sexta-feira, 14 de agosto de 2026

CANDEEIROS


Quando a noite chegava, antes de a energia elétrica alcançar todos os cantos da cidade, o lampião transformava-se em companheiro indispensável das famílias.

 

O menino observava, curioso, o cuidado dos adultos ao limpar o vidro, aparar o pavio e acender a chama.

 

Sem perceber, aprendia que até a luz da casa dependia de paciência, atenção e responsabilidade.

 

Na minha infância, conheci a lamparina e lampião objetos indispensáveis nas casas daquele tempo, assim como as velas.

 

Os lampiões clareavam as salas e muitas vezes eram objetos de luxo, feitos de cristais importados da Europa.

 

Na sala da minha casa, havia um lindo par de lampiões que ganhei de herança, com uma vela comprida em seu interior.

 

Eram acessos em datas especiais, dando solenidade ao ambiente.

 

Hoje, com as modernas hidrelétricas, temos energia elétrica disponível praticamente o tempo todo.

 

Até um celular pode iluminar a escuridão, assim como os modernos lampiões movidos a bateria.

 

Os edifícios possuem geradores próprios, mantendo os elevadores em funcionamento mesmo nos momentos de falta de energia na cidade.

 

Os mais modernos fornecem eletricidade também aos apartamentos, oferecendo ainda mais conforto aos moradores.

 

Com isso, velas, lamparinas e lampiões ficaram na história.

 

Deixaram de ser companheiros inseparáveis das famílias.

 

E o menino de hoje aprende muito cedo a ligar a lanterna do seu celular.

 

Nas arquibancadas dos estádios, durante os jogos noturnos, milhares de torcedores acendem ao mesmo tempo as lanternas de seus aparelhos para saudar seus clubes.

 

Produzem um espetáculo lindo de se ver!

 

O Centro Histórico de Cuiabá também foi iluminado por lampiões.

 

Funcionários da prefeitura eram encarregados de acendê-los ao anoitecer e apagá-los ao amanhecer, segundo contava meu pai.

 

Ainda me lembro de alguns no Beco do Candeeiro, já sem função, testemunhas silenciosas de uma cidade que começava a desaparecer.

 

O historiador Rubens de Mendonça, meu professor, também me ensinou muito sobre a história dos lampiões de Cuiabá.

 

Hoje, basta tocar a tela de um celular para fazer a luz aparecer.

 

Mas nenhuma tecnologia consegue iluminar o passado como a memória.

 

E ainda vejo aquele menino, diante do lampião, descobrindo que uma pequena chama era suficiente para clarear uma casa inteira.

 

Gabriel Novis Neves

10-08-2026




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