O ensino é seletivo. Exige de seus alunos um número mínimo de horas-aula para a progressão acadêmica.
Muitas crianças pobres são obrigadas a trabalhar desde cedo, fugindo da fome, para ajudar nas despesas da casa.
Quando a situação familiar se estabiliza — nem sempre — elas tentam voltar à escola.
Mas já não cabem mais nela. Continuam executando pequenos trabalhos braçais.
Ficam distantes do mercado de trabalho e do trabalho digno.
Algumas, no entanto, revelam pendores artísticos: o canto, a dança, os esportes, as composições musicais.
A habilidade com instrumentos musicais, mesmo sem escola, segue adiante.
Podem enriquecer — e oferecer uma vida melhor aos seus descendentes.
A arte ensina a vida. Mas a vida, sem escola, não leva ninguém muito longe.
A Universidade de Campinas concedeu o título de Doutor Honoris Causa ao grupo Racionais MC´s — um conjunto de rapazes que revolucionou os saberes forjados na luta, em São Paulo, no Brasil e no mundo.
Por meio de suas canções, fizeram as periferias serem compreendidas.
Hoje, os antigos fugitivos da fome tiveram seus saberes reconhecidos, servindo de exemplo a milhares de jovens.
Foram recebidos pelo Conselho Universitário em seus trajes habituais —calça e camiseta azuis.
Quebraram um antigo ritual ligado à sede do saber.
Os artistas populares têm sua própria metodologia para criar saberes.
A escola ensina seus alunos a repetir o que lhes é ensinado — do fundamental à graduação, ao mestrado, doutorado e pós-doutorado.
Depois, galopam pelos benefícios da Lei Rouanet, da Lei Aldir Blanc e outras.
Sempre olhei com bons olhos aqueles que não possuíam titulação formal, mas detinham saberes.
Aproveitei muitos deles na implantação da Universidade Federal de Mato Grosso — e não me arrependo.
Sempre respeitei o saber, independentemente dos títulos acadêmicos.
Muitos dos projetos implantados — como a Escola de Samba Mocidade Independente Universitária — estão na memória de todos.
O Brasil é para todos, e não só para alguns.
Convivemos com Presidente do Brasil e com o das Nações Indígenas — tão ou mais reverenciado na Europa desenvolvida.
E que saibamos respeitar os novos doutores da Universidade de Campinas!
Gabriel Novis Neves
24-03-2025
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