planeta.

 

Leva consigo mensagens que talvez fiquem sem resposta — e está tudo bem.

 

Algumas palavras nascem apenas para existir, não para serem devolvidas.

 

Gabriel Novis Neves

16-01-2025






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