Há conselhos que ficam engasgados na garganta, não por falta de coragem, mas por excesso de cuidado.
A gente aprende, com o tempo, que nem toda palavra ajuda e que o silêncio também pode ser uma forma de proteção.
Já dei muitos conselhos na vida, alguns acertados, outros nem tanto.
Mas este ficou guardado, dobrado como bilhete no bolso antigo.
Não foi omissão: foi respeito ao tempo do outro. Cada pessoa tem seu próprio caminho, suas quedas necessárias, suas escolhas inevitáveis.
O conselho que não dei talvez tenha sido o mais honesto de todos.
Outros conselhos que dei não foram aceitos e meio século depois constatei que estava errado — ou quase.
Na minha casa, apenas eu sou torcedor do Botafogo, o Glorioso.
Tenho dois irmãos torcedores do Flamengo e Fluminense, aceitando o meu conselho.
Meus filhos, neto e sobrinhos, não são torcedores do Botafogo.
Seus times têm mais títulos que o meu, mas, em compensação, tivemos o Garrincha — a alegria do povo.
Ele surgiu para o futebol no Botafogo e eu estava presente no Estádio de General Severiano, em março de 1953.
Mais tarde apareceu Pelé, no Santos.
Garrincha e mais três jogadores do Botafogo conquistaram a primeira Copa do Mundo para o Brasil, em 1958, na Suécia, ao lado de Pelé.
No Chile, em 1962, sem Pelé — machucado na primeira partida contra o México — Garrinha e mais quatro jogadores do Botafogo se consagraram bicampeões mundiais, vestindo a camisa canarinho.
Garrincha foi escolhido o melhor jogador da Copa.
Nessas duas conquistas não havia jogadores do Flamengo nem do Fluminense.
Outro troféu que só o Botafogo tem é o de ter fornecido o maior número de jogadores para a Seleção Brasileira.
Também teve jogadores artilheiros em duas Copas do Mundo: Garrincha e Jairzinho.
Perdemos as Copas de 1950 e 2014 em casa, com zagueiro e goleiro do Flamengo e atacante do Fluminense.
Afinal, vale a pena dar conselhos ou aceitá-los?
Gabriel Novis Neves
12-01-2026
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