segunda-feira, 24 de março de 2025

JÓIAS DAS ARTES


Tenho verdadeiras jóias artísticas guardadas na antiga biblioteca do meu apartamento.

 

Do espaço original, trouxe apenas o essencial para o escritório improvisado no antigo dormitório dos meus filhos: a mesa com o computador e uma pequena estante para consultas rápidas.

 

Nunca imaginei que, com o passar dos anos, as articulações dos meus joelhos me impediriam de subir os degraus da escada que leva da sala de visitas ao salão de entretenimento, contíguo à biblioteca, na cobertura.  

 

Há mais de dois anos, com sacrifício, não ponho os pés lá.

 

Apesar de toda a tecnologia disponível, não consegui instalar um pequeno elevador que resolveria meu problema.

 

Ontem assisti — por transmissão online — uma palestra da professora doutora Miriam da Costa Oliveira, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

 

Com um currículo médico irretocável, ela abordou o tema: Intersecções entre Arte e Medicina.

 

A professora Miriam nos conduziu com elegância desde os primórdios da Medicina até os tempos atuais.

 

Demostrou, com raro brilhantismo e sabedoria, que a arte e a medicina e a medicina e a arte, sempre tiveram pontos de encontro.

 

Lembrei, então, que em 1958 fui aluno de Medicina da professora Nise da Silveira, na disciplina de psiquiatria.

 

Ela nos ensinava a cura pela arte.

 

No meu retorno à Cuiabá, entre 1966 e 1968, tive a oportunidade de implantar essa nova metodologia em um hospital psiquiátrico — mesmo sem ser especialista.

 

O trabalho dos internos me impressionou tanto que convidei a crítica de arte Aline de Figueiredo para visitar a ‘Casa do Espiridião’, um esquizofrênico crônico.

 

Aline fotografou o que chamou de ‘obra de arte’ e entrevistou o interno do Hospital Adauto Botelho.

 

Em 1985 inaugurei meu consultório de pré-natal na Clínica Femina. Trabalhei com fotógrafos, artistas plásticos, ceramistas, escultores, programadores visuais e sertanistas.

 

Dei ao local o nome de Consultório de Terapia Visual de Pré-Natal.

 

Os resultados foram os melhores possíveis —e a experiência, profundamente didática.

 

Foi grande a influência da professora Nise da Silveira, criadora do Museu do Inconsciente no Rio de Janeiro, na minha formação médica.

 

Sempre procurei unir arte e medicina, medicina e arte.

 

Futuramente penso em doar meu consultório de terapia visual ao Museu da Academia de Medicina de Mato Grosso.

 

Gabriel Novis Neves

21-03-2025



















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