Entre tantos mestres da Faculdade de Medicina, havia um professor que chamava atenção pela maneira tranquila de entrar na sala.
Não levantava a voz, não fazia gestos exagerados.
Apenas começava a falar e pouco a pouco o silêncio tomava conta da turma.
Seu conhecimento parecia surgir naturalmente, como quem conta uma história antiga.
Nós, ainda jovens estudantes, percebíamos que estávamos diante de alguém que não apenas ensinava Medicina, mas também transmitia serenidade e respeito pela profissão.
Aprendi que para ser bom médico, além de conhecer profundamente a arte de curar, é necessário ter seriedade e respeito pela profissão.
O médico, com a sua humildade, ensina até quando se cala.
Aquele professor não precisava impor autoridade.
Sua presença bastava.
Havia nele uma firmeza mansa, uma segurança sem vaidade, uma elegância que não vinha da aparência, mas do saber amadurecido pelo tempo e pela aparência.
Enquanto outros mestres impressionavam pelo brilho das palavras, ele nos conquistava pela simplicidade.
Falava baixo, mas chegava fundo.
Explicava com clareza, sem pressa, como se desejasse que cada ensinamento encontrasse o seu lugar dentro de nós.
Mais do que lições de Medicina, deixava exemplos de conduta.
Mostrava que o verdadeiro médico não é aquele que apenas dominas técnicas e diagnósticos, mas o que se apresenta diante do doente com respeito, discrição e humanidade.
Muitas vezes, ao vê-lo atravessar a sala em silêncio, eu pensava que a grandeza fosse mesmo assim: sem alarde, sem exibição, sem necessidade de aplauso.
Os anos passaram.
A vida me levou aos hospitais, às enfermarias, às salas de aulas e às responsabilidades da profissão.
Mas a lembrança daquele professor permaneceu viva, como uma lição guardada no íntimo.
Com ele aprendi que o saber pode ser sereno.
E que o silêncio também ensina.
Gabriel Novis Neves
17-04-2026
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