Definitivamente não teria condições de exercer outra profissão que não fosse a medicina tradicional — aquela com pouca tecnologia e muita arte.
Ontem testemunhei a descida da cápsula espacial no mar da Flórida, nos Estados Unidos da América.
A bordo, estavam três astronautas americanos e um cosmonauta russo.
Durante mais de nove meses permaneceram na estação orbital, dando mais de 4.500 voltas ao redor da Terra e trabalhando incansavelmente.
Os cientistas que se aventuram no espaço são preparados para viver em condições radicalmente distintas das terrestres.
Além do excepcional conhecimento tecnológico, essencial para cumprirem com precisão suas funções no espaço, e de uma saúde física impecável, o que mais me fascina neles é o controle emocional.
Desde o lançamento da aeronave, impulsionada por foguetes, até o retorno e a descida no mar, tudo me parece perigosíssimo.
Confesso que assisti a cada momento sem conseguir acreditar no que via.
Meu maior sofrimento foi a longa espera pelo resgate da tripulação.
Por mais de uma hora vi aqueles heróis aguardarem pacientemente, antes de serem retirados da cápsula, acomodados em macas e levados de helicóptero ao navio de resgate.
De lá, seguiram para um hospital especializado em medicina aeroespacial, onde foram avaliados por médicos treinados para esse tipo de missão. Somente após criteriosas análises, receberam alta para voltarem a viver entre nós.
Foi um espetáculo da mais alta tecnologia, executado por profissionais exaustivamente preparados, tanto científica, quanto fisicamente e, acima de tudo, psicologicamente.
Quando fazemos uma viagem de avião com mais de uma hora de duração, ao pousarmos, a maioria dos passageiros se apressa para se levantar e buscar a saída, ansiosos para sentir os pés firmes no chão.
Os astronautas ao contrário, são treinados para a paciência. Nada altera seu humor, e estão sempre serenos. Se assim não fossem, jamais seriam escolhidos.
Até hoje muitos duvidam que o homem tenha ido à Lua, apesar das imagens icônicas de Neil Armstrong fincando a bandeira americana naquele solo em julho de 1969.
Entretanto, o pioneirismo coube ao russo Yuri Gagarin, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra, em abril de 1961. Foi dele a célebre frase: ‘A Terra era azul’.
O destino, no entanto, lhe reservou um trágico desfecho. Yuri morreu em um acidente de avião, antes mesmo de Armstrong pisar na Lua.
Ontem foi um dia histórico para mim. E, mais uma vez, ficou claro: o homem não conhece limites para suas conquistas.
Gabriel Novis Neves
19-03-2015
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