Pode nos levar à reflexão sobre afastamentos, silêncios modernos e pessoas que somem sem despedida.
Com a proliferação da telefonia móvel, é raro passar um dia sem fazer ou receber ligações.
Mesmo assim, quase sempre há um número importante que insiste em não ser atendido.
E isso nos leva à reflexão.
Alguns afastamentos até consigo compreender. Há problemas amorosos insolúveis, relações que exigem silêncio para preservar um casamento.
Nesses casos, atender à ligação não é desejado — a distância parece ser a melhor escolha.
Esse silêncio provoca sofrimento em quem liga e também em quem não atende.
Fica sempre a esperança de que, um dia, a chamada seja finalmente atendida, com sucesso na conversação.
Uma ligação não atendida raramente é definitiva.
Nessas situações resta esperar.
A modernidade também nos impõe certos silêncios como forma de defesa, diante de golpes cada vez mais frequentes.
Quem nunca foi vítima de alguma falcatrua ao atender uma chamada desconhecida ou falsa?
Por duas vezes fui prejudicado por quadrilhas bem treinadas, que se aproveitaram da nossa boa vontade — ou ingenuidade.
Há homens e mulheres matriculados na universidade do crime, organizada e eficiente, que utilizam telefonemas com finalidade criminosa.
Hoje, com a bina, só atendo chamadas cujos números estejam entre meus favoritos.
O que mais dói, porém, é gente que some sem se despedir.
Quando é da mesma cidade, ainda se pode dar um jeito de provocar o atendimento.
De outra cidade ou de outro Estado, talvez até a polícia possa ajudar.
Gente que some sem se despedir não considero falta de educação, mas uma fuga cujos motivos desconheço.
Nas situações citadas, a solução mais simples costuma ser mudar o número do telefone.
Assim, a ligação deixa de existir e o computador passa a responder friamente: este número não existe.
Mas o que faz a ligação de um número — entre os meus favoritos — não ser atendida?
Só consigo pensar na insegurança de falar com quem está do outro lado da linha.
Gabriel Novis Neves
28-11-2025
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