Enviei a mensagem sem esperar resposta.
No início foi estranho, quase um exercício de desapego.
Estamos acostumados a falar e aguardar retorno, aprovação, confirmação.
A palavra lançada parece pedir eco, como se só existisse plenamente quando alguém a devolve.
Naquele dia, escrevi apenas porque senti vontade.
Depois, deixei o telefone de lado.
Não fiquei olhando a tela, nem contando minutos.
Não esperei o sinal, nem o som.
A mensagem já havia cumprido seu papel.
Percebi como é cansativo esperar respostas o tempo todo.
Esperar cansa mais do que falar.
E naquele silêncio encontrei uma inesperada sensação de liberdade.
Escrever nos dá a ilusão de criar algo nosso, embora a resposta a uma postagem aumente a autoestima, como se confirmasse nossa existência diante do outro.
Estou acostumado a aguardar retorno ao que publico no blog, assim como às mensagens do convívio pessoal.
Aprendi desde cedo que não responder era falta de educação.
Procuro entender o silêncio dos amigos que recebem diariamente meus textos.
Às vezes, nem um simples bom dia como resposta.
No início doeu.
Depois, compreendi como é exaustivo viver na expectativa.
Deixei para lá.
As pessoas são complicadas, e viver nunca foi simples.
Hoje vivo ‘trancado’ em um quarto e é frequente o telefone não tocar — sinal de que ninguém está interessado em saber minhas notícias.
Para quem, durante anos, recebeu chamadas o dia inteiro, esse silêncio foi um aprendizado pleno de sabedoria.
Diante da tela do computador, as palavras vão surgindo, formando frases cujo destino, desconheço, se é que existe destinatário para o que escrevo.
O teclado guiado pela memória, conduz ao sentimento de liberdade.
Escrevo com o som distante da rua, o ar-condicionado desligado, numa tarde de fim de semana.
A tarde se despede lentamente, e o sol caminha para se esconder, iluminando outras partes do planeta.
Leva consigo mensagens que talvez fiquem sem resposta — e está tudo bem.
Algumas palavras nascem apenas para existir, não para serem devolvidas.
Gabriel Novis Neves
16-01-2025
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