domingo, 29 de setembro de 2024

FOTO ANTIGA


Em dezembro de 1950 concluí o antigo ginásio no colégio dos padres salesianos.


Para comemorar o ato foi realizada uma missa festiva, com a presença de autoridades civis, militares, eclesiásticas, professores e familiares dos formandos.


Após à missa, na igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, foi tirada uma foto nas escadarias da igreja para o campo de futebol.


Era o lugar que os alunos, divididos em grupos de trinta, entravam antes das aulas para assistirem à Santa Missa.


Revendo essa foto histórica após 74 anos, tenho dificuldades de identificar algum colega, autoridade ou familiar vivo.


Tenho uma sensação ruim por não saber o paradeiro de poucos.


A maioria vive há tempos no plano espiritual.


Dos 5 futuros médicos da foto, com certeza só eu permaneço entre os vivos.


Eu pergunto por que a gente tira fotos do ‘grupo na conclusão do ginásio’, faz ‘álbum de fotografias no término do curso superior’, ou ‘equipes de trabalho em hospitais’?


Eu tenho o registro desses três eventos, e o mais recente está com 62 anos.


Guardo centenas de fotos da minha vida, quando fotografar era difícil.


Agora com as facilidades que o celular nos oferece, tenho pasta de fotos no computador.


Por que rever essas fotos que nos transmitem momentos felizes, e tristeza profunda com a lembrança de pessoas queridas.


Como alguém se sentirá sendo o último remanescente de uma foto tirada em 1950, reunindo 30 alunos do ginásio em Cuiabá?


Como terá sido, anos depois, observar casualmente a foto, e constatar que a maioria daqueles colegas já desapareceu, e passar a acompanhar a partida dos demais? 


Como convencer os ‘estudantes do ensino ginasial, superior e médicos’, a comparecerem a determinado endereço em dia tal, às 9 da manhã, em que todos estão em atividades e nenhum deles em condições de abandonar os seus postos para tirarem uma foto atualizada?


Os moços de 1950, estarão muito mais velhos.


Inúmeros deles não se viam havia décadas, e tinham muito que se abraçar e conversar.


Como fazer com que ficassem quietos para a foto histórica?


Mas a foto saiu e lá está, um ‘grupo de jovens’.


Gabriel Novis Neves

23-09-2024






AO APAGAR DAS LUZES


Emprestei essa frase dos antigos narradores esportivos do rádio antes da chegada da televisão para anunciar que a partida de futebol estava chegando ao seu final.


Em casa cada ouvinte criava o seu cenário.


E os narradores pertenciam à elite da intelectuidade, sendo compositores, músicos e escritores.


Ari Barroso, Antônio Maria, Chico Anísio, Antônio Cordeiro, Jorge Curi, Oduvaldo Cozzi, Raul Longras, Doalcey Bueno de Camargo, Waldir Amaral, foram da época de ouro das rádios no Rio de Janeiro, mais ligados ao interior do Brasil e Mato Grosso.


Alguns descendentes de italianos em Cuiabá eram mais apegados às emissoras da cidade de São Paulo, e seus excelentes narradores esportivos: Geraldo José de Almeida, Fiori Gigliotti, Jota Junior, Luciano do Vale, Osmar Santos, Sílvio Luís entre outros


Em 1948, eu ‘via’ o jogo dos clubes cariocas pelas transmissões das rádios, com retransmissões assim que as partidas terminavam.


As rádios locais também eram fortes nas transmissões das partidas locais, com bons narradores como Ivo de Almeida, Márcio José de Arruda, Luís Atílio, Djalma Valadares, Edipson Morbeck, Mário Márcio.


Para dar suporte a essa fantasia que ouvíamos, existiam revistas especializadas em futebol, e colunas esportivas em jornais de prestígio com Nelson Rodrigues, Armando Nogueira, João Saldanha e tantas outras estrelas do nosso jornalismo.


Existia no Rio um jornal como o do Mário Filho, impresso em folhas cor de rosa, da família Rodrigues, cujo único assunto era esporte, principalmente futebol.


Essa geração pré-televisão formou uma equipe de narradores, que fazia o torcedor de futebol ‘ver aquilo que ouvia’.


Deixava para nossa imaginação o prazer das partidas de futebol transmitidas pelas rádios.


Veio a televisão, e para assistir aos jogos pela TV retiro o som do aparelho ficando apenas com as imagens, e os narradores estão em extinção.


Estes transmitem dos estúdios da emissora os jogos de futebol, e os ‘famosos bordões’ estão desaparecendo.


Para diminuir os custos da transmissão com o futebol, os ‘grandes comentaristas’ foram sendo substituídos por ex-jogadores de futebol, e professoras de educação física ou práticas.


Iniciei o texto com a frase poética do final das partidas de futebol:


‘Ao apagar das luzes”, lembrando de outra não menos bela, que é do seu início:


‘Abrem-se as cortinas do Pacaembu para o grande espetáculo’!


Assim era bem antigamente, onde tudo tinha lugar para a poesia criativa!


Gabriel Novis Neves

08-08-2024




sexta-feira, 27 de setembro de 2024

SÁBADO DE EXPECTATIVA


Aguardo ansioso a chegada dos convidados para o almoço da família.


Vou conhecer a namorada do meu único neto, que carrega o meu nome.


Sei que é uma moça preparada, e cursou o ensino médio e universidade nos Estados Unidos em administração de empresas.


Quem a conhece diz ser muito simpática, e é da mesma idade do meu neto.


Houve o desejado encontro entre a futura neta com seu ‘vô postiço’, e toda a família do seu namorado.


Ela cativou a todos com sua simplicidade, e espírito de empreendedorismo.


Torço para essa união afetiva se concretizar o mais rápido possível para aumentar meu número de bisnetos.


Que venha com saúde, independente do sexo.


Ganhou um presentinho, que foi o endereço eletrônico do meu blog, onde poderá consultar mais de 3500 crônicas e compartilhar com os seus.


Ali tem a minha biografia em retalhos e sobre o cotidiano.


Almoçou em uma mesa redonda de vidro com a minha filha, sua futura sogra e cunhada e duas primas.


O almoço contou com a presença dos bisnetos, filho, genro, netos, funcionários e as três mesas do almoço foram ocupadas.


Variados pratos de comida, como feijoada completa, filé mignon, picanha, dois tipos de farofa, pastéis de carne e queijo, esfirra fechada, couve refogado, salada de repolho, arroz branco, salada verde e rodelas geladas de laranja.


Sobremesa foi mousse de maracujá com água e refrigerantes.


Só faltou a família do meu filho Ricardo, que está viajando e o marido da minha neta em retiro espiritual.


Foi uma boa festa para comemorar a visita da nossa convidada para os próximos almoços.


Deixei a reunião mais cedo, para tirar uma soneca antes do jogo do Botafogo.


O meu time está cotado para ser campeão brasileiro da série A, e o melhor jogador em campo foi o goleiro adversário.


Sofri bastante durante o jogo com as oportunidades que meu time perdeu, e o sono também.


Foi um sábado repleto de felicidades, e me senti privilegiado por viver esses momentos tão especiais.


Gabriel Novis Neves

22-09-2024




quinta-feira, 26 de setembro de 2024

GRAÇAS A DEUS


Com a idade que tenho dou graças a Deus por estar podendo tomar contas dos meus ‘negócios’ com uma lucidez que me surpreende.


Discuto com a ‘Imobiliária’ que cuida dos meus apartamentos, descobrindo erros em seus relatórios quando não estão corretos.


Peço ao Banco, uma solução imediata quando o PIX não está funcionando por problemas tecnológicos gerados pelo Banco, me impossibilitando de fazer a operação.


Pago o IPVA deste ano para não ‘cair na armadilha’ do ano passado, em parcelas mensais.


No ano passado paguei à vista para ganhar a bonificação.


O preço cobrado foi exorbitante e a justiça cortou o excesso da cobrança.


Não fui restituído e, pelo andar da carruagem, não será devolvido o que foi cobrado a mais.


Infelizmente é assim que funciona as coisas públicas.


Telefonei ao escritório de contabilidade que me atende, perguntando se cai na malha fina da Receita Federal.


Se não, quando serei reembolsado do meu Imposto de Renda de 2023.


Tenho que controlar e pagar os holerites das domésticas.


Pagar o valor do condomínio do meu apartamento, mensalidade da Academia de Medicina de MT.


Serviços de manutenção do meu apartamento.


Pagar o fisioterapeuta de atendimento domiciliar, farmácia, mercado e presentes cujos benificiários cada dia aumentam mais.


Serviços odontológicos e alguns médicos.


Todo esse trabalho é realizado no meio das crônicas que produzo e as distribuo pelas Listas de transmissão.


Enxertadas pelas flores do meu jardim e músicas.


Meu único problema é com a minha locomoção. Preciso de um motorista e uma cuidadora para me levar na cadeira de rodas.


Minhas funções fisiológicas funcionam normalmente e durmo demais para um idoso.


Tenho uma memória retrógrada extraordinária, o que facilita meus ‘ensaios literários’.


Gostaria de poder escrever, tudo que ouvi, vi, e fiz, mas isto é impossível para um cérebro íntegro.


‘Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará’.


Graças a Deus, considero-me muito feliz com o que Deus me deu!


Gabriel Novis Neves

15-05-2024




COISAS BOAS


São as pequenas coisas que encontro do alto dos meus 89 anos.


Como esta segunda-feira de clima ameno de fim de agosto.


Consegui marcar meus exames de rotina para amanhã no primeiro horário.


Também meu retorno ao médico especialista para o final de setembro.


Essas pequenas coisas são verdadeiras conquistas!


Cuidar da minha saúde para não dar trabalho a ninguém é tudo que desejo.


Meu único investimento é contratar sempre cuidadoras que me ajudam na administração da minha vida.


Deixei para a enfermeira a parte de medicamentos: compra e horários de tomar.


Quando ela esquece de algum, a minha memória ainda está boa para cobrá-la.


Tenho funcionárias para os cuidados gerais da casa e uma enfermeira para o pernoite.


Pago satisfeito a sua noite tranquila, sinal que estou muito bem de saúde.


Esse é o quadro geral das pequenas coisas que me fazem muito bem.


É importante que o meu celular fique mudo, sinal que tudo está bem com a minha família e amigos.


Coisa boa é escrever enquanto o tempo passa sem deixar rastros.


Mas a melhor coisa que existe é a presença aos sábados dos meus filhos, netos e bisnetos.


Esse ambiente é de rachar de bom, como se falava antigamente.


Minha bisnetinha de quatro meses está na fase de estranhar as pessoas.


Logo que chega aqui, com a casa cheia, ela se surpreende com vozes e imagens que não são do seu cotidiano.


Deixa escapar um chorinho lindo, e logo passa pelo aconchego de braços conhecidos.


São coisas boas, e tão pequenas que nos enchem de felicidade!


Ah! Se tudo fosse assim, acredito que viveríamos no paraíso.


Como é bom relembrar das coisas simples que a vida nos oferece e nós muitas vezes não percebemos.


Termino com o encantamento do chorinho das criancinhas diante do desconhecido.


Gabriel Novis Neves

26-08-2024




quarta-feira, 25 de setembro de 2024

COMPANHEIRAS MAIS NOVAS


Li que homens famosos preferem namorar mulheres bem jovens, que não ultrapassem os vinte e cincos anos.


Não sendo um famoso, me casei com uma mulher nove anos mais nova.


Ela tinha dezenove anos e eu vinte e oito.


Naquela época era comum o homem ser mais velho que sua mulher.


O meu pai era dezenove anos mais velho que a minha mãe.


Na minha família não há registro de casamentos onde a mulher é mais velha que o homem.


No decorrer dos anos teremos um casal de velhinhos com o homem mais velho.


Isso demonstra o bom estado emocional dos homens, não precisando de uma companheira com menos idade para projetar a sua juventude.


Devemos nos preparar para viver bem todas as fases da nossa vida, inclusive a íntima.


É comum no meio artístico os homens sempre procurarem mulheres bem mais novas para as suas companhias e os relacionamentos são múltiplos.


Antigamente os homens eram proprietários de ‘garçonnieres’ para seus encontros com mulheres bem mais novas.


Esses encontros eram ‘terapêuticos’ e a sociedade os encobriam.


Os praticantes eram pessoas honradas e continuavam assim.


Não sei porque isso foi matéria de um grande jornal, quando dois famosos foram citados.


Um conhecido artista de cinema americano ainda vivo, e outro um consagrado escritor brasileiro, já falecido.


Com isso, a suposta preferência por infantes de até vinte e cinco anos está na mira dos estudiosos.


Mas qual é a novidade? A história está cheia de homens que se casaram muitas vezes com mulheres de metade da sua idade.


O rei Salomão, segundo a Bíblia, teve setecentas esposas e trezentas concubinas.


Como ele morreu antes dos sessenta anos, a maioria certamente tinha menos de vinte e cinco anos.


Talvez no seu tempo, vinte e cinco anos correspondessem hoje a cento e vinte e cinco anos.


O nosso escritor brasileiro, após namorar muitas moças com até 17 anos, casou-se com uma artista quatro anos mais velha que ela.


Isso está sendo chamado se ‘síndrome’.


Gabriel Novis Neves

22-08-2024




terça-feira, 24 de setembro de 2024

PÉROLAS


Gosto muito de receber comentários dos leitores sobre as crônicas que publico.


Selecionei um do professor Fernando Tadeu: ‘você conversa com a cidade quando escreve’.


‘Precisamos de mais pessoas que conversem com ela’.


Esse grupo fraseológico criado pelo professor, é uma pérola que aumenta as minhas responsabilidades.


Conversar nas crônicas com a cidade é ser o ‘cronista da cidade’ muito acima das minhas qualidades literárias.


É traduzir as ambições e desejos da cidade, e perpetuar a sua memória.


Entendê-la sempre e defendê-la.


Não me vejo na condição do primeiro cronista de Cuiabá José Barbosa de Sá.


Barbosa de Sá no fim do século XVIII, registrava o que acontecia por aqui e deu início a ‘grande conversa’ com a cidade.


Tudo que sabemos sobre o nosso passado, foi um legado deixado por ele.


Foi ele o iniciador da conversa com a nossa cidade e deixou seguidores ilustres como Virgílio Alves Correa, Estevão e Rubens de Mendonça, entre outros.


Nem de longe me comparo aos cronistas-historiadores citados.


Procuro ‘navegar’ sobre o nosso cotidiano escrevendo como se ‘conversasse com a nossa cidade’, na observação do professor Fernando Tadeu.


A cidade tem vida e moradores.


Precisa de alguém que converse com ela, no sentido lúdico do pensador e mestre.


As crianças cuiabanas conhecem mais a história mundial que a nossa, mesmo a recente.


Basta ir à Universidade, que tem meio século de existência, e constatar que ninguém ‘conversa com ela’.


Ninguém sabe nada da sua história recente e isso é muito ruim para todos, especialmente alunos, professores e servidores.


Como diz Fernando Tadeu — temos que motivar novos escritores a conversarem com a cidade.


Lutar para não deixar desaparecer este tipo de escrita.


Não podemos deixar órfãos as novas gerações e migrantes ávidos de informações sobre a cidade que nasceram e escolheram para viver.


Muitos leitores agradecem quando escrevo sobre a Cuiabá de outrora.


Que a ‘pérola do professor’ seja seguida.


Gabriel Novis Neves

24-05-2024





N.E: José Barbosa de Sá (Portugal - Cuiabá, 30 de maio de 1776) advogado licenciado e cronista. Foi casado com Joana Pires de Campos. Deve ter realizado os seus estudos em Coimbra e, através de suas crônicas, ficou registrado importante conteúdo histórico do ambiente da Cuiabá colonial dos fins do século XVIII. É o patrono da Cadeira nº 1 da Academia Mato-grossense de Letras.

domingo, 22 de setembro de 2024

CLIMA APOCALÍPTO


Estamos sendo massacrados por temperaturas altíssimas, céu encoberto por nuvens de fumaça, sol vermelho e ausência de chuva.


Essas queimadas que castigam Mato Grosso e outros Estados são alimentadas em parte pelo agro.


O Pantanal foi muito comprometido pela estiagem e queimadas.


A nossa Amazônia está em chamas.


O início da primavera será no dia 22 de setembro, e o clima continuará o mesmo, nos deixando preocupados.


Um amigo viajou de automóvel para São Paulo e me disse que em todo o trajeto encontrou fumaça na estrada.


O ar de péssima qualidade que respiramos, produz impactos na saúde pública.


Crianças e idosos são os que mais sofrem com as doenças e infecções pulmonares.


E a nossa rede hospitalar pública e privada não apresenta condições de internação.


Muitos desses pacientes precisam de um leito em unidade de terapia intensiva (UTI).


A exposição prolongada à fumaça e ao ar seco fazem muito mal à nossa saúde.


Eu passo o dia todo fechado no meu escritório com refrigeração, umidificador de ar e boa hidratação.


Se for obrigado a sair de casa, sinto-me muito mal.


Clima é política de governo, e não percebo nenhuma disposição para uma discussão para minorar com esse sofrimento da nossa gente.


Há mais preocupação com demarcações de terras indígenas que com queimadas das suas matas.


O presidente da república deveria editar um plano de emergência de combate às queimadas.


A imprensa nacional dá mais espaço em seus noticiários às cadeiradas dos debates na televisão do que a ‘praga dos incêndios’, que destrói parte do nosso território.


Nossos animais, rios e cidades pedem socorro!


Será que chegamos ao fundo do poço moral que tornaram nossas universidades cegas, sem apresentarem um projeto científico de recuperação do nosso território queimado?


O pior é que sabemos como punir os infratores, e fazemos de surdos, mudos e cegos!


Eita Brasil!


Gabriel Novis Neves

19-09-2024




PEQUENAS OBSERVAÇÕES


Perder uma partida de futebol do clube que torcemos é doloroso.


Quando o gol sofrido é feito por um jogador veterano já aposentado dos gramados europeus, recém-curado de Covid, no final do segundo tempo, então é de ‘lascar de bom’.


Domingo tive ‘o prazer de assistir a esse gol’, feito num time cujo treinador está ultrapassado e se acostumou a perder.


O outro foi a ‘virada em um minuto’ de um time médio do Sul, contra o atual campeão da Libertadores da América.


No sábado vi o goleiro do meu time, que nunca havia defendido um pênalti, pegar a bola chutada pelo seu adversário, que está na ‘zona do rebaixamento’ do campeonato brasileiro série A.


São situações como essas relatadas que fazem do futebol o ‘esporte das multidões’.


Gosto de assistir aos jogos do meu time no primeiro horário de sábado, para poder ‘secar’ os outros jogos da rodada.


Secar os outros times do campeonato é tão gostoso como ver o nosso time ganhar.


Com a entrada do Cuiabá no campeonato dos vinte melhores times do Brasil, meu trabalho de torcedor aumentou muito.


Torço para o meu ‘time do coração’ ganhar o campeonato, e o meu ‘time bairrista’ não cair para a segunda divisão do brasileirão.


Quando o meu time ganha assisto pela televisão a resenha esportiva.


Nem me importo se estamos a menos de um mês das eleições e se há debates na televisão.


No outro dia fico sabendo que no debate político houve cadeiradas e xingamentos.


O curioso é que o autor da cadeirada no debate foi um antigo locutor esportivo.


Os times brasileiros disputam quatro campeonatos ao mesmo tempo: Brasileirão Série A, Taça Libertadores, Sul-Americana, Copa Brasil.


Antes tínhamos os campeonatos estaduais, regionais e ‘excursões caça-níqueis’.


Calendário com jogos duas vezes por semana, obriga os clubes participantes a grandes investimentos financeiros e humanos.


O Brasil exporta jogadores para a Europa, e importa de países sul-americanos.


E hoje, segunda-feira vou torcer para o Cuiabá derrotar o colorado de Porto Alegre e poder respirar na zona do rebaixamento.


Nada é impossível no futebol, mas perdemos o jogo e nos complicamos mais.


Gabriel Novis Neves

16-09-2024




sábado, 21 de setembro de 2024

LAÇO NA CABEÇA


Está na moda meninas de apenas dois meses usarem enormes laços de cores variadas na cabeça.


Minha bisneta segue essa tendência.


Todos os dias, após o banho da tarde, sua babá a enfeita com laços de cetim que combinam perfeitamente com a roupa que ela veste.


Desde o nascimento, ela usa fitas, e já está tão acostumada com o trabalho artístico da babá que parece até gostar do visual.


Ela fica uma graça com esse adereço, e eu não tenho dúvidas que ela percebe o quanto é admirada.


Mal posso esperar pelo sábado para poder pegá-la no colo, apertá-la e cobri-la de beijos.


Fico por horas admirando suas fotos, que capturam toda a sua beleza.


Ao olhar para ela, me vem à mente memórias da minha infância e dos ditados dos mais velhos: ‘criança feia se torna bonita quando cresce, e a bonita acaba ficando feia’.


Padre Pedro Cometi, meu conselheiro no colégio salesiano, professor de música e amigo, sempre se lembrava dessas palavras.


Ele foi convidado para celebrar o casamento da minha filha Monica, e durante a cerimônia fez questão de compartilhar uma história.


Com a igreja de Nossa Senhora Auxiliadora lotada de parentes, amigos e convidados, ele se dirigiu aos noivos e pais:


‘Pois é, Mônica, quando você nasceu, fui jantar na sua humilde casinha da rua Floriano Peixoto.


Foi lá que te conheci.


Acompanhei o seu crescimento e desenvolvimento.


A Regina era uma mulher bonita, e seu pai não era feio.


Mas você, Mônica, era uma criança muito feinha.


Eu perguntava a Deus: como pode isso?


Hoje, recebendo o sacramento do matrimônio, você se transformou em outra pessoa.


Tornou-se uma linda mulher, confirmando o velho ditado: ‘criança feia se torna linda quando adulta’.


Hoje parece que todas as crianças já nascem bonitas.


O laço de fita na cabeça da minha bisneta, só aumenta o seu charme.


Com apenas quatro meses, ela já é uma pequena aventureira, cercada pela irmã de seis anos, uma prima de sete e um primo de três.


Foi ao casamento da tia e roubou a cena, com aquele laço enorme na cabeça que não a incomodava nem um pouco.


Aliás, as asas de uma borboleta não poderiam ser mais delicadas.


Que venha logo o sábado, quando os meus sonhos se tornarão realidade.


Gabriel Novis Neves

13-09-2024




sexta-feira, 20 de setembro de 2024

PENSANDO


Diante da tela ampliada do meu notebook penso em escrever.


Os assuntos são vários, mesmo tirando a política e o futebol.


Notei que as mulheres na sua maioria não apreciam o ‘futebol’ e estão ‘descrentes’ da política.


Minha cozinheira durante o almoço, me disse que ‘aumentou novamente’ o preço da energia elétrica.


Indignada me perguntou como o pobre irá viver!


Para certos serviços na área da saúde a vida do pobre é ‘um ponto’ na linha do horizonte.


Quem não possuir um ‘plano de saúde’ não terá direito ao tratamento.


Construir hospitais não significa mais saúde à população.


Continuo afirmando que o melhor programa de saúde é investir em educação de qualidade para todos.


Os países desenvolvidos chegaram a esse patamar por terem dado prioridade aos investimentos na educação.


Mas isso é uma decisão política.


Para notícias políticas serem aceitas, temos que mudar a educação do nosso país.


Países democráticos como os EUA, com excelente educação, têm um povo interessado em política e esportes, inclusive futebol.


Como estou na fase de ‘contar histórias’ de tudo que vivi e vi, todos os dias publico uma crônica sobre o meu cotidiano.


Quem aprova as prioridades de uma nação são os políticos que nós elegemos democraticamente.


‘Para bom entendedor, meia palavra basta’!


Agora está entendido o porquê reclamamos de tudo?


O pior é que continuaremos assim: não temos educação de qualidade para todos.


A leitura sobre política partidária tornou-se enfadonha, variando de corrupção ao nepotismo.


O mesmo acontece com os poderes da nação e tribunais.


E isso vem de bem longe.


Os antigos diziam, diante do clamor popular sobre as nossas dificuldades de sobrevivência: ‘isso sempre foi assim’!


E continua sendo assim!


Continuo pensando.


Gabriel Novis Neves

01-01-2024




quinta-feira, 19 de setembro de 2024

IDIOMA PORTUGUÊS


Certa ocasião, li como é fácil aprender o inglês, e a professora me convenceu que é.


Demonstrou que uma série de palavras em inglês são entendidas em português.


As outras com pequenas alterações entravam com facilidade no nosso idioma.


Muitas palavras em inglês têm origem latina, assim como no português.


Por exemplo, ‘animal’ e ‘important’ são semelhantes em ambas as línguas.


Além disso, o alfabeto é quase idêntico, o que facilita a familiaridade com a escrita.


A gramática do inglês, embora diferente, é mais simples em alguns aspectos, como a ausência de conjugações complexas dos verbos que existem no português.


Outra vantagem é a exposição.


O inglês está presente em filmes, músicas e na internet, proporcionando uma imersão constante.


Muitos falantes de português já têm contato com o inglês desde cedo, o que ajuda na aprendizagem.


Além disso, a pronúncia de algumas letras, como ‘t’ e ‘d’, é semelhante, facilitando a comunicação inicial.


As tecnologias modernas, como aplicativos de aprendizado de idiomas e dicionários online, também tornam o processo mais accessível.


A estrutura das frases em inglês, com sujeito-verbo-objeto, é algo que portugueses podem entender e aplicar rapidamente.


Por fim, a motivação pessoal e a prática contínua são essenciais, e muitos falantes de português se dedicam a aprender inglês devido à sua importância global.


Com dedicação e os recursos certos, qualquer falante de português pode aprender inglês com relativa facilidade.


Citarei algumas palavras em inglês que são muito semelhantes às suas correspondentes em português:


Animal – Animal


Natural –Natural


Hospital - Hospitalar


Doctor – Doutor


Intelligent – Inteligente


Moment – Momento


Family –Família


Information – Informação


Festival – Festival


Tradition – Tradição.


Essas palavras compartilham raízes latinas, o que facilita o reconhecimento e a compreensão entre os dois idiomas.


Gabriel Novis Neves

09-2024




terça-feira, 17 de setembro de 2024

ESTOU INTOXICADO


Invenções ou mentiras não consigo colocar no papel.


Leio as notícias nacionais, sempre as mesmas do ano todo.


Agora são as promessas das eleições de outubro para as prefeituras e câmara de vereadores.


Aqui em Cuiabá tem candidato que se eleito, promete melhorar o clima da cidade.


Nunca mais teremos temperaturas de 42º e o período das chuvas será aumentado.


Esse terá o meu voto!


Transformará Cuiabá em uma cidade perfeita para morar, estudar e trabalhar.


Nem a ex-Presidente da República conseguiu estocar o vento frio da Cordilheira dos Andes para o Centro Geodésico da América do Sul, e assim mudar o clima para melhor.


Outras promessas que merecem aplausos.


O SUS atenderá toda a população sem plano de saúde, e a educação de qualidade será para ricos e pobres, que terão acesso às universidades públicas.


O emprego com salários dignos, não faltará a ninguém.


Tudo isso até as eleições.


Depois os vencedores desaparecem, nomeiam seus parentes, e a vida continua.


Ainda dizem que votar é um exercício de cidadania!


Pela minha idade não sou mais obrigado a votar, porém exercerei o meu direito constitucional.


Após as apurações das eleições muitos dirão que o povo não sabe votar.


Discordo, pois os eleitos são a nossa cara.


Não haverá mudanças, e tudo continuará como está.


É hora de esquecer as ‘promessas de campanha’ e continuar enfrentando as filas do SUS, ensino para ricos e pobres, subempregos, desvios ocupacionais para baixo, ruas esburacadas, sem arborização, centro histórico de Cuiabá em ruínas, bairros abandonados à própria sorte.


Transporte coletivo com veículos velhos, aumentando o sofrimento do seu usuário.


Única coisa boa do período eleitoral, é o seu final.


Ficaremos livres da ‘propaganda eleitoral’ e das ‘tapinhas nas costas’.


Gabriel Novis Neves

10-09-2024