sexta-feira, 31 de maio de 2024

MESA DO ALMOÇO


Tudo começou comigo e Regina numa pequena mesa retangular de madeira fazendo as nossas refeições na copa da casinha alugada de oitenta metros quadrados, na rua Marechal Floriano Peixoto.


Os filhos, noras, genro, netas, netos, bisnetos foram chegando.


A casinha foi trocada por uma bem maior na Major Gama, no Porto, na subida do Morro do Tambor.


De lá para cá o meu endereço definitivo é um apartamento de cobertura no bairro Popular.


O almoço com a família era realizado na sala de jantar, em uma mesa de dez lugares feita de pedra.


Depois, por aumento da família, abri um espaço onde era um pequeno jardim na sacada do prédio, para a colocação de uma mesa redonda de vidro em continuação à mesa de pedra.


Assim toda a família ficaria reunida no almoço e jantar.


Para apoio dos bisnetos, por enquanto, utilizo a mesa da copa, de cobertura de mármore para suas refeições.


Quando crescerem vão querer fazer as refeições com os adultos.


Pretendo construir um puxadinho na sala de refeições para ficarem todos juntos, ou abrir um salão de refeições na cobertura do apartamento.


Hoje um neto vendo a mesa de refeições ‘apinhada’ de gente, com muita comida, todos falando ao mesmo tempo, felizes da vida, me encarou e perguntou: ‘como o senhor sente neste ambiente’?


Foi difícil escolher uma simples palavra que sintetizasse tudo que passava no fundo do coração.


Tive vontade de chorar de tanta emoção e lembrar como tudo isso foi construído, que não foi por acaso.


‘Muito feliz’, foi a minha resposta!


‘Diz mais’ — retrucou educadamente meu neto.


Respondi: ‘É uma sensação agradável poder reunir todos vocês, pelo menos uma vez por semana’.


Não vejo o tempo passar, para ter a bisneta Maria Valentina entre nós.


Só a conheço por fotografias!


‘Está tão bonita! Com saúde graças a Deus’!


Contei vinte e nove pessoas almoçando comigo!


Quanta felicidade meu Deus!


Espero por muitos anos saborear o contato com essas criancinhas e as que cresceram.


Gabriel Novis Neves

25-05-2024




quinta-feira, 30 de maio de 2024

CIÊNCIA DO CLIMA


Um professor da nossa universidade, doutor em climatologia, nos informa que teremos frio até setembro.


Explicou cientificamente as razões, e disse que as temperaturas amenas e prolongadas do mês de maio não são normais em Cuiabá.


Junho e julho poderão ter temperaturas de 10º, que são os meses de frio.


E o frio este ano terminará com a entrada da primavera.


O cuiabano que não está acostumado com temperaturas baixas, deverá tirar dos guarda-roupas seus capotes de lã e trocar o café pelo chocolate.


Mesmo em maio já se faz necessário o uso de gorros, luvas e meias de lã, pois as extremidades ficam geladas, e isso faz mal à saúde.


Quem sai lucrando com essas previsões são os moradores da Chapada dos Guimarães e seus inúmeros turistas de todo o Brasil e internacionais.


Muitas festas serão programadas com shows de cantores locais, nacionais e internacionais em suas praças públicas.


Coroando esse evento com a festa de Nossa Senhora de Santana, a Padroeira da Cidade.


A cidade em festa de braços abertos recebe os devotos, que vêm de longe.


Os cofres da Prefeitura ficam abarrotados de dinheiro da cobrança de impostos arrecadados no inverno para melhoria da cidade.


Até uma igrejinha afastada do centro está sendo reformada com o auxílio dos fiéis.


O centro da cidade está todo modernizado com cobertura na sua rua de entrada.


Bares, restaurantes, lanchonetes e casas de café emolduram o centro da cidadezinha querida.


Condomínios fechados com bangalôs com vista para o ‘Portão do Inferno’, o ‘Mirante’ com excelentes restaurantes e gastronomia de frio com caldos quentes.


Hotéis e pousadas lotados enquanto houver frio.


A estrada da Chapada que passa pelo Portão do Inferno está sendo restaurada e a auxiliar, melhorada.


Nossa ‘Suíça brasileira’ não pode ficar isolada de Cuiabá, no frio ou calor.


Gabriel Novis Neves

29-05-2024




quarta-feira, 29 de maio de 2024

UNANIMIDADE


Quando todos começam a falar que o meu cabelo está comprido, significa que está na hora de cortá-lo.


Nos meus ‘tempos de vaidade’, e lá se vai muito tempo, comparecia ao salão de cabelereiros de quinze em quinze dias, sempre fora de Cuiabá.


Meus cabelereiros ficavam em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.


Quando estudante era atendido pelo barbeiro na própria faculdade, na Praia Vermelha.


Antes de viajar para estudar medicina, procurava o ‘plantonista’ da rua do Meio, a rua dos cabelereiros.


Ao retornar médico ao meu torrão natal não conhecia os bons profissionais da cidade e vivia arriscando em salões desconhecidos.


Não sei por que não tínhamos bons profissionais e todos ‘brigavam com um redemoinho no meu cocuruto’.


Ia muito ao Rio e acertava o corte do meu cabelo por lá.


Um cabelo bem cortado remoça a pessoa e transmite ao freguês ‘um aspecto de limpeza’.


Quando adolescente o meu cabelo era cortado tão curto que era obrigado a usar glostora ou gumex para ele não ficar arrepiado.


Durante muitos anos não tinha cabelereiro em Cuiabá, e o meu ficava em Brasília.


Era um maranhense falador chamado de Raimundo, que a todos dizia ser o cabelereiro do Presidente da República.


Cortava cabelo com ‘tesoura de ouro’ e a ‘fogo’.


Em São Paulo era o Mário, português que mudava a fisionomia dos jogadores de futebol, e personalidades políticas e empresariais, pelo corte de cabelo.


Fazia questão de ilustrar o seu salão com fotos ‘antes e depois’ dos seus clientes famosos.


Muito rápido ao atender seus clientes foi o melhor que conheci.


No Rio de Janeiro o melhor profissional que me atendeu recentemente foi um excelente nordestino.


Há cinco anos não viajo e estou satisfeito com o atual.


Sou atendido em casa, e ele preenche todos os meus requisitos.


Seu corte não me deixa com ‘cara de jogador de futebol’, e é um amigo que ganhei.


É nascido em Rondonópolis e cuiabano de coração.


Gabriel Novis Neves

27-05-2024




terça-feira, 28 de maio de 2024

MILAGRE MEDICAMENTOSO


Aconteceu comigo o que achava impossível de acontecer.


Tenho um antecedente vitorioso sobre dependência química, quando abandonei o cigarro após vinte anos de uso de um dia para outro há quarenta e quatro anos.


Nunca escondi nos meus textos que uso diariamente quarenta e mais medicamentos diários, para manter a minha saúde.


Fui ao cardiologista para consulta de rotina.


Fiz ECG, Doppler das carótidas, Eco-Doppler com fluxo a cores, Avaliação de marcapasso e tempo útil da sua bateria.


Fui ao exame clínico.


Deixei o consultório médico com garantia de mais dez anos de vida saudável e nenhum medicamento foi retirado ou acrescentado.


Não nasci, mas me tornei médico, e mesmo aposentado dou os meus ‘pitacos’, com relação à minha medicação.


Meu problema é que o médico especialista foi me receitando psicotrópicos para dormir, chegando ao número de cinco diários.


Como há dezoito anos não tenho companheira, procuro dormir cedo.


Comecei a ‘desmamar’ aos poucos dos soníferos e praticamente fiquei apenas com o ‘indutor’ do sono sublingual.


Passei a usar a máscara do CEPAP que ajuda muito no sono de qualidade, evitando a desagradável ‘apneia do sono’.


Estou escrevendo sobre esse assunto, por que julgo importante o uso de medicamentos quando necessários e alguns podem ser retirados como os psicotrópicos.


Diferente daqueles para controle da hipertensão arterial, arritmias cardíacas, diabetes, distúrbios da tireoide, como exemplo.


Julgo como um ‘milagre’ a retirada de alguns medicamentos do meu cardápio de remédios.


A ciência médica avança diariamente com novos conhecimentos.


Dezenas de pesquisadores em todo o mundo estudam sobre a obesidade, e um deles ganhou o Prêmio Nobel de Medicina.


Os estudos sobre as ‘células gordurosas’ dos intestinos estão acelerados, pois milhões de pessoas sofrem desse mal no mundo.


E a medicina moderna vem acoplada a tecnologia de ponta, realizando ‘verdadeiros milagres’ em todas as áreas do conhecimento médico.


Gabriel Novis Neves

07-05-2024






segunda-feira, 27 de maio de 2024

PROFISSÕES MODERNAS


Tínhamos três cursos superiores no Brasil: Direito, Engenharia Civil e Medicina, por isso, considerados de ‘nobres’.


O conhecimento avançou, e muitas subespecialidades dos nossos ‘cursos superiores matriz’, surgiram.


Hoje, temos uma infinidade de profissões supervalorizadas que independem da sua formação escolar.


Conheci e acompanho ao trabalho de uma ‘profissional de organização’ de roupas, casas, escritórios, estrutura, mudanças’.


Trabalha por pacotes, e só atente às suas clientes antigas por falta de tempo.


Existem poucas profissionais na sua área de trabalho, o que prova que o mercado está aquecido e Cuiabá cresceu economicamente.


Sua remuneração mensal é superior ao de um professor universitário.


A sua agenda é lotada e difícil de contratá-la.


Fez o curso há nove anos em São Paulo, em uma escola chamada OZ com 72 horas de duração.


É uma das pioneiras em Cuiabá nesse ramo de atividades, e hoje esse curso é ministrado via on-line, facilitando a formação de novos profissionais.


É uma empreendedora migrante do Paraná para Rondônia e Cuiabá.


Educa uma filha de quinze anos e deseja que ela curse uma Faculdade.


Essas ‘novas profissões’ de 72 horas de carga horária, são muito úteis à sociedade.


Quantos terminam o curso superior, e para conseguirem trabalhar, ficam ‘pendurados’ em empreguinhos públicos, sem nenhuma garantia e ganhando uma merreca.


Aceitam qualquer função para sobreviver.


Fazem o terrível ‘desvio ocupacional para baixo’.


É o diplomado em Direito, que aceita ser ‘recepcionista’ de uma repartição pública.


O esforço da família e o dinheiro da Nação é jogado fora, um verdadeiro desperdício.


Precisamos de mais empreendedores que ‘doutores’.


Tenho uma relação de empreendedores e técnicos que me ajudam nos afazeres e manutenção do meu apartamento.


Um dos fatores que me afastaram da vida pública, foi a ‘pedição’ de emprego.


Para minha alegria, meus filhos e netos trabalham por ‘conta própria’, sendo portadores de cursos universitários.


Gabriel Novis Neves

23-04-2024




domingo, 26 de maio de 2024

A FRIAGEM VAI VOLTAR


O serviço de meteorologia diz que a temperatura vai ‘desabar’ em Cuiabá.


Agora a temperatura está em 19º, o tempo nublado, com ventos agradáveis, sem necessidade de ligar o ar-condicionado.


Para dormir ligarei o aparelho do meu quarto, quando o apartamento todo fica fechado.


A temperatura vai declinando, e a partir de hoje teremos mínimas ao redor de 18º e máximas de 24º!


Isso é frio em Cuiabá!


E os agasalhos devem sair do armário a partir de hoje.


Temperaturas baixas devem permanecer pelo menos por oito dias, o suficiente para o cuiabano sentir saudades do calor.


Não há indicativos de chuva na região, e vamos aproveitar o restinho do belo luar, que não é do sertão, mas da nossa linda capital.


Hoje é o dia do almoço da família, com festa da crisma da minha neta médica e aniversário atrasado do meu bisneto do Brasil.


A cozinheira está com caneta e caderno na mão fazendo a lista de comidas do frio, quando não pode faltar caldos quentes, sopa e feijoada.


Doces de chocolate como sobremesa.


Para os que podem, uma taça de vinho tinto.


Já estava com saudades de ver a ponta do nariz dos meus bisnetos da cor de cereja.


Pedi à cozinheira que não esquecesse das frituras — pastéis, batatas palito — tão do agrado das crianças e adultos!


Só não podem ser encharcados de gordura.


‘No frio o organismo gasta mais energia para manter a temperatura corporal, e esse gasto maior de energia nos leva a sentir mais fome que o habitual’.


Assim, é normal comer mais no inverno.


Nessa época muitas refeições são acrescentadas, os exercícios físicos são menores, e comer é muito bom.


Quantas xícaras de chocolate quente, com tábua de queijos, salaminho, presunto e pães com manteiga saboreamos nos dias de inverno com muita disposição!


Existe até propaganda de injeções para emagrecer no inverno — uma verdadeira tentação.


Conheço pessoas que escondem a balança que possuem no banheiro para evitar o remorso da gula compulsória que o frio conduz.


Vou aproveitar essa semana de temperaturas amenas, para abusar das comidas de tempo frio.


Gabriel Novis Neves

25-05-2024




sábado, 25 de maio de 2024

QUANDO O ‘SE’ É IMPORTANTE


Estou numa fase da vida que o ‘se’ é muito importante.


Tenho artroses nos dois joelhos dificultando, e muito, a minha locomoção.


‘Se’ não tivesse a idade que tenho, poderia colocar próteses neles.


Sinto dificuldades para ler e escrever. ‘Se’ fosse mais jovem poderia sofrer uma simples cirurgia ocular.


‘Se’ não tivesse disautonomia, poderia conhecer a minha bisneta caçula, ajudado pelo motorista e cuidadora.


Não posso ficar sentado que a minha pressão arterial diminui, e ‘se’ não deitar passo mal.


‘Se’ a minha posição ideal é ficar deitado, metade do dia passo assim e sentado em frente ao computador.


‘Se’ não sentisse tantas e fortes contraturas nos pés, poderia assistir aos jogos de futebol com refrigeração no quarto.


‘Se’ estiver deitado em minha cama, posso receber e fazer visitas, ir à restaurantes, shoppings e circos.


Isso, ‘se’ me permitirem.


‘Se’ surtar vão me amarrar na cama e fico curado.


Como o ‘se’ participa intensamente da minha vida neste finalzinho.


É ‘se’ pra lá com ‘se’ para cá, parecendo até ‘dança do tempo da minha avó’.


‘Se’ quer, eu vou, ouvia muito no rádio na década de cinquenta, quando adquirimos um aparelho em casa.


‘Se’ eu continuasse ingênuo, não me incomodaria tanto com o ‘se’.


Naquela época eu gostaria de ir para Maracangalha, só ‘se’ Anália fosse.


‘Se’ a lua falasse, muito contaria de mim e de você, contaria que nos viu beijando.


‘Se’ acaso você chegasse no meu chateau e encontrasse, aquela mulher que você gostou...


O ‘se’ é fundamental na nossa vida e sem o ‘se’ nada aconteceria.


Sem o ‘se’ não existiria o ‘eu’ nem o ‘você’.


O ‘se’ deu assunto até para escrever esta crônica.


Gabriel Novis Neves

17-05-2024




sexta-feira, 24 de maio de 2024

SÁBADO DIFERENTE


O almoço da família está com um número reduzido de participantes, que nem parece ser hoje sábado.


Para não dizer que não veio ninguém da família, vou almoçar com dois netos e um quase, que se tornará neto em outubro, quando se casará com a minha última neta, médica.


Os outros familiares justificaram suas ausências, abonadas por mim.


Nesses encontros aprendo muito de tecnologia, em particular dos ‘aplicativos’ do meu celular.


Meus netos pertencem à geração que tudo conhece dessas modernas tecnologias e internet.


Estou em ‘lua de mel’ com o TikTok, Facebook, Instagram e Messenger.


O TikTok é fácil de manipular. Faço ‘o arroz com feijão’. Paro por aí.


No Facebook só sei postar as minhas crônicas, incapaz de um bate-papo com um amigo.


O Instagram só aprendi a teclar em cima do aplicativo, o mesmo acontecendo com o Messenger.


Vou precisar de muitos almoços para aprender a trabalhar com esses aplicativos, que todo mundo tem e trabalha sem mistério.


Acho até que faço muito com a internet e celular, bem acima das pessoas da minha geração.


Como a vida é cheia de curiosidades, vou contar que quem trouxe o primeiro computador profissional para Cuiabá fui eu.


Era um enorme IMB 1130 que veio da PUC-Rio de Janeiro para o Centro de Tecnologia da UFMT.


Houve necessidade de se construir um laboratório de pé direito alto com super-refrigeração, para alojar a máquina.


Todo mundo aprendeu computação, menos eu, reitor naquela época.


Graças a insistência da minha mulher, aprendi a ‘acender’ e a ‘apagar’ o notebook que ela comprou para seu uso.


Vizinhos, comensais dos sábados, e quem aparecia para me visitar, completaram a ‘minha formação’.


Vou encerrar este texto, pois a mesa está posta, avisa a funcionária.


Gabriel Novis Neves

18-07-2024




Link para notícia do Laboratório de Informática
 

quinta-feira, 23 de maio de 2024

FRUSTRAÇÃO


Gostaria de conhecer pelo menos uma pessoa que não tivesse uma frustração.


Tenho várias.


A mais importante: a de ter feito o que me foi possível realizar quando ocupei cargos públicos de relevância, e que foi pouco em retribuição ao que ganhei.


A minha frustração emocional foi o de nunca ter aprendido a tocar um instrumento musical, seja de cordas, sopro ou precursão.


Como tinha inveja dos meus colegas de medicina que eram músicos.


O mais famoso era o Marcos Szpilman, cirurgião plástico, saxofonista, e tinha um conjunto que tocava na noite carioca.


Quando universitário tocava na orquestra do seu pai, maestro Szpilman, nos bailes de formaturas e grandes festas, nos salões mais badalados do Rio de Janeiro.


O meu professor de medicina, Nelson Senise, tem um filho famoso saxofonista chamado Mauro Senise, neto do pensador e líder católico Alceu de Amoroso Lima.


Trabalha com música até hoje e tem um programa musical em canal pago da Globo.


Acompanha com o seu trio musical, tocando sax, os maiores cantores da nossa música popular brasileira.


Meus colegas de pensão de São Paulo e Goiás, arranhavam o violão no final de semana.


Que inveja sentia deles!


Retornando à minha cidade para o exercício da minha profissão, fui recebido por um conjunto de serenata.


Quando podia ia com a minha mulher ouvir música no Clube Sayonara e Balneário Santa Rosa, ambos no Coxipó da Ponte.


Como reitor da UFMT, implantei prioritariamente o setor musical, sendo a ‘casa’ do Projeto Pixinguinha, Turíbio dos Santos, quarteto de cordas, coral, banda e orquestra sinfônica.


Para minha alegria convivi com estudantes e servidores que tocavam violão.


Os anos se passaram, minha casa ficou vazia e meu colega Dorileo, de presente de aniversário me doou um violão.


Indicou seu professor que me atendia em casa três vezes por semana.


Ia bem nos estudos com as aulas presenciais.


O problema era memorizá-las.


Acabei desistindo dos estudos, e guardei o violão novinho na sua capa preta, dentro do meu guarda-roupa.


O motorista da minha filha, de vez em quando pega emprestado, para tocar para os meus bisnetos.


Três deles estudam música, o que compensa em parte a minha frustração.


Gabriel Novis Neves

19-05-2024




"FRIAGEM" NATURAL E ARTIFICIAL


Retorno ao escritório após a curta sesta e o ambiente é diferente do da parte da manhã,


O vidro da janela permanece fechado, mas o sol apareceu e invadiu o local onde escrevo meus textos.


A temperatura neste momento está no máximo programado para hoje de 28º, e uma mínima de 17º.


Desta ‘friagem’, hoje será o dia mais frio dos próximos nove dias.


O sol acaricia com o seu calor as minhas costas, porém, não me importunando para abrir a janela de vidro.


Vou assistir ao sol se esconder atrás da Terra, num espetáculo maravilhoso da natureza.


Para dormir ligarei o ar-refrigerado do meu dormitório em 19 graus.


Quero curtir esse friozinho da máquina debaixo da colcha e cobertor.


É um artifício para se ter uma doce ilusão de um ‘inverno de verdade’ ou pelo menos igual ao da Chapada.


Quando viajava com o avô da Regina, diplomata concursado do Itamarati, ele reservava quarto no hotel mais conservador da cidade.


Costumava me chamar às dez horas da manhã no bar do hotel, onde o encontrava todo vestido de terno de casimira inglesa, casaco comprido, luvas, chapéu e monóculos.


Eu de terno da Ducal, colete de tricô de lã feito pela minha mãe.


Estava me convidando para tomar um cálice de vinho do Porto, ‘preparando o estomago’ para o almoço de carnes e pães franceses com manteiga, presunto, salaminho e queijos.


Uma garrafa de vinho tinto para satisfazer aos convidados.


Essa era a rotina dos dias que passávamos fora do Brasil.


Nunca soube o valor dessas extravagâncias, que começava pelo transporte aéreo em ‘poltronas’ da 1ª classe, com direito à champanha francês logo após a decolagem do avião.


Esse era o frio que me deixou saudades, e que eu gostava tanto!


O que é ‘bom dura pouco’, e o calorão faz mal à minha saúde.


Um governador sonhador, médico, na primeira metade do século vinte, tentou mudar a capital do Estado para a Chapada dos Guimarães.


Sabia dos males que as temperaturas elevadas causam à nossa saúde.


Dr. Mário Correa da Costa via Cuiabá como uma pequena cidade histórica, e a Chapada como capital de Mato Grosso.


A tecnologia da época inviabilizou esse sonho, pois a Chapada não possui rios para abastecer uma grande cidade no Centro-Oeste Brasileiro.


Hoje com modernas tecnologias, são construídas cidades no deserto.


E ‘o sol do nosso inverno’ está na linha do meu escritório.


Gabriel Novis Neves

20-05-2024




terça-feira, 21 de maio de 2024

ESCREVER NA SEGUNDA-FEIRA


Abro o notebook na segunda-feira e tudo me parece tão diferente!


O friozinho lá fora faz o cuiabano preguiçoso, só pensar em ficar na cama enrolado no cobertor.


As crianças também sentem essa mudança de clima.


Meu bisneto, que hoje completa três anos, segundo a sua mãe dormiu treze horas seguidas.


Enquanto dorme, pede para mamar duas mamadeiras de120 ml de leite.


No início e final do sono.


Também!


O tanto que esse guri perambulou no final da semana, justifica o sono extenso.


Conversei com ele sobre dormir tanto no dia do seu aniversário e ele me respondeu que gosta muito de dormir.


Isso faz bem ao moleque em fase de crescimento.


Aproveita o período que está acordado para comer de tudo, e muito.


Seus pais farão uma reuniãozinha para ele no salão de festa da dinda dele.


Escrevendo sobre o aniversário do meu bisneto, a segunda-feira se transforma em um dia normal.


Quanta alegria e felicidade as crianças nos transmitem, inclusive, fazendo parecer que os dias são iguais!


O meu escritório está com janela e porta fechadas, não necessitando de refrigeração, uma raridade.


A segunda ‘friorenta’ me obrigou a fazer fisioterapia no meu dormitório, com a janela fechada.


A cozinheira me avisou que preparou um almoço de clima ameno: buchada com batata, arroz branco e banana frita.


De sobremesa para tirar o gosto do bucho, fatias geladas de melão.


O cobertor e a máscara de CEPAP me esperam para a curta soneca de uma hora.


Uma xícara de chocolate quente cairia bem no lanche.


Vou aproveitar a disposição da friagem para escrever.


Os assuntos parecem desabrochar em meu cérebro com a baixa temperatura, e o serviço de meteorologia indica índices menores nesta semana.


Como nesta semana não tenho nenhum compromisso na rua, não tirarei a ‘roupa pesada’ do armário.


Frio se tiver este ano será em junho e julho.


Dia do meu aniversário fazia muito frio, e as festas que a Regina arranjava eram maravilhosas com toda a família reunida.


Tudo mudou e o meu aniversário deixou de ser festejado.


Vou aguardar meus 89, véspera de São Benedito.


Gabriel Novis Neves

20-05-2024




segunda-feira, 20 de maio de 2024

MUNDO DE PROBLEMINHAS


Estou envolvido em um mundo de ‘probleminhas’ que só servem para azucrinar a minha vida.


Como as pessoas gostam de transformar situações fáceis em difíceis!


O dia está findando, e com o meu irmão e a ‘Imobiliária’ que cuida do meu apartamento ocupado por ele, o probleminha que descobri, ficou de ser resolvido no mês que vem.


É telefonema daqui pra lá e de lá pra cá, e nada de resolver o equívoco administrativo, que só a mim prejudica.


Tivesse sido mais distraído e o prejuízo seria bem maior pra mim.


Iria pagar em dobro por um serviço prestado.


Tenho que prestar muita atenção nos documentos recebidos, mesmo aqueles de empresas especializadas que são remuneradas para fazer esse serviço.


Confesso ser um produtor de serviços, mas um relaxado leitor de pastas de documentos, perdendo parte do meu esforço.


Nunca me atraí por esse tipo de cuidado, que também é trabalho.


Sempre terceirizei essa atividade, na doce ilusão de encontrar alguém capaz de impedir que os probleminhas chegassem a mim.


A empresa contratada não toma nenhuma decisão por mais simples que seja sem antes me consultar.


Também não reconhece seus erros, necessitando de atenção do contratante.


Esse fato me fez recordar do ditado educativo da minha mãe: ‘quem quer faz, quem não quer, mande’.


Esse foi o azimute da minha vida.


Muitas vezes o ‘mandão’ reconhece gente mais qualificada para resolver o ‘probleminha’.


Exemplo de que nem sempre a humildade vence.


O equilíbrio é a bandeira branca que resolve todos os problemas do nosso cotidiano.


Os problemas materiais são bem mais fáceis de serem resolvidos que os imateriais, que não tem ‘corretores’ próximos a nós.


Não há mundo ‘sem probleminhas’, eis a razão.


Gabriel Novis Neves

15-05-2024




O FRIOZINHO TÁ CHEGANDO


Para o cuiabano, acostumado às altas temperaturas, uma manhã sem o sol costumeiro é indicação que teremos alguns dias de temperaturas amenas.


É a ‘friagem’ como diz a gente desta querida cidade.


Nada que impeça o funcionamento do ar-condicionado no quarto de dormir.


Todos os habitantes da ‘Cuiabrasa’, jeito carinhoso de chamar a nossa capital, têm uma história de roupa para estrear no nosso curto inverno.


Que inventou esse termo, foi uma jornalista da grande imprensa que noticiava o tempo no Brasil.


O apelido caiu como uma luva para os cuiabanos que começaram a usá-la.


Uma das minhas cuidadoras comprou um casaco de lã quando esteve em São Paulo, e hoje ‘o tirou do armário para tomar ar’.


Espera poder usá-lo pelo menos por um dia e ser fotografada para guardar de recordação.


A cozinheira já pensa em aproveitar o friozinho que virá e preparar uma bela feijoada para o almoço e caldos e escaldados para o lanche da noite.


Chocolates quentes com bolinhos de arroz, queijo, milho, polvilho, mandioca, francisquito e pão de batata.


Gostaria de usar a boina que ganhei de presente no meu aniversário do ano passado, que é em pleno inverno, e que passamos em ‘brancas nuvens’.


Se fôssemos seguir o calendário e serviço de meteorologia, jamais iriamos apreciar as deliciosas ‘iguarias de inverno’.


Em minha casa, é difícil o sábado que a feijoada completa não faz parte do nosso almoço.


Que comida gostosa essa inventada pelos africanos colonizados que vieram para o Brasil, e bota gostosa nela!


Ela se desenvolveu no final do século XIX em restaurantes cariocas, e é considerada comida típica carioca.


A feijoada é um prato português.


Com a chegada dos escravos que se ‘alimentavam de feijão e farinha de mandioca’, o que restava dos almoços dos ‘senhores’ era destinado aos africanos.


Era feita de carne de porco, miúdos, orelhas, rabos, pés, e oferecidos aos escravos que cozinhavam, dando-lhes um sabor extraordinário.


A feijoada é feita em grandes panelas pra muita gente.


É servida aos sábados e às vezes quartas e sextas-feiras.


Voltando aos sinais do friozinho, nossa Chapada amanheceu coberta por neblina, e temperaturas baixas, obrigando seus moradores a usarem casacos de lã.


Torço para ser desta vez a chegada do frio, apesar do sol bater em minhas costas, aqui no escritório.


Gabriel Novis Neves

19-05-2024