terça-feira, 25 de março de 2025

ENSINO E ARTE


O ensino é seletivo. Exige de seus alunos um número mínimo de horas-aula para a progressão acadêmica.

 

Muitas crianças pobres são obrigadas a trabalhar desde cedo, fugindo da fome, para ajudar nas despesas da casa.

 

Quando a situação familiar se estabiliza — nem sempre — elas tentam voltar à escola.

 

 Mas já não cabem mais nela. Continuam executando pequenos trabalhos braçais.

 

Ficam distantes do mercado de trabalho e do trabalho digno.

 

Algumas, no entanto, revelam pendores artísticos: o canto, a dança, os esportes, as composições musicais.

 

A habilidade com instrumentos musicais, mesmo sem escola, segue adiante.

 

Podem enriquecer — e oferecer uma vida melhor aos seus descendentes.

 

A arte ensina a vida. Mas a vida, sem escola, não leva ninguém muito longe.

 

A Universidade de Campinas concedeu o título de Doutor Honoris Causa ao grupo Racionais MC´s — um conjunto de rapazes que revolucionou os saberes forjados na luta, em São Paulo, no Brasil e no mundo.

 

Por meio de suas canções, fizeram as periferias serem compreendidas.

 

Hoje, os antigos fugitivos da fome tiveram seus saberes reconhecidos, servindo de exemplo a milhares de jovens.

 

Foram recebidos pelo Conselho Universitário em seus trajes habituais —calça e camiseta azuis.

 

Quebraram um antigo ritual ligado à sede do saber.

 

Os artistas populares têm sua própria metodologia para criar saberes.

 

A escola ensina seus alunos a repetir o que lhes é ensinado — do fundamental à graduação, ao mestrado, doutorado e pós-doutorado.

 

Depois, galopam pelos benefícios da Lei Rouanet, da Lei Aldir Blanc e outras.

 

Sempre olhei com bons olhos aqueles que não possuíam titulação formal, mas detinham saberes.

 

Aproveitei muitos deles na implantação da Universidade Federal de Mato Grosso — e não me arrependo.

 

Sempre respeitei o saber, independentemente dos títulos acadêmicos.

 

Muitos dos projetos implantados — como a Escola de Samba Mocidade Independente Universitária — estão na memória de todos.

 

O Brasil é para todos, e não só para alguns.

 

Convivemos com Presidente do Brasil e com o das Nações Indígenas — tão ou mais reverenciado na Europa desenvolvida.

 

E que saibamos respeitar os novos doutores da Universidade de Campinas!

 

Gabriel Novis Neves

24-03-2025




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.