quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

MANIA DE EXPLICAR DEMAIS


Explicar demais às vezes revela insegurança. Outras vezes, é só excesso de zelo.

 

O detalhista cansa muito aquele que tenta conversar com ele.

 

Suas respostas são longas e desinteressantes.

 

Por outro lado, quem responde ao pé da letra, sem pensar, parece às vezes não dar importância ao assunto.

 

Explicar demais revela mais insegurança que excesso de zelo.

 

Todos nós conhecemos pessoas que têm a mania de explicar demais.

 

Isso é conhecido como ciscar, em que o assunto que interessa não é abordado.

 

O ciscador explica demais sem responder o que interessa.

 

Muitas vezes é deixado a sós e seus amigos fogem das suas conversas.

 

Percebo que essa mania costuma nascer do medo de não ser compreendido.

 

A pessoa se antecipa, acrescenta detalhes, cria atalhos e desvios, imaginando facilitar o caminho.

 

Acaba, porém, tornando a estrada longa demais.

 

Há que confunda explicação com convencimento.

 

Fala muito para se proteger, para evitar perguntas, para não deixar brechas.

 

O excesso de palavras vira um escudo.

 

E, como todo escudo pesado, cansa quem o carrega e afasta quem se aproxima.

 

Aprendi, com o tempo, que clareza não depende de quantidade.

 

Uma resposta curta pode ser profunda.

 

Uma frase simples pode conter mais verdade do que um discurso inteiro.

 

Silêncios bem colocados também explicam.

 

Na medicina, muitas vezes, o diagnóstico estava escondido numa frase breve do paciente, dita quase sem importância.

 

Quem fala demais, às vezes, encobre o essencial.

 

Quem fala pouco, revelava tudo.

 

Na vida cotidiana não é diferente.

 

Explicar menos exige segurança.

 

É confiar que o outro entende.

 

É aceitar que nem tudo precisa ser dito, repetido, reforçado.

 

Hoje, quando percebo que estou explicando demais, faço uma pausa.

 

Releio minhas palavras, corto excessos, retiro enfeites.

 

Procuro o núcleo da ideia.

 

Descobri que dizer apenas o necessário é um gesto de elegância.

 

E ouvir, sem interromper com explicações inúteis, é uma forma de respeito.

 

Gabriel Novis Neves

09-01-2025




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