Houve um tempo em que muitos homens possuíam apenas um bom paletó.
Ficava protegido no guarda-roupa e só saía em casamentos, missas, aniversários ou fotografias da família.
Vestir aquele paletó mudava até o comportamento da pessoa.
Os sapatos eram engraxados, o cabelo penteado com cuidado e a postura ficava mais séria.
Hoje as roupas se multiplicaram e a formalidade diminuiu.
Mas aquele velho paletó carregava um respeito silencioso pelos acontecimentos da vida.
Na minha infância, era fácil identificar quando um homem estava indo para alguma solenidade importante.
O paletó bem escovado, a gravata apertada no colarinho e o perfume forte anunciavam que aquele dia não era comum.
Muitos pais de família trabalhavam o ano inteiro usando roupas simples, às vezes já gastas pelo serviço pesado, mas guardavam com enorme cuidado o ‘paletó de sair. ’
Ele quase nunca era lavado, para não perder o corte nem o brilho do tecido.
Ficava pendurado no armário, protegido por capas improvisadas, como se fosse uma peça valiosa da casa.
Quando chegava a ocasião especial, havia uma pequena cerimônia doméstica.
A mãe ajudava a escovar a roupa, os filhos observavam em silêncio e o homem parecia se transformar diante do espelho.
O paletó dava ao seu dono uma aparência de importância, mesmo que a vida fosse simples e apertada.
Hoje quase ninguém conserva esse ritual.
As roupas ficaram mais informais, as cerimônias mais leves e os guarda-roupas mais cheios.
Mas confesso que ainda sinto certa emoção ao ver um velho paletó bem cuidado.
Ele me fez lembrar um tempo em que as pessoas talvez possuíssem menos coisas, porém davam mais valor aos momentos importantes da vida.
Gabriel Novis Neves
13-05-2026
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