segunda-feira, 20 de julho de 2026

CIGARRO DE PALHA

 

Durante muitos anos o cigarro de palha fez parte da paisagem humana de Cuiabá.

 

Era presença constante nas conversas à porta das casas, nas viagens pelo interior e nos intervalos do trabalho.

 

Preparado artesanalmente, carregava um modo de viver marcado pela simplicidade e pelos costumes antigos.

 

Hoje quase desapareceu, mas continua aceso na lembrança de quem conheceu aquele tempo.

 

Quase todos os armazéns e vendas espalhados pelos bairros comercializavam o tradicional fumo de rolo.

 

O cigarro de palha era confeccionado manualmente.

 

Abria-se a palha de milho, já seca e macia, colocava-se uma pequena porção de fumo

 

desfiado, distribuindo-o de maneira uniforme.

 

Em seguida, enrolava-se a palha com delicadeza, apertando-a entre os dedos até adquirir o formato desejado.

 

A ponta era torcida para que o fumo não escapasse, e o cigarro estava pronto para ser aceso.

 

Havia quem preparasse vários de uma só vez, guardando-os na algibeira da camisa ou no bolso da calça para serem fumados ao longo do dia.

 

As lavadeiras, com a praticidade de quem trabalha sem descanso, costumavam guardá-los dentro do sutiã.

 

No Bar do Bugre, de meu pai, vendiam-se apenas cigarros industrializados, das mais diversas marcas nacionais e estrangeiras.

 

Os especialistas afirmam que um cigarro de palha pode equivaler a três ou quatro cigarros industrializados.

 

Durante muitos anos, homens e mulheres fumavam com frequência, e, em determinados ambientes, o hábito era até considerado elegante.  

 

Com o avanço dos estudos sobre os males produzidos pelo tabagismo, campanhas de conscientização ganharam força em todo o mundo.

 

Aos poucos, o cigarro perdeu prestígio de outras épocas, e o número de fumantes diminuiu consideravelmente.

 

Hoje, o cigarro de palha pertence quase exclusivamente à paisagem rural, onde também se tornou cada vez mais raro.  

 

Meus filhos e netos nunca fumaram.

 

Meu genro abandonou o cigarro há muitos anos.

 

Eu fumei durante vinte anos, por insegurança da juventude, e deixei o hábito sem sofrimento. Regina fez o mesmo.

 

O cigarro de palha desapareceu das mãos de muita gente, mas permanece vivo como lembrança de um tempo que já virou história.

 

Gabriel Novis Neves

16-07-2026







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