quarta-feira, 20 de abril de 2022

OUTROS HOSPITAIS DO RIO DE JANEIRO


Em recentes crônicas escrevi sobre os três Hospitais do Rio que mais interferiram na minha formação de médico: o Hospital e Maternidade Pro Matre (1959-1964), o Hospital e Pronto Socorro Souza Aguiar (1959-1964), o Hospital Moncorvo Filho (1960-1961).


A Santa Casa da Misericórdia (1956-1959), o Hospital Getúlio Vargas (1957-1958), a Maternidade de Laranjeiras (1958) e o Hospital Gaffrée-Guinle (1962-1963), ficaram para esta crônica.


Na Santa Casa aprendi Semiologia Médica com o professor Carlos Cruz Lima, de uma didática incomparável.


Nosso professor tinha uma filha casada com o grande dramaturgo e teatrólogo Nelson Rodrigues, ficando ainda mais “admirado” entre seus alunos.


Clínica Médica com o jovem catedrático Clementino Fraga Filho, que acabara de substituir o pai na cátedra, hábito naquela época.


Era carinhosamente chamado de Fraguinha pelos alunos e foi colega de turma de dois famosos médicos cuiabanos: Clóvis Pitaluga de Moura e José Monteiro de Figueiredo.


Fraguinha foi escolhido Paraninfo dos Monitores Médicos de 1960 (eu era de Ginecologia).


Tinha uma excelente enfermaria de Clínica Médica na Santa Casa, onde aprendi semiologia e as clínicas médicas.


Esteve em Cuiabá (1986) quando do reconhecimento pelo Conselho Federal de Educação, da nossa escola de medicina criada e implantada por mim (1970-1980).


Foi o padrinho reencontrando seu afilhado.


Clínica Cardiológica com o famoso professor e cardiologista Edgard Magalhães Gomes, na Santa Casa.


Nas suas imperdíveis aulas condenava o uso de cigarros especialmente para os cardiopatas, com um cigarro aceso na ponta da boca e cinzas caindo na lapela dos paletós.


Muito querido pelos alunos que sempre diziam que ele “sabia muito”!


Na Maternidade das Laranjeiras tinha aulas práticas nos famosos plantões noturnos de 12 horas.


Lá aprendi comer e gostar da comida do hospital, especialmente o arroz com galinha servido na ceia para os plantonistas.


Também foi onde realizei o meu primeiro parto de mais de dez mil (1958).


O catedrático era o “pioneiro” professor Rodrigues Lima, que em 1971 esteve na UFMT, sendo eu reitor (1971-1982), para proferir uma palestra sobre “Planejamento Familiar”.


No Hospital Getúlio Vargas, fui estagiário sem presença obrigatória, do Serviço de Ginecologia do professor Cardoso de Castro, levado pelo meu colega de turma Marcondes Pouso Filgueira, que fez carreira lá.


Com outro cuiabano, colega de turma de medicina Benedito Canavarros, aprendemos Urgências e Emergências Médicas, na equipe Cata Preta no Hospital Souza Aguiar (por concurso). 


Meus dois colegas de turma logo que terminaram a graduação retornaram à Cuiabá.


O meu retorno aconteceu após mais de quatro anos.


Nesse período frequentei o Serviço de Ginecologia do Hospital Gaffrée Guinle, com grande movimento de cirurgia.


Serviço de Dermatologia (ambulatório) da Santa Casa do professor Sílvio Fraga, pai do ministro da economia Armínio Fraga.


Sílvio Fraga esteve em Cuiabá para fazer palestra, quando eu reitor.


Recebi a sua visita na reitoria instalada provisoriamente há 42 anos na Biblioteca Central.


Tentei registrar os principais hospitais e serviços que mais frequentei na minha formação médica no Rio de Janeiro (1955-1964).


Gabriel Novis Neves

18-04-2022





terça-feira, 19 de abril de 2022

HOSPITAL MONCORVO FILHO DO RIO DE JANEIRO


Antigamente, quase todas as disciplinas do curso de medicina da Universidade do Brasil mantinham seus monitores que eram alunos remunerados e escolhidos através de uma prova de seleção.


O aluno monitor tinha um “status acadêmico” de destaque e eram excelentes “professores”.


Preferia às vezes as aulas práticas dos monitores (cheias de macetes) em vez de alguns professores renomados.


No 6º ano de medicina em 1960, tinha plantão de 24h na Maternidade Pro Matre, onde ganhava algum dinheirinho quando chamado pelos professores para ajudarem alguma cirurgia particular.


Também, 24h no Hospital e Pronto Socorro Souza Aguiar, onde a remuneração era maior.


Eu já havia decidido fazer medicina do interior, com foco em ginecologia e obstetrícia.


Fiz a prova de seleção para duas vagas de monitor para a disciplina de ginecologia e fiquei com uma delas.


Era tudo que sonhava para concluir uma boa graduação em medicina.


O catedrático era o famoso professor Arnaldo de Moraes, diretor da Faculdade de Medicina e médico da mulher do Presidente da República, ministros, embaixadores e alta sociedade do Rio de janeiro.


O hospital ficava próximo ao Souza Aguiar, na rua do mesmo nome.


Minha função era de preparar material para as aulas do professor- catedrático e seus assistentes.


Também participava de atos operatórios, evolução e alta das pacientes.


Participava do atendimento ambulatorial diversificado.


Em colposcopia meu professor (Rieper), foi o introdutor desse exame no Brasil no início dos anos sessenta.


A colposcopia era e é até hoje um exame preventivo feito em consultório para diagnóstico de doenças ginecológicas, como o câncer do colo uterino.


A professora Clarice do Amaral era responsável pelo pioneiro ambulatório que tratava da Infertilidade Feminina.


A parte de endocrinologia feminina engatinhava, com o aparecimento dos meios anticoncepcionais orais, que revolucionou as relações da vida feminina.


E eu “metido nesse meio de muito aprender”.


Atendia uma vez por semana o ambulatório de ginecologia de adultos.


Certa vez, a enfermeira me trouxe o prontuário da próxima cliente que iria atender.


Pela leitura dos seus dados pessoais, verifiquei ser a mesma de Cuiabá.


Ao atendê-la perguntei-lhe se morava no Rio de Janeiro.


Ela me respondeu que morava em Cuiabá e viera para tratar em hospital do Rio, com médicos mais atualizados.


Quis saber quem era seu médico e quando me respondeu, abaixei a cabeça com vergonha de mim.


- Minha senhora. A senhora deixou de ser atendida, por um dos mais brilhantes médicos que conheço, para consultar com um estudante de medicina que está aprendendo?


- Mas, aqui eu sei que o senhor irá chamar seu professor que é muito bom, além do mais tem mais recursos que Cuiabá.


Essa senhora foi por mim operada no Hospital Moncorvo Filho, e anos depois minha cliente no Hospital Geral de Cuiabá.


Foi um ano de estágio muito proveitoso, que me serviu muito quando médico do interior.


Gabriel Novis Neves

07-02-2022








segunda-feira, 18 de abril de 2022

HOSPITAL E PRONTO SOCORRO SOUZA AGUIAR DO RIO DE JANEIRO


Logo no início de 1959 iria cursar o 5º ano de medicina.


Fiz o concurso para acadêmico de medicina da Prefeitura do Rio de Janeiro.


Consegui classificação e fui lotado para trabalhar na equipe “Cata Preta” do Souza Aguiar.


Ficava no Largo de Santana, próximo à Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, que tinha um famoso centro acadêmico chamado de CACO, em homenagem ao professor Cândido de Oliveira.


Trabalhava terças às tardes (14h-20h), quintas às noites (20h-08h) e aos domingos intercalados (08h-20h), perfazendo 24 h semanais.


Os acadêmicos do 5º ano de medicina faziam o serviço externo de ambulância quando atendíamos os pacientes nas suas casas, repartições públicas ou nas ruas.


Era o famoso serviço de reboco terapia, quando trazíamos os pacientes para procedimentos hospitalares.


Não raro, por motivo de segurança, trazíamos o defunto, e o motorista se comunicava com o rádio do hospital dizendo simplesmente: “a viatura retorna ao ponto zero. Já era”.


O crime sempre foi violento na cidade do Rio de Janeiro entre traficantes de droga, bicheiros e contrabandistas da Praça Mauá.


Conheci nas mesas frias do pronto atendimento do hospital sem vida, vítimas dessa verdadeira guerra, como o policial corumbaense Perpétuo que foi morto pelo Cara de Cavalo em confronto direto cada qual no seu carro.


Dias depois, era o próprio Cara de Cavalo que não resistiu ao cerco policial, sendo encaminhado ao Souza Aguiar.


Numa noite de 5ª feira o elegante Fernandinho da Praça Mauá, em luta pelo ponto de contrabando dava entrada já morto no HPS.


Esses foram crimes famosos quando eu era do 5º ano de medicina.


Não esquecendo quando, em uma tarde de terça-feira, deixei o hospital para atender a um ministro famoso do Supremo Tribunal Federal!


Ao me aproximar do paciente que estava deitado num enorme sofá da Sala da Presidência, ele de olhos fechados me disse: “doutor sou portador de Doença de Meniere”.


Quando estou assim meus médicos europeus me recomendam glicose hipertônica na veia.


O enfermeiro da ambulância preparou e fez a medicação venosa no ministro.


Retornei ao hospital com o coração na mão.


No 6º ano nosso trabalho era mais nos serviços internos do Pronto Socorro.


Atendíamos no centro cirúrgico, onde fazíamos os procedimentos menos complexos, como retirada de projetil de arma de fogo, quando não penetravam no cérebro, pulmões e abdome.


Nesses casos ajudávamos seus experientes cirurgiões.


Revezámos na triagem de clínica cirúrgica, médica, pediatria e traumatologia e ortopedia.


Uma madrugada atendi no Pronto Atendimento, uma criança de uns seis anos. Estava acompanhado do seu pai, o famoso comediante Grande Otelo.


Com a mudança da capital para Brasília e a demanda de muitos médicos atraídos pelas oportunidades oferecidas, à prefeitura do Rio para não ficar sem médicos nos seus serviços de urgência e emergência, aproveitou os acadêmicos concursados em 1959 e os promoveu ao cargo de médico efetivo.


Ganhando bem resolvi, com o tempo que me sobrava, estagiar em clínicas com vistas a ser um médico do interior.


No dia 31 de março de 1964, uma terça feira, ao chegar ao meu plantão, trocando de roupa no vestiário, notei algo muito estranho no hospital.


Aqueles que estavam deixando às pressas o seu plantão desejavam aos que entravam feliz sorte.


Era hábito da turma que assumia o plantão, antes passar pela cantina para um cafezinho.


O alto falante do hospital pede para que Augusto Paulino Filho e eu comparecêssemos com urgência ao gabinete do diretor médico Brito Cunha.


Fomos escolhidos por merecimento para assumirmos o hospital de campanha dentro do Palácio Guanabara.


O resto pertence à história do Brasil vivida, e não contada ou escrita.


Gabriel Novis Neves

07-02-2022




PRO MATRE MATERNIDADE DO RIO


Desde 2009 o atendimento às gestantes está suspenso, na Pro Matre do Rio de Janeiro.


Mergulhados em dívidas o Hospital e Maternidade Pro Matre vai a leilão.


Fica próximo à Praça Mauá.


Será transformado em um moderno hotel.


Seu terreno foi doado pela Prefeitura para construção de uma maternidade.


Inaugurada em 1919, inicialmente como uma associação beneficente, a Pro Matre funcionou como o 1º Hospital de Emergência dedicado ao atendimento a “pacientes da gripe espanhola”.


A criação da maternidade foi ideia do médico Fernando Magalhães (bonitão) com o apoio de senhoras da “sociedade carioca” (apaixonadas por ele), liderada por Stella de Carvalho Guerra Duval.


Na Pro Matre nasceram ilustres brasileiros, inclusive o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


No ano 2000, a maternidade costumava atender até mil grávidas diariamente.


Era um lugar excelente para alunos do 5º e 6º ano de medicina estagiar, mediante concurso.


Eu fui um dos felizardos selecionados para aprender obstetrícia na Pro Matre.


Fiquei lá, até retornar para Cuiabá (1959-1964).


Meu plantão de 24 horas era numa segunda feira, que funcionava com três alunos do 5º e três do 6º ano do curso de medicina.


Tínhamos como preceptores já médicos, ex-internos da Pro Matre (Fauzer e Gení Nacao) e um Chefe do plantão Olinto Rezende.


O diretor clínico era o Dr. Guilherme Serrano e o diretor Geral Dr. Muniz de Aragão.


Dona Stela Guerra Duval, viúva de um diplomata, sem filhos, morava em uma linda casa em Botafogo e tinha um apartamento na Pro Matre, no setor recém-inaugurado para pacientes particulares, onde passava mais tempo que em sua casa.


Gostava de conversar com os internos, sentada na imensa mesa quadrada do salão da maternidade, que se comunicava com as enfermarias das gestantes não pagantes, geralmente pelas madrugadas.


Ser convidado pela dona Stela, para tomar chá na sua casa em Botafogo, era o máximo que um interno poderia desejar.


Era sinal de muito prestigio, escutar as maravilhosas histórias contadas por uma das mulheres mais influentes do Rio de Janeiro.


Tive a honra de ser convidado algumas vezes para tomar chá e ouvir as histórias do Rio antigo.


Dr. Serrano, um bonachão que operava maravilhosamente bem, levava os “meninos do plantão” quando podiam, para tomar um lanche com suco de laranja e pão de queijo num bar que ficava em frente ao Hospital dos Servidores do Estado.


Na época era o mais bem equipado hospital do Brasil e com excelente corpo de médicos famosos.


Ele pagava as despesas do lanche no boteco.


Dr. Muniz de Aragão era o executivo do hospital e médico com enorme clientela de grã-finas.


Certa ocasião era madrugada, e eu estava sozinho na imensa mesa do salão da maternidade preenchendo o prontuário das gestantes dos partos que tinha realizado.


Apareceu de surpresa o mestre Muniz de Aragão, impecável no seu uniforme branco, barba feita, cabelos penteados, perfumado e um cachimbo na boca com o melhor fumo cubano.


Parou diante de mim, verificou o que eu fazia.


Disse-lhe que o plantão fora movimentado e lhe mostrei a quantidade de partos que tinha realizado naquela noite.


Inesperadamente vira-se para mim e pergunta a minha idade.


Ouviu e me deu um conselho que nunca mais esqueci.


“Todas às vezes que você desejar fazer alguma “coisa a mais” com uma mulher lhe pague”!


Estou aqui a estas horas, para fazer o parto de uma neta de uma “namoradinha minha”.


Sua avó telefonou-me e está me aguardando no quarto da neta, que claro não desconfia de nada.


A família da gestante não possuía recursos para pagar o parto, feito pelo professor Muniz de Aragão!


São essas histórias que a falência da Pro Matre, está apagando.


Gabriel Novis Neves

07-02-2022




sábado, 16 de abril de 2022

OS PITORESCOS XXI


Bem antigamente, tirar água do joelho era ir ao banheiro. Hoje, é ir ao ortopedista para fazer punção no joelho.


Na Cuiabá antiga, lamber sabão significava não perturbar. Saia daqui. Hoje, para quem perturba chamamos a Polícia.


Bem antigamente, viver bem era morar no Rio de Janeiro. Hoje, é uma merda.


Na Cuiabá antiga, todo mundo tinha medo do fim do mundo. Hoje, do fim do mês.


Bem antigamente, era bonito falar que fulano de tal era tão bom, que morria de trabalhar. Hoje, quem trabalha muito merece morrer.


Na Cuiabá antiga, patrões e empregados fumavam cigarros de palha com fumo da região. Hoje, só fumam cigarros sintéticos.


Bem antigamente, com o calor de Cuiabá, ninguém pensava ou precisava ir à sauna para transpirar. Hoje, Casas de Condomínio Fechado ou Edifícios de Luxo, possuem sauna e são frequentadas.


Na Cuiabá antiga, os homens eram muito dependentes da sua mulher. Hoje, continuam assim e até para ficar viúvo depende dela.


Bem antigamente, existiam muito buracos em Cuiabá e um seu Ex-Prefeito tinha o apelido de Mané Buraco. Hoje, muitos agradecem por existirem buracos, servindo de seguro esconderijo.


Na Cuiabá antiga, malandro era chamado de pato, que já nasce com os dedos colados para não usar alianças. Hoje, malandro para se casar, a noiva exige que ele faça cirurgia plástica para poder usar aliança.


Bem antigamente, viver em Cuiabá era uma bosta por causa do calor. Hoje, viver bem é na Chapada somente nos finais de semana, pois a cidade não tem nem shopping.


Na Cuiabá antiga, louco tinha uma vida tranquila e até namorava. Hoje, louco com dinheiro faz análise com médico analista para o resto da vida. Se for pobre, vira morador de rua.


Bem antigamente, preguiçoso era dono de sauna, que vivia do suor dos outros. Hoje, dono de sauna ganha muito mais dinheiro, pois sauna virou “ponto de encontros”!


Na Cuiabá antiga, médico, dentista, fisioterapeuta, nutricionista, enfermeiro, tinham clientes. Hoje, os clientes têm Planos de Saúde.


Bem antigamente, cliente era quem consumia um serviço ou produto. Hoje, quem consome droga é usuário.


Na Cuiabá antiga, os pais quando velhos, eram amparados pelos filhos. Hoje, vão para asilos escolhidos pelos filhos.


Bem antigamente, a Ponte Júlio Muller ligou Cuiabá à Várzea-Grande. Por um lado Cuiabá, do outro Várzea-Grande. Hoje, continua assim, mesmo com mais pontes.


Na Cuiabá antiga, quando estávamos fora sentíamos dor no coração. Hoje, saudades quando muito.


Bem antigamente, o próximo domingo após o carnaval, era chamado de domingo do enterro dos ossos do carnaval que passou. Hoje, na semana do carnaval não há carnaval e não temos o que enterrar.


Na Cuiabá antiga, entrar pelo cano significava se dar mal em alguma situação. Hoje, Cano é sobrenome de um atacante argentino veterano, que joga no time do Fluminense.


Bem antigamente, dar um sorriso amarelo correspondia à demonstração de satisfação. A cor amarela significa luz, calor, desconcentração, otimismo e alegria. Hoje, é mais comum dar o sorriso amargo. Para se ver livre dele, só com cirurgia plástica. É também chamado de bigode chinês.


Na Cuiabá antiga, dar no pé era uma expressão muito empregada. Significava ir embora, fugir, escapar, debandar sem que ninguém percebesse. Hoje, saem de fininho quando querem ir embora. Os eruditos saem à francesa quando querem ir embora.


Bem antigamente, nos domingos à tarde ouvíamos os jogos do Campeonato Carioca pelo rádio. Depois, vendo pela TV. Hoje, escrevendo “Os Pitorescos”.


Gabriel Novis Neves

06-04-2022




sexta-feira, 15 de abril de 2022

DO ORELHÃO AO WHATSAP


Antigamente, para falar no orelhão que era o telefone público, éramos obrigados a enfrentar uma fila enorme. 


Depois, torcer para que a ligação tivesse sucesso, para falar com a pessoa desejada. 


Com o advento do celular, todo mundo tem esse aparelhinho de falar. 


Serve também para enviar wattsapp.


Alguns demoram tanto a responder as nossas mensagens, muitas vezes importantes, que sentimos saudades dos orelhões. 


Outros, que considero deselegantes, impedem que saibamos se leram nossas mensagens.


Bloqueiam o aparecimento da cor azul de quando recebem e leem.


A mensagem recebida pelo wattsapp tem que ser respondida assim que recebemos.


A demora da resposta poderá prejudicar quem enviou.


Tenho pouquíssimos conhecidos que por birra ou para serem diferentes, resistem ao uso do celular.


Escrevem cartas, postam nos correios.


Estes, na maioria das vezes ficam esperando o retorno das suas cartas ou cartões, sem nunca receberam, pois ninguém mais sabe escrever cartas, muito menos postar nos correios.


Sendo assim, fico a pensar por que tanta resistência às inovações tecnológicas?


Seria um problema ideológico de negar as conquistas da humanidade?


Minhas simples funcionárias têm e usam seu celular.


A cozinheira consulta o aplicativo Google para copiar receitas de dar água na boca.


A enfermeira, que também é motorista, é auxiliada nos seus deslocamentos pela cidade, por aplicativo do celular.


Acho até que devem existir clubes fechados dos “adoradores dos orelhões”, e que negam o celular, que nada mais é que um moderno e pequeno computador de bolso!


Enfim, tudo é válido e temos que respeitar as minorias, que não tem celular ou recusam a responder nossos whatsapps.


Gabriel Novis Neves

17-02-2022




AMOR AO PRÓXIMO


Era Secretário de Educação e Cultura do governo Pedrossian quando fiz a minha 1ª viagem oficial à cidade de Campo Grande.


Meus objetivos eram verificar o cronograma das obras do Centro Educacional, visitar as instalações da futura universidade estadual hoje Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, algumas escolas da rede escolar e encontro na Delegacia de Ensino para tomar ciência dos problemas educacionais da região.


Sabedora da minha presença na cidade, e sendo eu médico, a diretora do antigo “Hospital de Leprosos” me convidou, com tempo fora da agenda, para uma “rápida” visita ao nosocômio.


Pacientemente percorri em companhia da diretora, todas as dependências do hospital e ouvi atentamente as dificuldades enfrentadas por ela.


Ao me despedir ela gentilmente me ofereceu o “livro de ouro” do hospital, onde visitantes ilustres deixavam por escrito as suas impressões.


Não sendo da pasta da saúde eu tinha impedimentos legais de auxílio financeiro para obra tão meritória.


Com a caneta na mão escrevi, impulsionado pela emoção ao ver tamanha dedicação humana e amor ao próximo com parcos recursos matérias, mais ou menos o seguinte:


“Não sabia onde encontrar o amor ao próximo. Encontrei neste hospital diferenciado, onde muitos têm receios de ao menos pronunciar o seu nome. A dedicação como são tratados estes pacientes encheu de felicidade o meu coração”.


Assim terminou a primeira de muitas viagens que realizei para Campo Grande, quando cuidava da educação do Estado, muito antes dele ser dividido.


Hoje são recordações que fui buscar no fundo do baú das minhas vivências para reverenciar o dia da “Paixão de Cristo”.


Foi quando encontrei o “amor ao próximo”.


Amor da pregação de Jesus, filho de Deus, quando da sua passagem pela terra e que o levou à Cruz.


Gabriel Novis Neves

15-04-2022