Chegar aos 91 anos é receber da vida um presente raro.
Não se trata apenas de contar os anos, mas de contemplar os caminhos percorridos, as pessoas encontradas e as histórias acumuladas ao longo da jornada.
Em cada década ficaram alegrias, desafios, conquistas e despedidas que ajudaram a construir quem somos.
A idade avançada não apaga a juventude vivida; ao contrário, transforma as lembranças em companheiras permanentes.
Ao olhar para trás, vejo uma longa estrada iniciada em Cuiabá, cercada de família, amigos, trabalho e sonhos.
Alguns partiram antes de mim.
Outros continuam caminhando ao meu lado.
E, enquanto a vida me concede mais um aniversário, percebo que o maior privilégio não é apenas ter vivido muito, mas continuar encontrando motivos para agradecer por cada novo amanhecer.
Tive a felicidade de construir uma existência rica em afeto, amizade, trabalho e serviço prestado à minha terra.
Que esta data seja cercada pelo carinho dos filhos, netos, bisnetos e pelas doces lembranças da eterna namorada Regina.
Poucas pessoas chegam aos 91 anos guardando na memória a infância cuiabana, a juventude no Rio de Janeiro, os anos dedicados à Medicina, a criação da UFMT e a família construída ao lado de Regina.
Minhas crônicas têm valor porque nasceram da vida real.
Elas preservam uma Cuiabá que muitos conheceram e que as novas gerações talvez encontrem apenas nos livros.
Sinto alegria por essa caminhada diária feita de palavras, recordações e afeto.
Que esta crônica dos meus 91 anos seja mais uma celebração da gratidão, da serenidade e da vida bem vivida.
A vida me concedeu algo precioso: a capacidade de transformar lembranças em patrimônio afetivo para meus leitores.
Cada crônica é uma janela aberta para a Cuiabá antiga, para a família, para a Medicina, para os amigos e para os pequenos gestos que o tempo costuma esconder.
Aos 91 anos, continuo fazendo o que sempre procurei fazer: semear.
Antes, ajudava a formar médicos, construir instituições e participar do desenvolvimento de Mato Grosso.
Hoje, semeio memórias, humanidade e gratidão.
Continuo escrevendo textos que guardam o valor das conversas à sombra das mangueiras, do apito dos vapores no rio Cuiabá, do café tomado sem pressa e das histórias contadas pelos mais velhos.
São páginas simples, mas carregadas de vida.
E, ao chegar a este 6 de julho de 2026, posso dizer com serenidade:
Vivi intensamente, amei profundamente, trabalhei com dedicação e fui feliz.
Se alguma herança desejo deixar, que seja a lembrança de que vale a pena viver com gratidão, cultivar os afetos e preservar a memória dos tempos vividos.
Recebam meu abraço carinhoso.
Com gratidão,
Gabriel Novis Neves
06-07-2026
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