quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

TUDO "PELA HORA DA MORTE"


Há ainda dos que julgam a vida do idoso bem ‘superior’ à do jovem, qualquer seja o aspecto.


O jovem, quando fica doente, vai ao médico e, na maioria das vezes, fica ‘curado’. O idoso, de seu lado, recebe alta em ‘observação’.


O jovem só recorre a um medicamento quando dele necessita. O idoso, quando lhe indicam ‘um’, é algo pra vida toda.


Hoje — até eu me assombro—, minha cesta básica de medicamentos é de 42 por dia. Pelo menos até minha próxima visita a um dos especialistas que me atendem.


Muitos dirão que os idosos estão com a vida financeira resolvida, o que não ocorre com os que pousaram sua nave por aqui há bem pouco: tudo por resolver.


O idoso dispõe da grana que não compra a saúde de um jovem. Não confrontemos mais: peregrinar por este tema é chover no molhado.


Jesus, filho de Deus, só precisou ficar entre nós por trinta e três anos. Morreu e foi crucificado jovem ainda, quando subiu ao céu.


‘Ele’ nos deu o exemplo. Já a ciência dos homens se empenha por descobrir uma fórmula que lhe alongue a permanência na terra!


A quem vai interessar nossa permanência por estirado período na terra?


Às indústrias multinacionais de produtos farmacêuticos, por certo. Elas só não superam o faturamento das indústrias armamentistas.


A propósito, o ato de ‘cuidar’ da morte é, nestes dias, um bom negócio. Baste-nos volver os olhos para tudo que gira ao seu entorno.


Não é por acaso que o povo, sábio, lança mão desta expressão: o preço vai pela ‘hora da morte’.


A nossa casa, grande que seja, não se faz acolhedora quando mais precisamos dela. Sim, quando alguém se despede deste mundo, a passagem pela UTI é de lei.


Ai de quem morre em casa! O que ‘restou’ de nós é levado ao Instituto Médico-Legal (IML) para que se libere o Atestado de Óbito. 


Daí para a frente, uma pá de despesas inferniza quem fica: despesas com a funerária, transporte e, finalmente, com o ‘campo santo’. Isso quando não se opta pela cremação. 


Esse, em suma, é o custo básico da morte, somado a outros penduricalhos.


Ainda ontem, nascíamos em casa, casávamos na casa em que nascemos e criávamos lá os nossos filhos. Estes, casados, continuavam na casa, onde nossos netos vinham à luz.


Lá adoecíamos e morríamos. O velório era realizado na nossa casa, saindo o féretro, carregado por filhos, amigos e parentes, diretamente para o Cemitério da Piedade. Ah, sempre havia vagas!


Esta a conclusão a que nós chegamos: tudo se faz tão diferente! Até para morrer o dinheiro é imprescindível.


Quanta verdade! Os tempos já não são os mesmos!


Gabriel Novis Neves

9-2-2024




terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

O FISIOTERAPEUTA


Um excelente fisioterapeuta me atende duas vezes por semana em minha casa.


Até já mentalizei a série dos exercícios que ele faz comigo. Dispensá-lo, que tolice! Não conheço ninguém que faça — sem o estímulo desses profissionais — os exercícios de fisioterapia.


Ao menos no meu caso, não consigo fazê-los sozinho, afastada a escolta de alguém competente.


Ele é muito importante para recuperar minhas mazelas: sai do conforto ao lado dos seus para me oferecer bem-estar.


Há quatro anos, implantei uma prótese de válvula aórtica em meu coração.


A cirurgia foi realizada no Centro de Hemodinâmica, feita por um cardiologista intervencionista, por via transcutânea. Um sucesso!


A sala do procedimento, eu a deixei bem desperto, beijado por meus filhos e amigos. Sentindo-me bem lúcido, fui conduzido à UTI.


Estava apenas confuso no que se refere ao horário. A dúvida foi de pronto desfeita pelo enorme relógio pregado em frente a meu leito, acima da televisão.


Pensei que teria algumas horas de repouso, mas logo me aparece um rapaz todo vestido de branco, pega em meu pulso e se identifica: sou seu fisioterapeuta!


De um nada, avisa que já iria dar início aos exercícios respiratórios, fazendo-os de três em três horas. A carga seria aumentada até que se consumasse a alta.


Às quatro horas da manhã, ainda deitado, foi feito um raio-X dos meus pulmões.


Como não havia derrame pleural, às oito horas tomei o café. Logo depois, o banho de chuveiro.


Recebi alta da UTI e fui para o quarto do hospital. Deveria sequenciar a fisioterapia por dois dias, até que, por fim, viesse a alta hospitalar.


O curso de fisioterapia — cuja previsão era de apenas um ano de duração — teve seu início após o acidente vascular cerebral (AVC) sofrido pelo Presidente do Brasil, Artur da Costa e Silva. Isso, em 1969.


Seu neurocirurgião, Paulo Niemayer, não titubeou e solicitou a presença de um fisioterapeuta para cuidar do caso.


Releve-se que, à época, a profissão ainda não era reconhecida no Brasil. Daí, passou a ter seu status profissional.


Às vezes, invade-me uma vontade louca de ficar livre do fisioterapeuta, que me acompanha em casa há mais de quatro anos.


Durante muito tempo, pude circular por várias academias de fisioterapia em Cuiabá. Já quando viajava, frequentava as da cidade onde estava, atendendo ao que prescrevia o ortopedista.


Estou umbilicalmente preso a meu atual fisioterapeuta. Mais que tudo por se tratar de profissional competente.


Não fosse o bastante, ele é técnico em computação. E mais ainda: os problemas todos do meu celular, nem preciso anunciar quem os soluciona.


Estou convencido de que ele não me fará cara feia: mas não conheço ninguém que, radiante de alegria, se entrega a exercícios de fisioterapia.


Estultícia das grandes — eu penso assim — é a daqueles que lhe desconhecem não só mérito. Mas a excelência!


Gabriel Novis Neves

01-02-2024




segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

LIBERDADE EXTREMADA


Ando reparando que algumas pessoas mais jovens carregam uma curiosidade desmedida em conhecer passagens da vida particular dos idosos.


Embora não tenha sido treinado para essa função, concedo a elas toda a liberdade, mesmo quando o assunto se revela pessoal.


Com minha viuvez, parece ter dinamizado essa curiosidade. Cá entre nós: é assunto que só interessa a mim. E a mais ninguém!


Talvez o questionador tenha me escolhido como ‘mira’.


Eu respondo com sinceridade, até demais, a respeito de tudo que me é perguntado, mesmo àquilo que nunca me foi indagado à época da juventude.


Não escondo que, naquele tempo, não era comum que me expusesse tanto quando agora. As coisas que fazíamos, eram na ‘surdina’. E morriam aí.


Não me constranjo quanto à liberdade que atualmente disponibilizo às minhas amigas.


Há quem até reconheça ser um tanto indiscreto em suas perguntas, por que pede permissão para fazê-las. Opor-me a isso por quê?


A sinceridade das minhas respostas é tão contundente, que às vezes, posso deixar a ‘perguntadora’ chateada, pouco que seja.


Considero esse fato, como ‘acidente’ de comunicação. Sim, horas depois, tudo volta ao normal.


Vou procurar saber se isso também ocorre com outros idosos, e se o final da história se repete.


O papel do ‘curioso’ agora, passa a ser meu.


A minha profissão de médico — havemos de convir —, facilita essas ‘liberdades’ de questionamento.


Esses tipos de perguntas são mais fáceis de ser feitas e respondidas no ‘cara a cara’ do que nas mensagens.


Mas que fiquei ‘intrigado’, ah, isso eu fiquei!


Não tinha passado por minha cabeça que, um dia seria alvo de tal curiosidade.


De certa forma, esses interrogatórios isentos de pretensão costumam produzir alguma encrenca.


Afinal, também o interrogado pode ser alvejado por perguntas superindiscretas, a lhe causarem desconforto.


É o velho ditado atualíssimo e oportuno que diz: ‘chumbo trocado não dói’.


Quem se dispuser a saber sobre determinado assunto da vida privada de alguém, também deve estar preparado para ser sabatinado a respeito de tema que a este se avizinha.


Em sentido igual, há gente que, no intento de ‘agradar’, acaba por desagradar’ uma pessoa amiga.


A liberdade de perguntar qualquer coisa a outrem é uma moeda de dois lados.


A ‘carapuça’ foi lançada.


Quem quiser pegá-la, que a coloque na cabeça.


Gabriel Novis Neves

20-01-2024





domingo, 4 de fevereiro de 2024

DESCUIDO COM A CULTURA

 

Os homens de outros Estados que para cá vieram com o intento de nos colonizar, trouxeram, na bagagem, dentre outros costumes, o chimarrão, suas botas e as danças típicas.


Desconhecidos do velho Mato Grosso, tornaram-se bilionários do agronegócio. E pensar que eram chamados de roceiros!


Até aí, tudo bem. Desde que se atentassem com nossas tradições.


Muito fizeram para ajudar o desenvolvimento, criando rodovias para escoar os produtos agrícolas. Especialmente a soja, para matar a fome de povos do outro lado do mundo.


Nada contra o enriquecimento material, daqueles que, no campo, encontraram seu ganha-pão.


Sinto que poderiam ter sido mais assessorados para preservar nossa cultura. A título de exemplo, o Centro Histórico de Chapada, uma das cidades mais antigas do Estado.


Em Cuiabá, até uma Arena para os jogos da Copa do Mundo de 2014 foi construída às pressas. E não me perguntem o preço. Como sempre, altíssimo!


Quanto à nova e necessária estrada da Chapada, foi de todo esquecida.


Governos se passaram, e a estradinha de sessenta e poucos quilômetros só foi lembrada após a catástrofe.


A cidade vive do turismo. As festas natalinas, juninas, festival de inverno e carnavalescas traduzem seu ponto forte.


As pousadas, hotéis, bares, restaurantes e o comércio em geral experimentam um grande fluxo de caixa, em ocasiões que tais.


A arrecadação se agiganta, abarrotando os cofres da prefeitura.


Com o desmoronamento de um trecho da estrada, na altura do Portão do Inferno, o trânsito, até de veículos leves, se fez interrompido.


E a queridinha cidade cultural ficou quase que totalmente abandonada. O seu comércio, inclinado a fechar as portas.


Quem mora em Cuiabá — e tem casa de veraneio lá — reduziu em muito sua ida a Chapada, onde curtia seus aprazíveis fins de semana.


Jeito é ficar mesmo por aqui, curtindo o forte calorão que tanto nos caracteriza.


Depois do acontecido, tanto o governo estadual quanto a prefeitura correram atrás dos seus filhos políticos, raposas na obtenção de recursos em Brasília.


Esqueceram-se de que o governo federal não lança sua atenção para estados periféricos, dada a fraca representação no Congresso Nacional e no próprio governo federal.


E nossa Chapada, tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional por suas ricas belezas naturais, caminha para ser cidade-fantasma.


Pergunto: onde estão os órgãos defensores de nossa cultura, meio ambiente e universidades?


Emudeceram por quê?


Será que assim agem porque a riqueza da cultura é imaterial e, infelizmente, ela não tem o poder de eleger ninguém?


Talvez estejam esperando o império do caos para tomar medidas assertivas. Então, em se consumando a interrupção da rodovia Cuiabá-Chapada, só então se lastimarão, mãos dadas com o povo, ‘chorando o leite derramado’.


Lembro-me de meu pai: não brinque com fogo! De pronto completava: o castigo vem a galope. Fica a advertência.


Gabriel Novis Neves

17-1-2024


Portão do Inferno, ano 1959, fotografia por Sérgio Gugelmin, no Facebook 


sábado, 3 de fevereiro de 2024

COISAS COISADAS


Tomei emprestado esse título a uma amiga escritora cuiabana. Sei que ela não irá se zangar, pois essa anotação constava de seus ‘textos perdidos’.


Enviou-me pelo WhatsApp. Mas eu não conseguia ler em razão do diminuto tamanho das letras.


Consegui mandar para o meu e-mail — herdei-o da minha mulher — e abri no notebook.


Era um curto texto do cotidiano, e veio com anexo. A cena se passava na Praça Popular, bem próxima a meu apartamento.


O assunto era o uso indevido do vestuário.


Na academia de ginástica, há o uniforme de ginástica, que não é o mesmo das caminhadas. Diferente, por igual, da roupa que usamos numa viagem de avião.


Por aí ela contava as historinhas de quando invertíamos o vestuário, e o que lhe aconteceu que ela chamou de ‘coisas coisadas’.


O título — assim julgo — é o que há de melhor, em termos de marketing.


Senti que poderia aproveitar — ‘coisas coisadas’ — para comentar algumas mensagens que passeiam por meu celular.


Experimentei o Facebook, Instagram, Twitter e desisti. Não publico nada. 


Acho que o WhatsApp se faz suficiente para atender aos propósitos que ostenta meu trabalho.


Pois bem, sobretudo neste fim de ano, transpira-me insuportável ler as centenas de mensagens que recebo sempre albergando o mesmo objetivo.


São conselhos, experiência de vida, o caminho do bem e da salvação, causando em quem recebe uma verdadeira ‘intoxicação’ de bons costumes.


Existe tanto lixo circulando pelas redes sociais, que nossa esperança é a tecnologia.


A gente cansa dos ‘bons conselhos’, principalmente dos de despedida do ano, dada sua forte intensidade e frequência.


Até quando isso perdurará? Deus permita que a ‘santa’ tecnologia venha nos salvar, bloqueando essas sandices!


São essas ‘coisas coisadas’ que me despertaram a fazer este apelo, a quem de direito.


Por favor, façam algo em benefício do ‘consumidor de notícias’, das redondezas da Praça Popular!


Gabriel Novis Neves

29-12-2023






sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

UM PASSADO DISTANTE


De raro em raro, sou atacado por meu cérebro.


Após intenso dia de trabalho, um ou outro fato do passado remoto é motivo de briga.


Ainda ontem, pouco antes de dormir, confessei à minha cuidadora que não poderia acreditar que, quando no Rio de Janeiro, certos fatos me turvaram os dias.


Pus-me a enumerar várias passagens de minha vida, no período dos dezoito aos vinte e sete anos.


A medicina não especializada me escondeu o caminho que pudesse me tranquilizar sobre o ocorrido.


Quantas batalhas enfrentei, deixando-as estendidas ao longo de minhas horas.


Na faixa etária em que me encontro, emergem muitas coisas. Fazem-me pensar. Só um bobo para negá-las.


O cérebro nos parece um mágico, passando a fazer piruetas na cachola. Ponho à mesa as mudanças físicas: deixam marcas que chegam a nos descaracterizar.


Isso quando o cirurgião plástico não é convidado a realizar o milagre do rejuvenescimento.


Pra quê, não sei!


Bate-me um caminhão de saudades. Uma amiga contemporânea me disse que ‘cansou de sentir saudades’.


Como a sua família é de longevos, o prognóstico é que ela, no espaço de um ano, passe a sentir ainda mais saudades.


Como não adicionar a minha a esse grupo seleto!


Na vida, tudo se ajusta. Por certo, encontrarei um jeito de distrair meu cérebro.


Ao menos na teoria, a mim me parece fácil resolver tal ‘problema’, bastando aceitar que tudo aconteceu.


Foram vários os riscos de morte por que passei!


Na antiga estrada de Jacarepaguá ao Grajaú, ‘vi a minha morte’ num choque de veículos.


Era uma noite chuvosa. Saía de um plantão de 24 horas batidas. Precisei recorrer a uma carona.


Passados mais de sessenta anos do ‘quase acidente’, já não acredito que tenha vivido momentos de terror.


Outro acidente ocorreu quando minha ambulância, em velocidade excessiva, deslizou no asfalto molhado na Tijuca. Alta madrugada.


Desgovernada, a ambulância foi parada por um poste de energia elétrica, produzindo um forte curto-circuito na região. É de registrar que houve risco de incêndio no carro de socorro médico.


Fiquei machucado, e — só por Deus! —, os quatro funcionários foram salvos. Nesse período, quantos acadêmicos de medicina perderam sua vida nas ambulâncias do Pronto-Socorro!


Custa-me acreditar no dia em que duas senhorinhas, saindo à janela de sua casa, me negaram água para beber! Não lhes condoeu o acidente havido.


Até hoje, quando relato esse fato, vem-me à mente a sede torturante daquela madrugada.


Pergunto: por que relembrar fatos doídos do passado — inacreditáveis aos meus olhos — se, em oposição a eles, houve centenas que me foram tão só bênçãos? 


A Deus, sou ‘agradecimento’!


Gabriel Novis Neves

26-1-2024







quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

O MAL QUE ME ASSOMBRA


Como tenho todo o tempo a meu dispor, quando finalizo as crônicas, já à noitinha, deitado na cama, fico a ‘bisbilhotar’ meu WhatsApp.


Para surpresa minha, encontrei um número considerável de ‘pessoas solitárias’, no geral querendo puxar uma ‘conversinha’.


Comecei a prestar atenção, e nova surpresa! Em sua maioria, cuida de mulheres entre 60 e 70 anos.


Todas têm uma história para justificar o viver só, metidas no escaninho de sua casa por meses a fio. Gosto de ouvi-las, pois sei que isso lhes faz bem.


A meu favor, tenho a idade e a profissão de médico. A isso se soma minha história de vida.


Elas ‘se abrem’ comigo e tento ajudá-las. Elas sabem que vivo só, acolitado por minhas cuidadoras.


A situação é um tanto semelhante, embora elas sejam bem mais novas que eu, já a passos largos para os noventa.


Fiquei ‘assombrado’ com o número de pessoas, mesmo neste período festivo, que preferem o recesso do lar.


Não acho patológico gostar de ficar em casa, pois, na vida, sempre nos acaricia o ‘voltar para casa’.


Numa viagem de férias bem aproveitadas, nada melhor do que retornar para nosso ‘cantinho’. É o lar que, braços abertos, nos acolhe.


Sei que minha presença costumeira em casa — pelo menos nos últimos seis ou sete anos —, incomoda a muitos de minha própria família.


Não me estranhem: das minhas três netas casadas e morando na mesma cidade, só fui à casa de uma.


De meus irmãos, parentes e amigos, já não me recordo quando lhes fiz a última visita.


O mal que me assombra, isto sim, é ficarem as pessoas absolutamente sem nenhuma companhia!


Essas — é o que suponho —sofrem com a solidão, muitas das vezes resultado de algo desenhado por seu destino.


É difícil ficar em casa sem ter com quem conversar, impossibilitado de trocar um simples bate-papo.


Motivo de alívio é quando encontram alguém ‘perdido’ no WhatsApp, com quem se pode ‘jogar conversa fora’, como diz o zé-povinho.


Nem de longe pensar em carinhos ou troca de afetos. Até a palavra ‘abração’ lhes desperta vivos sentimentos de conforto, dada a falta que uma companhia lhes faz.


Tenho comigo que melhor, bem mais, é ‘estar’ sozinho — mergulhado nos próprios pensamentos — do que ‘se sentir’ só ao lado de alguém que não o ama.


Diria o poeta solitário e solidário: ‘pra meu consolo, tenho as estrelinhas do céu; o livro e o violão, pra meu pobre coração’!


Gabriel Novis Neves

30-12-2023