Troquei o travesseiro de lado sem perceber.
Só notei quando deitei novamente à tarde.
Parecia o mesmo, mas não era.
O conforto mudou um pouco.
A cabeça estranhou.
Essas pequenas mudanças acontecem no dia a dia sem alarde.
O corpo percebe antes da razão.
Com o tempo, aprendemos que até o descanso exige adaptação.
Na cama de casal, o lado direito sempre foi o meu.
Até hoje não consigo dormir do lado esquerdo.
Nem tento mais.
Talvez por ser destro, acostumei-me a dormir desse lado da cama.
Também não consigo dormir de bruços ou de barriga para cima.
Para assistir futebol na cama, preciso de três travesseiros de tamanhos diferentes como apoio.
Sempre dormi depois do almoço.
Casei com uma mulher que não tinha esse hábito.
Com o tempo, ela aprendeu a descansar após o almoço.
O corpo dela reconheceu a necessidade antes da razão.
Com a idade, aprendi o que comer antes de dormir para ter um sono reconfortante.
Do contrário, o sono demora, e uma pequena refeição acaba sendo necessária para que ele chegue.
Nem sempre, quando abro o laptop, vem a inspiração para escrever.
Assim como numa conversa entre amigos, o corpo reconhece antes da razão o momento certo.
Escrever, para mim, é uma forma de descanso quando o corpo pede.
Mas não estou acostumado a trabalhar no computador num domingo à tarde.
A cabeça estranhou.
E o conforto mudou de dia.
Entender essas pequenas mudanças que acontecem silenciosamente exige atenção e paciência.
Fico pensando se a vida precisa ser compreendida ou vivida.
Acredito que o importante seja viver bem nesse emaranhado de emoções e razão.
A razão reconhece o que o corpo oferece.
E o corpo precisa das emoções para sobreviver.
Os estudiosos da mente humana talvez estejam buscando respostas para isso.
Será que a ciência consegue explicar?
Fico por aqui.
Vou ao futebol.
Amanhã retorno ao texto.
Talvez descubra o caminho para encerrá-lo.
Ou escreva outro.
Gabriel Novis Neves
08-02-2026
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.