sábado, 3 de janeiro de 2026

DESEJO DE COMPARTILHAR


Tenho vontade de selecionar alguns comentários feitos às crônicas que público no blog do Bar do Bugre e transformá-los em novas crônicas, preservando sempre o anonimato dos leitores.

 

Para quem escreve sobre o cotidiano, conhecer a opinião de quem lê é essencial.

 

Especialmente para o escritor amador, como eu, cuja maior ambição é, um dia escrever bem.

 

Sem o retorno do leitor, perdemos o rumo, o tema e, muitas vezes, o sentido do que escrevemos.

 

Já sei que muitos se encantam com as ilustrações: flores do jardim, árvores carregadas de frutos.

 

Tão verde era nossa cidade que, por muitos anos foi chamada de Cidade Verde.

 

Verde da floresta, dos poetas e escritores, do rio Cuiabá e do Porto, por onde a cidade nasceu.

 

Verde inspirador dos catadores de palavras e das verdades simples.

 

Assim era Cuiabá — até perder a batalha para os espigões de concreto, onde o verde, com sua beleza e generosidade, jamais foi prioridade para o capital.

 

 O verde da cidade foi sendo destruído, obrigando moradores de melhor condição financeira a se refugiarem em condomínios cada vez mais distantes, longe da Catedral Metropolitana.

 

Hoje, sair do Centro Histórico e chegar a essas residências é uma quase viagem.

 

O preço de um terreno nesses locais equivale ao de um bom apartamento na cidade.

 

E eles continuam a crescer, avançando pelos dois extremos urbanos.

 

Alguns possuem até pistas de aviação concretadas e homologadas pela FAB, aptas para a operações de jatos.

 

Os usineiros e fazendeiros do início do século XX — os antigos ‘coronéis’, com seus palacetes de escadas de mármore — parecem modestos diante dos atuais barões da soja e do agronegócio, donos de casarões que ocupam quarteirões inteiros em condomínios fechados.

 

Seus nomes, muitas vezes, soam como ironia diante da cidade dos florais que um dia foi Cuiabá.

 

Mato Grosso tornou-se um Estado milionário para poucas famílias e deixou de pertencer aos mato-grossenses.

 

O poder mudou de mãos, e os nativos ficaram à margem, lembrados, injustamente, como preguiçosos.

 

Ainda assim, sigo contente escrevendo —à espera do comentário do leitor, que me orienta, me provoca e me mantém vivo no texto.

 

Gabriel Novis Neves

30-12-2025











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