domingo, 26 de julho de 2026

MIRANDO O CÉU


Antes que as telas ocupassem o tempo livre, era comum interromper as atividades apenas para observar o céu ao entardecer.

 

As cores mudavam lentamente, os pássaros retornavam aos ninhos e a temperatura se tornava mais amena.

 

Sem perceber, as pessoas contemplavam um espetáculo diário oferecido pela natureza.

 

Era um momento de serenidade que encerrava o dia com beleza e esperança.

 

Os antigos olhavam o céu várias vezes ao dia e acompanhavam o movimento das nuvens, procurando nelas sinais, formas e significados.

 

O céu sempre foi fonte de inspiração para poetas, compositores e também para os políticos.

 

Havia quem dissesse que as nuvens se pareciam com eles: num instante apresentavam uma forma e, pouco depois, já eram completamente diferentes.

 

Esse era o espetáculo silencioso e permanente da natureza.

 

Hoje, quase ninguém encontra tempo para olhar o céu, especialmente ao entardecer.

 

Muitos se recolhem diante da televisão para assistir ao futebol; outros preferem as mesas dos bares, onde desfrutam da companhia dos amigos.

 

Enquanto isso, o sol se despede na linha do horizonte, oferecendo um dos mais belos espetáculos da criação.

 

Assim como o arco-íris, sua beleza só pertence àqueles que levantam os olhos.

 

A natureza continua oferecendo maravilhas que passam despercebidas por quem vive apressado entre ruas e avenidas, sempre atento ao trânsito e aos compromissos. Também desapareceram muitos costumes, como o de contar histórias sobre o céu.

 

Quem da minha geração não ouviu falar de São Jorge montado em seu cavalo, desenhado na lua?

 

Sentados à porta das casas, os adultos conversavam, as crianças ouviam encantadas e a imaginação voava mais alto que as nuvens.

 

Com o desaparecimento das cadeiras nas calçadas, as famílias se recolheram para dentro de casa, e aquelas histórias ficaram guardadas apenas na memória.

 

Não sou contra o progresso.

 

Ao contrário, reconheço tudo que ele nos trouxe.

 

Mas confesso que sinto saudades do tempo em que bastava erguer os olhos para o céu e deixar a imaginação caminhar junto com as nuvens.

 

Gabriel Novis Neves

19-07-2026




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