segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

ERRAR CANSA


Com o passar dos anos fui percebendo que errar cansa mais do que tentar acertar.

 

O erro repetido pesa, desgasta, rouba energia.

 

Talvez por isso eu tenha escolhido permanecer.

 

Não por covardia, mas por economia de alma.

 

Há um momento da vida em que poupamos gestos, palavras e até mudanças.

 

A maturidade ensina que nem tudo precisa ser consertado.

 

Algumas coisas apenas precisam ser compreendidas.

 

Entender não resolve tudo, mas alivia.

 

É como abrir a janela para o ar circular, sem a obrigação de trocar os móveis de lugar.

 

A mudança que não fiz acabou virando parte de mim, como um hábito antigo ou um objeto guardado na gaveta.

 

Não incomoda o tempo todo, mas está ali, lembrando que houve escolha.

 

E toda escolha, feita ou não, deixa marcas silenciosas.

 

Elas não aparecem no espelho, mas se manifestam no cansaço do corpo e na demora do pensamento.

 

Hoje olho para trás com menos cobrança.

 

Sei que fiz o que pude com o que tinha naquele momento.

 

Nem sempre a vida nos oferece clareza — muitas vezes oferece apenas cansaço.

 

E respeitar esse cansaço também é uma forma de sabedoria.

 

Aprendi que insistir além do limite pode ser tão prejudicial quanto desistir cedo demais.

 

Se ainda há algo por mudar, o tempo dirá.

 

O tempo tem um jeito próprio de avisar, sem alarde.

 

Não carrego mais a urgência dos anos jovens, nem a ilusão de que toda mudança salva.

 

Algumas apenas trocam o peso de lugar.

 

Permanecer, às vezes, é o jeito possível de seguir em frente.

 

Errar cansa, sim.

 

Mas aprender a aceitar também descansa.

 

E é nesse descanso — raro, merecido — que a vida encontra espaço para continuar.

 

Gabriel Novis Neves

15-01-2026




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.