terça-feira, 14 de julho de 2026

HÁBITOS DOMÉSTICOS


Durante muitos anos existia o costume de virar o colchão de tempos em tempos para aumentar sua durabilidade.

 

Era uma tarefa doméstica que exigia esforço e, muitas vezes, a ajuda de toda a família. Aproveitava-se a ocasião para limpar o quarto e reorganizar os móveis.

 

Hoje quase ninguém conserva esse hábito, mas ele revela o cuidado que havia com os objetos e o desejo de fazê-los durar por muitos anos.

 

Na minha casa, as cuidadoras preservam esse costume a cada seis meses.

 

Como durmo sozinho numa cama de casal, é natural que um dos lados fique mais marcado pelo uso.

 

Por isso, elas fazem a rotatividade do colchão melhorando sua conservação, a higiene e aumentando sua vida útil.

 

Até pouco tempo, as camas de madeira eram baixas, ficando a poucos palmos do chão.

 

Hoje são mais altas e confortáveis.

 

Também os colchões evoluíram muito, tornando-se mais resistentes.

 

Mesmo assim, o hábito de virá-los de tempos em tempos continua fazendo sentido.

 

Quando eu era criança, dormia em camas baixas e colchões de capim.

 

Não me lembro em que época passei a usar colchões de espuma ou de molas.

 

Meu pai comprava os colchões na fábrica da rua do Meio, pertencente à família do seu Mário Palma.

 

Lembro-me de três de seus filhos, sendo um deles médico.

 

Com o passar dos anos, os colchões foram sendo aperfeiçoados para atender às necessidades de cada freguês.

 

Mudaram os materiais, a tecnologia e o conforto.

 

Mudou também a maneira de fabricar.

 

Mas alguns costumes resistem ao tempo.

 

Virar um colchão é mais do que o cuidado com um objeto.

 

É uma pequena demonstração de respeito pelo que se possui e um lembrete de que tudo aquilo que recebe atenção costuma durar mais.

 

Talvez essa seja uma boa lição para própria a vida.

 

Também nós precisamos, de vez em quando, mudar de posição, renovar os ares e aliviar o peso sempre carregado pelo mesmo lado.

 

Há gestos simples que prolongam a vida das coisas.

 

E há hábitos antigos que continuam ensinando a viver.

 

Gabriel Novis Neves

08-07-2026




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