Nos tempos de estudante o restaurante universitário era parte essencial da rotina.
Ali se encontravam alunos de diferentes cursos, todos unidos pela mesma necessidade prática: comer bem e gastar pouco.
As filas eram longas, mas também eram momentos de conversa, amizade e troca de ideias.
Muitos debates importantes começaram em mesas simples, diante de bandejas metálicas.
Hoje percebo que aquele restaurante não alimentava apenas o corpo dos estudantes — alimentava também uma convivência universitária rica e inesquecível.
Durante os seis anos em que frequentei o restaurante da Faculdade de Medicina, na Praia Vermelha, o preço da alimentação permaneceu sempre o mesmo.
Também o preço do bonde parecia seguir o mesmo exemplo.
Naquela época existiam apenas vinte e nove escolas médicas no Brasil, concentradas nas capitais litorâneas e nas grandes cidades, quase todas públicas.
No Rio de Janeiro haviam três; em Niterói apenas uma.
Alunos do interior de todo o país vinham para o Rio atraídos pela excelência do ensino gratuito, pelo restaurante universitário e pela Casa do Estudante.
Os bairros do Catete e da Glória tinham inúmeras pensões para estudantes, com preços acessíveis.
Eu morava em um quarto de pensão no Catete e me alimentava no restaurante universitário da Faculdade de Medicina, na Praia Vermelha.
Era muito frequentado, e as filas se alongavam especialmente no início das refeições.
A comida era servida em grandes bandejões.
Ali vivi um dos maiores centros de convivência da minha juventude.
Aprendi muito com colegas vindos de todos os estados brasileiros.
Anos depois, ao retornar à minha cidade natal, tive a oportunidade — como Secretário Estadual de Educação — de criar o Restaurante Maria Aparecida Pedrossian, o REMAP, destinado a atender alunos do interior do Estado.
Mais tarde, como primeiro reitor da UFMT, criei o restaurante universitário no câmpus de Cuiabá.
A cena que eu vivera no Rio de Janeiro repetia-se agora em meu torrão natal.
Assistia às refeições no nosso RU com a alegria silenciosa de quem reconhece uma lição aprendida na juventude.
Porque, no fundo, aqueles bandejões da Praia Vermelha também ajudaram a construir o futuro.
Gabriel Novis Neves
09-03-2026
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