quinta-feira, 28 de agosto de 2025

A CHAVE ESQUECIDA NO BOLSO


Durante o dia acumulamos pequenos esquecimentos.

 

Um dos primeiros de que me recordo, ainda na infância, era o do meu pai, que por vezes esquecia a chave que abria o bar.

 

Geralmente ela permanecia no bolso da calça do seu terno e, raramente, dentro do oratório do dormitório.

 

Era comum ele chegar para abrir o bar e perceber que estava sem a chave — tinha certeza de que havia deixado em casa.

 

Na casa dos meus pais o lugar mais seguro para guardar pertences de valor era justamente o oratório.

 

Já minha mulher, mais moderna, comprou um cofre de aço e mandou instalá-lo na parede do quarto, atrás da cortina.

 

A chave do automóvel, os óculos, a aliança e até a corrente de ouro, muitas vezes os esquecia nos centros cirúrgicos dos hospitais.

 

Mais recentemente, antes do advento das fechaduras eletrônicas, trouxe para casa a chave de um hotel. Em vez de devolver, guardei-a na gaveta da mesa de cabeceira.

 

De vez em quando encontro aquele número gravado e o jogo na Mega-Sena.

 

Permanece viva em minha memória a noite em que me hospedei nesse hotel fantástico.

 

Outros esquecimentos pequenos também me acompanham: o número do CEP do bairro onde moro, a senha do cartão de crédito, o celular da infectologista, o endereço da minha filha nos Florais.

 

Mas esquecer a carteira com os documentos em casa —isso sim, é uma tragédia.

 

Fazem parte do nosso dia a dia esses lapsos de memória, sempre em número crescente, para nosso desespero.

 

Foi assim que surgiram as ‘colas eletrônica’ para nos ajudar.

 

Confesso que fiquei viciado nelas: minha carteira está cheia de lembretes.

 

As crianças, desde cedo, aprendem a manipular os celulares, essa fonte inesgotável de colas.

 

Esses aparelhos, no entanto, já são proibidos em salas de aula, do ensino fundamental ao superior.

 

O Google sabe de tudo e muitas vezes socorre professores em seus esquecimentos.

 

Agora, com a parceria da Inteligência Artificial — a IA —, ninguém mais precisa se preocupar com os pequenos esquecimentos do cotidiano.

 

Gabriel Novis Neves

22-08-2025




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.