sexta-feira, 12 de setembro de 2014

ENTUSIASMO


Está difícil convencer um amigo a votar em nosso candidato nas próximas eleições.
Essa desmotivação é provocada pela falta de uma proposta que termine com essa disputa de vinte anos entre o PT e PSDB.
São modelos cansados de administração pública que pouco ou nada fizeram para o desenvolvimento do Brasil.
Continuamos sem o combustível para esse arranque, que é a educação, e ficamos criando as mais variadas bolsas.
Não sou contra essas bolsas, pois enquanto um brasileiro necessitar dessa ajuda o governo deve estar presente.
O que precisamos fazer é trabalhar com projetos consistentes para que nenhum brasileiro precise de tais bolsas, no dizer do Senador Cristovam Buarque.
Em programas em que se fala em aumento de ministérios, auxílio aos bancos privados, incentivos ao agronegócio, e o tema educação nem sequer é lembrado, continuaremos nessa escuridão do atraso.
Como é complicado um candidato a governador apoiar três candidaturas competitivas à Presidente da República!
Senadores, deputados acabam traindo aos seus partidos com “munição” suficiente para conseguir votos.
Há uma desesperança enorme entre os eleitores diante desse quadro desanimador que nos é apresentado.
O projeto inovador fica no discurso. Na prática o que sentimos é a continuidade do governo para poucos.
Observo que o imprescindível entusiasmo despertado pelos pleitos eleitorais é história do passado.
Ninguém quer se aproximar desse “bolo” de candidatos que, na sua imensa maioria, não representa as verdadeiras aspirações da nossa gente.
O povo almeja políticas e programas que, a médio e longo prazos, tragam boa qualidade de vida para todos – em todos os aspectos.

Gabriel Novis Neves
21-08-2014

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Ficou fácil


Muitos eleitores, decepcionados com o rumo da nossa política e com o descaso e despreparo dos nossos governantes, tinham resolvido votar em branco, anular o voto, votar em um candidato não competitivo como protesto ou, simplesmente, não comparecerem às urnas.
No entanto, após a morte do jovem líder pernambucano candidato à Presidência da República, no acidente aéreo em Santos, o panorama político se alterou.
Assume o seu lugar a vice Marina Silva.
Em quinze dias a, aparentemente frágil, Marina, altera completamente o tabuleiro eleitoral. No primeiro turno empata com a candidata da situação à reeleição.
Numa simulação das duas para o segundo turno, a acreana coloca dez pontos de diferença na sua oponente, segundo pesquisa feita pelo IBOPE.
Isso não significa que a eleição está definida, mas soou como um alerta entre os governistas.
Um evento da multinacional FMC estava sendo realizado na Argentina com a presença de políticos de expressão e empresários.
Mesmo em território estrangeiro o detentor de inúmeros troféus do agronegócio não suportou o golpe da pesquisa e descarregou toda a sua pesada artilharia contra a ética ex-senadora e Ministra do Meio Ambiente.
Marina nunca derrubou uma árvore da Floresta Amazônica onde nasceu e, ao lado do Chico Mendes, enfrentou interesses poderosos contra o desmatamento indiscriminado. Também nunca respondeu a um processo na Polícia Federal por descumprir a ética.
É reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho em defesa do meio ambiente.
“Messiânica, personalista, teimosa e dissimulada” foram os elogios que recebeu do representante do agronegócio de Mato Grosso.
Em contrapartida, ex-ministros, como o da Fazenda e o da Agricultura, com grande credibilidade internacional, disseram em plenário que são grandes as chances da Marina se eleger no próximo pleito.
Essas autoridades procuraram acalmar o ambiente ao afirmar que o setor do agronegócio não tem o que temer com a vitória da fundadora da Rede Sustentabilidade, pois ela costuma cumprir os acordos firmados.
Os benefícios federais ao agronegócio avançaram muito em termos de financiamentos oficiais e logística. Foi o segmento mais privilegiado nestes últimos doze anos.
O temor do nosso representante é tanta, que prometeu fundar um Comitê suprapartidário para captar dinheiro para a reeleição da presidente.
Acredita que o vil metal compra votos, para não dizer consciências.
O candidato da presidente atual, e do seu inventor para governador do Estado, não conta com a simpatia do congressista.
Agora a escolha para votar em um candidato à Presidência da República, ficou fácil.
Basta escolher a candidata agredida.

Gabriel Novis Neves
02-09-2014

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O MUNDO PET


O Brasil é o segundo maior mercado do mundo no setor de “lojas pet” (comércio dedicado ao cuidado e tratamento de animais domésticos).
É tão absurda esta situação que em S. Paulo, a maior cidade do Brasil, existe duas lojas pet para cada livraria.
Vários fatores explicam esse tipo de aberração.
O primeiro, com certeza, é a grande solidão humana, escancarada a partir dos anos noventa com o surgimento da globalização.
Pessoas foram perdendo pouco a pouco o interesse pela comunicação “olho a olho” e logo depois, com o advento da internet, viram sua afetividade totalmente à deriva.
O mercado de consumo, sempre muito atento a toda e qualquer transformação psicossocial, foi logo se apoderando desses novos comportamentos e tratando de tirar proveito.
O cão, animal amigo que sempre acompanhou o ser humano desde os primórdios da civilização, foi se transformando num símbolo de status e, principalmente, adaptado para suprir todas as carências de um mundo moderno frio e motivado para bens de consumo como meta prioritária.
E os cães, doadores de afeto incondicional, foram  os grandes eleitos para desempenhar essas novas funções.
As rações foram aprimoradas tecnologicamente e os sprays antipulgas funcionam como facilitadores desse novo modismo, tornando assim bem menores os trabalhos de manutenção desses bichinhos.
O mesmo aconteceu  com gatos, hamsters e outros menos domesticáveis, mas, nem  por isso menos procurados,  tais como cobras, porcos, papagaios, pássaros etc.
Aumentadas as nossas carências, era de se esperar que os mais neuróticos passassem a transformar os seus bichos em figuras semelhantes a si mesmos nos seus mimos, tornando esse processo involuntário de domesticação  em uma crueldade.
É grande o número de animais que com esse tipo de convivência - em que a sua própria natureza é agredida - se torna obeso, neurótico, com colesterol alto, enfim, com todas as mazelas que afligem o mundo dos humanos.
Isso sem falar das festas de aniversários, dos brinquedos, dos apetrechos grifados, das joias e de todas as baboseiras  apregoadas como importantes para o consumismo.
O fato é tão grave que no momento em que milhões de crianças morrem pelo mundo vítimas da fome, está sendo procurada em S. Paulo uma grande área para ser transformada num clube para animais.
Amo e respeito profundamente todos os animais  como seres da natureza, assim como amo as plantas.
Mas, por favor! É preciso que permitamos a eles  vivenciarem a sua essência de bichos, puros, simples, honestos, e não transformá-los nesses seres desprezíveis em que nos tornamos no mundo moderno, cheios de medos, ódios e agressividade  desmedida.
Aliás, é mais barato e mais gratificante substituir filhos por animais. Os bichos não reclamam, não brigam por herança e dão afeto incondicional.
Este é o mundo considerado moderno.

Gabriel Novis Neves
31-08-2014

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Decidir


Sempre achei que decidir é um dos atos mais difíceis para a maioria dos seres humanos.
Pelo menos para mim, toda e qualquer decisão é emocionalmente onerosa e extremamente perturbadora. Talvez por ter aprendido a jogar xadrez antes mesmo de ser alfabetizado.
Mexer uma peça no jogo envolve planejamento, paciência, controle emocional e até custo-benefício na permuta do jogo. Creio que tenha vindo daí a dificuldade para tomar as grandes decisões na minha vida.
O jogador de xadrez não pode vacilar em seu raciocínio, pois corre o risco de perder a partida em apenas três lances.
Há momentos em que emperramos para tomar certas decisões que, de tão simples para a grande maioria das pessoas, parecem intransponíveis para outros.
Nesse momento, para uns, surge a necessidade de um amigo para ajudar e entender a catarse evidente.
Outros apelam para a religião, em busca da paz espiritual para decidir da melhor forma possível.
Alguns terminam no divã de um psicanalista. O pior é que sabemos que não nascemos com essa dificuldade para tomar decisões.
Elas são adquiridas através da educação, da cultura e do meio ambiente em que fomos criados. Admiro as pessoas que sem o menor sofrimento decidem e resolvem grandes problemas. O certo e o errado, se é que existem, passam a ser meros detalhes.
Diz a sabedoria popular que para cada problema existe uma solução. Uma solução envolve o decidir – meu Calcanhar de Aquiles.
Mas, disposto estou para superar essa fraqueza, pois, como já dizia Pascal, “o homem não passa de um caniço, o mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante”.
E, pensando racionalmente, quem sabe não darei um xeque-mate no meu Calcanhar de Aquiles?
Meu lema daqui pra frente será a máxima de Cora Coralina: “Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.”

Gabriel Novis Neves
04-09-2014

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

PEDRA NO SAPATO


A frágil, mas não tanto, figura de Marina da Silva continua balançando, e muito, o cenário político nacional.
Quis a lei das probabilidades que a candidata à vice, atraída por compromissos diversos, não participasse do trágico voo que vitimaria seu colega  de chapa Eduardo Campos, como vinha fazendo normalmente.
Dessa maneira, mais viva e mais atuante do que nunca, continua apoiada por seus vinte milhões de fieis eleitores, por enquanto.
Realmente, a mosca da política é algo incompreensível quando me deparo com uma personalidade discreta, porém, desde sempre entranhada na política, como a viúva de Eduardo Campos.
Suas recentes declarações realmente me assustam, como por exemplo: “agora terei que trabalhar por dois”.
Como uma mulher, com menos de uma semana de viuvez, cinco filhos - sendo o  último ainda bebê - consegue ânimo para continuar nessa desenfreada busca pelo poder?
Coisas que o meu ingênuo sentimentalismo e o meu baixo pragmatismo de um eterno romântico não consegue entender. Enfim, as pessoas são realmente muito diferentes.
Voltando a focar em Marina da Silva. Falta conferir se com a escolha do candidato a vice formou-se um cenário preocupante para os outros dois candidatos à corrida presidencial de 2014.
Não creio que o horário eleitoral gratuito modifique muito o quadro já existente, pois a grande maioria das pessoas  desliga os seus televisores quando começa esse verdadeiro festival de horrores.
Já é suficiente o voto obrigatório para que nos sintamos oprimidos nos nossos desejos. Países civilizados  não possuem essa prática. Vota quem quer, de acordo com as suas convicções.
Como vemos, continua a pedra no sapato que muito incomoda os desesperados competidores pelo poder.
Controvérsias à parte, ao que tudo indica, teremos uma das eleições mais disputadas de todos os tempos, mesmo tendo em vista os inúmeros currais eleitorais disseminados por essa pobre nação.

Gabriel Novis Neves
20-08-2014

Jovens


Quando o Congresso Nacional votou a lei que dava aos jovens de dezesseis anos o direito ao voto político, foi uma festa.
Nos seus primeiros anos de validade - que promovia o adolescente a cidadão com direito a escolher os nossos governantes, a adesão dos jovens foi em grande escala, ultrapassando as expectativas mais otimistas.
O comportamento dos nossos políticos foi tão decepcionante em termos de ética e trabalho para melhorar a qualidade de vida da nossa gente, que os jovens se desinteressaram por exercer o seu direito de votar.
Além do mais, os nossos políticos não conseguem falar a linguagem da juventude, sedenta pelas transformações sociais tão desejadas por todos.
Essa falta de interesse pela escolha daqueles que irão comandar o nosso futuro é um grave sinal de deterioração social.
É a reprovação da nossa juventude com a maneira de governar esta nação, onde tudo funciona na lei do toma-lá-dá-cá.
É triste verificarmos esse fenômeno. O perfil da grande maioria dos candidatos é mesmo desolador, o que só faz afastar os jovens do exercício do voto.
A política se tornou um campo fértil para que aventureiros, oportunistas, carreiristas e negociantes se apropriem do poder.
A dificuldade hoje é encontrar alguém ético para colocar o seu nome à disposição dos partidos que negociam a sua participação, atendendo o que há de mais execrável em política: a traição. 
As chapas partidárias apresentadas aos eleitores são o resultado de uma penosa seleção da cúpula do poder econômico.
Todos sabem que doações financeiras para campanhas políticas não existem, e sim, adiantamentos.
Eis uma das razões para o desencanto dos jovens desse processo eleitoral espúrio vigente neste país.
Os jovens são idealistas na sua grande maioria, razão principal do seu afastamento da luta política.

Gabriel Novis Neves
04-09-2014

TESTAMENTO


Quando estudante no Rio de Janeiro meu caminho diário para o hospital era pela Avenida Graça Aranha. Nesta avenida tinha um teatro que, por vários anos exibiu a peça o “Auto da Compadecida” do dramaturgo Ariano Suassuna.
Logo me interessei pela obra do autor, um intelectual paraibano que, além de dramaturgo, era romancista, poeta, cartunista e desenhista.
Membro da Academia Brasileira de Letras era reverenciado em todo o país. Muitos de seus trabalhos foram publicados no exterior.
Nos últimos anos da sua vida era convidado para palestras em Universidades e Casas de Cultura.
Há poucos dias, assistindo a uma reprise do programa do Jô Soares, gravado em 2007, com Suassuna sendo o entrevistado, descobri o grande humorista que recentemente o Brasil perdeu.
Em sessenta minutos de perguntas e respostas inteligentes, aprendi a valorizar ainda mais o homem de cultura que tinha a cara da humildade.
Fatos simples do nosso cotidiano eram transformados por Suassuna em pérolas do mais valioso e refinado humor.
Durante o seu “show” não utilizou nenhuma palavra de baixo calão. Presenteou-nos com o relato de várias histórias hilariantes. Todas narradas em um linguajar elegante, simples, compacto, sem ofender nem agredir ninguém.
Ouvir o paraibano-pernambucano é esquecer por alguns instantes do mundo de idiotas em que vivemos.
O sertanejo culto era tão seguro daquilo que representava na nossa cultura, que não mudou o seu modo de vestir ou falar.
Uma lástima que, por pura ignorância, só vim a descobrir o humor do dramaturgo no seu testamento revelado pelo programa do Jô.

Gabriel Novis Neves
04-08-2014