Meus bisnetos são frequentadores assíduos desses almoços de sábado.
Só deixam de comparecer quando viajam no período das férias.
O mais velho já completou nove anos e o caçula tem apenas dois.
Os maiores estudam em uma escola americana de tempo integral, onde estão sendo alfabetizados em português e inglês.
Do porteiro às professoras, todos se comunicam em inglês.
Hoje, no almoço, um deles veio me cumprimentar nesse idioma.
Seus pais estão certos ao investir na educação dos filhos, ainda que a mensalidade seja maior que a de muitas faculdades particulares de Medicina.
Se o poder público oferecesse ensino de qualidade a todas as crianças brasileiras, o futuro do país seria outro.
Mas, infelizmente, muito do dinheiro dos impostos se perde pelos caminhos da má gestão e da corrupção.
Depois, criam-se artifícios para facilitar a chegada dos alunos da escola pública básica às universidades públicas, que ainda são, em grande parte as melhores do país.
No fim, há certa injustiça com os pais que se sacrificam em favor de um futuro melhor para os filhos.
Tenho também um bisneto que nasceu em Portugal, filho de mãe brasileira e pai português.
Está matriculado em uma escola, onde é alfabetizado em português e inglês.
Aprende ainda mandarim.
Esteve comigo nos feriados da Semana Santa, contando novidades e pronunciando algumas frases nesse idioma que, para muitos, já é visto como a língua do futuro, sobretudo no universo das grandes empresas e das relações comerciais com o Oriente.
Aprender idiomas estrangeiros é mais fácil na infância, quando a criança ainda não conhece a inibição.
Lembro-me, com alegria, de ver meus netos, entre três e cinco anos, na piscina de um hotel na Holanda brincando com crianças de vários países europeus.
Cada uma falava em seu próprio idioma, e, ainda assim, todas se entendiam.
Leio e compreendo o espanhol, e também o francês dos livros de Medicina, mas sou uma nulidade no inglês.
No ensino básico, em vez de conversação em inglês, a escola pública me ensinou literatura inglesa.
E estudei Medicina sob forte influência da escola francesa, com livros em francês e espanhol.
Meus cinco bisnetos são crianças muito queridas.
E, quando uma delas falta ao almoço de sábado, a mesa parece ficar um pouco menor.
Gabriel Novis Neves
19-04-2026
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