segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

ÚLTIMO DIA DE DEZEMBRO


Para mim dezembro é muito mais que o mês do meu casamento, da minha colação de grau em Medicina, da Imaculada Conceição, dos Direitos Humanos, da criação da nossa Universidade Federal de Mato Grosso, das férias escolares, e do 13º salário.

 

É o mês do Natal e das festas do final do ano.

 

É o último mês do ano, e ano que vem entro na última ‘casa dos enta’, e depois espero conquistar a glória do centenário.

 

No dia 31 de dezembro estarei preparado para entrar o Ano Novo evocando as superstições que conheço para proteger a mim e aos meus familiares e amigos.

 

 Só de saber que a minha bisneta mais velha estará, daqui a dez anos, completando 17 anos, idade de prestar vestibular em uma faculdade de ensino superior, sinto que Deus, com certeza, não irá me privar desse acontecimento.

 

Rezo para que isso aconteça.

 

Se depender de mim, vou seguir os exemplos dos Novis Neves, cheios de longevos.

 

Quantos desafios enfrentei, e espero ainda enfrentar!

 

No setor de tecnologia inovações acontecerão, pois, o saber pelos novos conhecimentos é insaciável aos pesquisadores.

 

Quanto mais sabemos, menos sabemos, eis a questão.

 

Fazer uma viagem, mesmo por imagens pelo planeta Terra, reconhecemos que não sabemos nada de nada.

 

Civilizações antes de Cristo deixaram exemplos que até hoje são cultuados.

 

As cidades por onde Cristo pregou o amor ao próximo são relíquias da Humanidade.

 

Quantas religiões, costumes, culturas existem nesse mundão de Deus, vivendo e reproduzindo, falando mais de sete mil idiomas.

 

Países considerados civilizados, como alguns da Europa Oriental, continente Asiático e Africano, o estrangeiro com dinheiro poderá comprar sua esposa definitivamente, ou por semanas e anos.

 

O cuidado que essa gente tem pelo seu passado é refletido em ruinas de cidades milenares, paraíso de milhares de turistas por ano.

 

O mundo é lindo, e em muitas regiões a natureza é respeitada vivendo em harmonia com o homem.

 

Há fome, e muitos povos vivem longe da civilização.

 

Suas conquistas, especialmente nas áreas da saúde, educação e comunicação, ainda são precárias.

 

O final do ano, chamado de ano velho, serve para uma reflexão profunda sobre o nosso passado.

 

Acertos e desacertos, lembranças dos nossos entes queridos.

 

Que venha o Ano Novo, cheio de felicidades para todos nós!

 

É o meu desejo.

 

Gabriel Novis Neves

31-12-2024






domingo, 29 de dezembro de 2024

EXCELENTE


Foi o que me disse o oftalmologista na consulta feita na semana passada no Instituto de Olhos do Centro Oeste!

 

Hoje, no Instituto de Cardiologia de Cuiabá, o cardiologista, após vasculhar o meu coração com o ECO-DOPLLER COM FLUXO A CORES, repetiu a observação: excelente!

 

A prótese aórtica (TAVI) está normal, assim como o ventrículo esquerdo.

 

Meu ELETROCARDIOGRAMA está normal, e a AVALIAÇÃO do MARCAPASSO, constatou a longevidade da bateria em quatro anos.

 

Foi implantado em meu coração em 12-09-2014!

 

O exame clínico com os sinais vitais, excelente.

 

Fiz meus exames de análises clínicas, e estou pronto para as festas natalinas e de passagem do ano.

 

Peço a Deus que me conceda esse privilégio de continuar ‘excelente’ na próxima década.

 

Gostaria de assistir à festa de quinze anos de pelo menos duas das minhas bisnetas, e o casamento do meu neto Gabriel.

 

Não há felicidade maior que uma família numerosa e unida!

 

Tenho recebido todas as graças divinas que me fazem viver com alegria.

 

A felicidade é essa coisa estranha que você não vê, mas sente.

 

E dezembro é o mês que esse sentimento está mais aflorado em nossos corações.

 

Final do ano, que agora é velho.

 

A data de nascimento de Cristo e a entrada de um ano novo que desejamos, seja de felicidade, saúde e paz.

 

Existe toda a expectativa para o novo.

 

Eu desejo que seja igual ao ano que se finda.

 

Foi um ano excelente!

 

Todos com muita saúde, e de presente, ganhamos este ano, minha bisneta Maria Valentina.

 

Com a Maria Isabela e Maria Regina, formam as três Marias da família Novis Neves.

 

Muitas felicidades, saúde, paz e união também nos próximos anos.

 

Gabriel Novis Neves 

20-12-2024




sábado, 28 de dezembro de 2024

MEU PÉ DE JABUTICABA


Tenho um pé de jabuticaba plantado no jardim da cobertura do prédio onde moro.

 

É o segundo ano que seus frutos são colhidos, lavados e colocados na geladeira.

 

A funcionária da casa que cuida do jardim me traz, em um prato de sobremesa, para eu deliciá-las, no escritório.

 

Como são doces essas frutinhas!

 

No quintal da minha casa na rua do Campo, elas eram maiores, e a gente colhia no tronco da árvore e chupava à vontade!

 

Os quintalões de bem antigamente eles eram repletos de frutas deliciosas como a manga bourbon, simples, espada, rosa, coração de boi.

 

Cajueiros, goiabas vermelha e branca, pitomba, carambola, abacate, ata ou fruta de conde, mamão, melancia.

 

Que tempo delicioso era aquele em que as crianças matavam a sua fome indo ao quintal dos casarões cuiabanos construídos com tijolos de adobes!

 

Suas coberturas eram com telhas de barro do rio Cuiabá.

 

Morador de edifício há trinta anos, faço tudo para compatibilizar a natureza com o espigão de concreto armado.

 

Cultivo também plantas usadas como remédio para curar em forma de chás, e para dar tempero à comida.

 

As lindas flores, trepadeiras e folhagens verdes, compartilho com meus amigos após terem sido fotografadas pela cozinheira e cuidadora do jardim.

 

No meu apartamento não existe mais paredes para pendurar quadros dos nossos principais artistas plásticos e colocar vasos com plantas.

 

Não poderia morar em um espaço em que a natureza não estivesse presente.

 

Assim foi no Adauto Botelho, onde construí jardins internos e externos.

 

Transformei o cerrado da cidade universitária no Coxipó da Ponte em um colosso de prédios ajardinados.

 

É bom conviver com flores e pássaros.

 

Da janela da sala de visitas eu curto a gritaria dos passarinhos.

 

Uma boa companhia!

 

Gabriel Novis Neves

16-12-2024




HOMENAGENS


As homenagens que recebo, e são muitas, traduzem méritos até então desconhecidos por mim. 

 

Referem-se aos trabalhos realizados como funcionário público estadual e federal. 

 

A maior homenagem é a que eu recebo todos os dias, que é a vida que Deus me concede. 

 

Desperto pela manhã com vontade de trabalhar, sem incomodar ninguém. 

 

Executo as inúmeras tarefas de uma ‘dona de casa’ com eficiência, não esquecendo nenhum detalhe. 

 

Coisas que os meus contemporâneos, na sua maioria, terceirizam. 

 

Atendo e converso com meus inúmeros amigos pelas mídias sociais compartilhando ideias e ideais, pois não saio de casa por probleminhas nas articulações dos joelhos que ganhei pelo acúmulo de anos. 

 

Os exercícios cerebrais diários que inventei para fugir da ‘doença do alemão’, têm dado certo. 

 

Clicar, excluir e apagar centenas de vezes a caixa de entrada do meu e-mail, é um belo exercício, como ler o noticiário pela internet e escrever sobre o cotidiano. 

 

Curtir intensamente os meus cinco lindos bisnetos tem sido muito gratificante e me faz feliz. 

 

Meus seis netos egressos de universidades estão todos trabalhando!   

 

E a minha neta médica, caçula das meninas, concursada para preceptora de alunos de medicina no Hospital Universitário Júlio Muller da UFMT, faz com que o meu coração não sucumba às maldades. 

 

Isso me fez uma pessoa melhor, entendendo as fragilidades dos seres humanos.

 

Deixo bem claro nas minhas entrevistas e crônicas o meu jeito de viver, achando até engraçado tantas homenagens que tenho recebido, pensando no meu futuro. 

 

Fiz de conta que não sabia de nada de importante que acontecia comigo na minha longa vida vivida. 

 

Silêncio sim, agressão jamais. 

 

Rancor e mágoa nunca foram produtos para serem guardados no meu coração, e sim esquecidos. 

 

Continuarei assim até o final das minhas obrigações neste Planeta. 

 

Para bom entendedor, um risco quer dizer Francisco. 

 

Gabriel Novis Neves 

14-12-2024




quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

PALAVRAS MODERNAS


O brasileiro é rico em inventar, copiar modas e até ampliar o significado de algumas palavras na língua portuguesa.


Agora a bola da vez é ‘tóxica’.


Os modernosos em gramática empregam ‘tóxicas’ para tudo.


Amizade tóxica, relacionamento tóxico, pessoas tóxicas, mês tóxico, emprego tóxico, casamento tóxico, divórcio para se livrar de uma vida conjugal tóxica, almoço tóxico e por aí vão os admiradores do vocábulo antigo com sentido moderno.


Quantos óbitos eu verifiquei por ingestão de substâncias tóxicas, que era uma forma de suicídio de bem antigamente.


Nos ambulatórios do Pronto Socorro do Souza Aguiar no Rio de Janeiro, eu anotava no boletim de ocorrências: ‘Ingestão de substâncias tóxicas’. Elas poderiam levar à morte. 


Hoje você sai para jantar em um restaurante cinco estrelas, e quando o garçom vem trazer a conta é comum ouvir — a comida estava ‘tóxica’.


Isso quer dizer que a comida estava com muito sal ou com pouco tempero.


Na televisão o emprego de ‘tóxico’ pelos comunicadores e entrevistados é um horror.


Certo entrevistado repetiu a palavra ‘tóxica’ onze vezes em dez minutos.

 

Será que em outros países a palavra tóxica é empregada, como nós?


A palavra ‘tóxica’ tem origem no termo grego toxikón, relacionado a veneno.


No contexto literal, refere-se a algo nocivo ou prejudicial, como substâncias químicas que podem causar danos à saúde.


No entanto, seu uso figurado tem ganhado força em diversos idiomas, incluindo o português, para descrever situações, relações ou comportamentos prejudiciais.


No Brasil, a palavra ‘tóxica’ tornou-se popular para caracterizar situações negativas, relacionamentos abusivos ou pessoas que exercem influência nociva sobre outras.


Essa ampliação de significado não é exclusividade do português.


O inglês utiliza desde 2018 e o espanhol também.


Portanto, a palavra ‘tóxica’ tem sido utilizada em diversas culturas com sentidos similares ao adotado no Brasil, influenciadas pelas mudanças sociais e pela comunicação globalizada.


Que 2025 não seja um ano ‘tóxico’.


Gabriel Novis Neves

21-12-2024




quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS


Tenho mais de mil fotos no meu celular, para consultas imediatas.

 

E treze pastas entupidas de fotos no meu laptop.

 

Isso porque de quando em vez abro uma pasta nova no meu laptop e alojo-as lá.

 

Devido às facilidades, é impossível nos dias de hoje não ser fotografado nas reuniões de sábado com a família reunida.

 

Meus filhos, netos e bisnetos, adoram ser fotografados e fotografar.

 

Tenho inúmeras fotos deles, desde que nasceram.

 

As visitas que recebo, e são poucas, eu as fotografo.

 

O meu álbum de fotos está em constante renovação.

 

São fotos da minha família, e de flores e folhagens do meu jardim, verdadeiras relíquias.

 

Quando preciso de alguma foto, como a senha do Wi-Fi do meu apartamento, demoro muito a encontrá-la, com exceção das flores e da família que lotam o meu álbum do celular.

 

Da minha infância guardo algumas.

 

A primeira no colo da minha avó Eugênia com meses de nascimento.

 

Em 1935 era uma dificuldade conseguir uma foto em Cuiabá.

 

Outra no aniversário de três anos, na casa da rua de Baixo, onde nasci.

 

E brincando na Praça do Lido, no Rio de Janeiro em 1939.

 

Fantasiado ao lado da minha irmã Yara no carnaval cuiabano de 1940.

 

Uma foto nas escadarias do Colégio Estadual com meus colegas, em 1952.

 

Houve um apagão de fotos até março de 1953, quando viajei para estudar no Rio de Janeiro.

 

Tirei uma fotografia de última hora para a minha carteira de identidade.

 

Devido à urgência, meu pai recomendou que eu procurasse ‘o lambe-lambe’ na Praça da República, em frente à Catedral.

 

Essa foto me deu muita dor de cabeça quando cheguei ao Rio.

 

A minha primeira carteira de identidade era um livrinho de capa e contracapa.

 

Como a foto foi tirada na Praça, com sol do meio dia, era não retratava fielmente o fotografado.


Na primeira semana de abril minha mãe me avisou que o valor da mesada estava depositado na agência do Banco do Brasil, centro da cidade.

 

Tinha o dinheiro contado para pagar a passagem do bonde de Botafogo, onde era a minha pensão, até o ponto final, que era no Largo da Carioca, no centro.

 

No retorno teria o dinheiro que sacaria do Banco.

 

Chegando ao Banco o funcionário que me atendeu pediu a minha carteira de identidade.

 

Abriu a carteirinha leu tudo e se dirigiu ao fundo do salão onde se encontrava o gerente.

 

Este leu, releu, olhou para mim à distância e conversou com o funcionário que retornou para me atender.

 

Disse que havia um depósito a meu favor, mas não poderia me repassar, porque a foto e a descrição do meu biotipo, não batiam com a realidade. 

 

Diante do meu desespero ele me aconselhou a procurar um parente ou amigo, para comparecer ao Banco com sua carteira de identidade para receber a minha mesada em dinheiro.

 

Meu tio advogado compareceu e tudo foi normalizado.

 

A foto do lambe-lambe fez a Secretaria de Segurança de MT, identificar-me como sendo de ‘cútis parda e bigode ralo’...

 

Nos outros meses não houve problema e a minha situação de identidade foi regularizada com a carteira do Ministério da Guerra, como tenente médico da reserva do Exército Brasileiro.

 

Quando morei no Rio de Janeiro, guardei uma foto com a cabeça raspada e boina azul na mão, do trote de calouros em 1955, e outra de 1956 com o uniforme do CPOR ao lado da ambulância do exército.

 

Fotos da minha formatura de 1960, da equipe Cata Preta do Souza Aguiar em 1962, e casamento em 1963.

 

As fotos foram banalizadas pelo advento dos celulares, guardadas em caixas do laptop, substituindo os álbuns.

 

Gabriel Novis Neves

20-12-2024

































terça-feira, 24 de dezembro de 2024

FLORES


Neste Natal, flores são o presente para vocês, meus queridos amigos e leitores.

 

Com elas, envio meu carinho, minha gratidão e os melhores votos de saúde e alegria.

 

Recebo muitas flores virtuais das minhas leitoras, e algumas presenciais, sabedoras que tenho jardim com flores na cobertura do meu apartamento.

 

Acho que essa predileção é genética, por parte do meu bisavô paterno.

 

Sempre fiz questão de ter o verde florido perto de mim.

 

Plantei muitas árvores no cerrado da cidade universitária do Coxipó da Ponte.

 

Meio século é passado e em muitas partes da cidade universitária o sol não penetra.

 

Como dói quando vejo que uma árvore foi derrubada.

 

Sei contar detalhes desse cerrado e o trabalho dos ‘prefeitos’ Mário Vidal, Oscar Ribeiro, Antenor Tavares, na sua arborização.

 

A arborização do cerrado era prioridade da reitoria e nunca faltou dinheiro para esse projeto.

 

Cuiabá perdeu a sua intensa arborização e era outrora conhecida como ‘cidade verde’.

 

Acabaram com o verde dos nossos quintais, praças públicas, ruas e avenidas.

 

Como era linda a arborização da rua 15 de Novembro no Porto!

 

A rua 13 de junho até a Praça Ipiranga.

 

A fazenda do dr. Fábio, na época bem distante do centro, virou o populoso bairro do Dr.Fábio.

 

A antiga área rural da capital era muito arborizada, cheia de nascentes de córregos e estradas de chão batido, verdadeiras ‘picadas na mata alta’.

 

Foi parte transformada em modernos condomínios.

 

A valorização imobiliária do centro de Cuiabá, fez a população mudar para os apartamentos, vendendo as suas imensas casas.

 

Pobre em arborização a ex-cidade verde dos poetas cuiabanos, empurrou sua população a voltar a mudar para casas, em modernos condomínios, bem distante do centro.

 

Onde morava Maria Chica, lavadeira da minha casa, hoje é a região dos Florais.

 

Local de casas grã-finas em condomínios fechados e arborizados, que transmite tranquilidade.

 

Nasci e fui criado em casa com quintal, onde o sol raras vezes beijava o chão, com árvores frondosas e frutíferas, e portão para a outra rua.

 

Casado morei em três casas cuiabanas, e agora em apartamento no 20º andar, por motivo de segurança.

 

Minha filha construiu um casarão em condomínio, e quer me levar para lá.

 

Vou continuar aqui.

 

Cuidando do meu jardim florido.

 

Gabriel Novis Neves

25-12-2024




segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

PAPAI NOEL CHEGOU


Foi de arromba o almoço da família na chegada do Papai Noel em meu apartamento.

 

Filhos, netos, bisnetos, genro, noras e netos ‘postiços’, que reunidos pareciam um batalhão.

 

Houve troca de lembranças e fotos individuais com o biso.

 

Uma com todo o grupo lembrando a posição favorita para fotos com jogadores de futebol após conquistarem um título importante.

 

É muito difícil reunir os bisnetos, pois um mora em Portugal, mas este ano Papai Noel o trouxe, para alegria de todos.

 

A ceia de Natal será na nova casa da minha filha, com comemoração dupla pelo aniversário da minha neta Camilla.

 

Como é lindo uma casa cheia de filhos e criançada!

 

A minha bisneta mais nova tem menos de um ano de idade!

 

Deve vir mais gente por aí, espero.

 

Casa cheia de familiares e jardim florido com algazarra dos passarinhos, é tudo de bom que agradeço a Deus.

 

A conversa das crianças em tom elevado é uma das maravilhas que usufruo nestes momentos.

 

Como é bom viver e poder contemplar essas reuniões!

 

Faz bem à saúde e evita maus pensamentos, deixando o cérebro em ebulição.

 

Elas retornaram para as suas casas, causando um imenso vazio na minha, pois o Papai Noel foi distribuir presentes por outros cantos da cidade.

 

A ausência das crianças faz com que eu sinta um nó na garganta, me obrigando a trabalhar no escritório onde o tempo passa rápido, e logo estaremos juntos outra vez.

 

Os natais da minha infância eram bem diferentes.

 

Meu pai trabalhava à noite no bar e, nós ficávamos em casa com mamãe Irene.

 

Dormíamos cedo sonhando com o Papai Noel entrando pela chaminé da casa, e deixando os presentes que tínhamos pedido por cartas.

 

Na manhã de Natal íamos procurá-los nos nossos chinelos e debaixo da cama.

 

Que alegria desembrulhar os presentes!

 

Era como se nossos sonhos infantis tivessem ganhado vida em forma de embrulhos e laços brilhantes.

 

Na família que constitui com a Regina, só me ausentava das festas natalinas quando estava de plantão no hospital universitário da UFMT.

 

Feliz Natal a todos!

 

Gabriel Novis Neves

24-12-2024




domingo, 22 de dezembro de 2024

ARRANCADA DE FINAL DO ANO


Nessas últimas semanas, enfrentei uma turbulência de trabalhos acadêmicos, e visitas ao oftalmologista e cardiologista.

 

Na próxima semana muitos estarão de férias para celebrar as festas natalinas e ano novo.

 

Concedi em minha casa cinco entrevistas.

 

Uma para a defesa de tese de mestrado para o curso de História na UFMT.

 

Foi sobre o antigo Hospital Colônia de Alienados do Coxipó da Ponte, conhecido como ‘Chácara dos Loucos’.

 

Fui seu diretor no período de março de 1966 a maio de 1968.

 

Minha primeira missão foi mudar o seu nome, para Hospital Adauto Botelho.

 

Humanizá-lo o quanto do possível.

 

O hospital funcionava também como Manicômio Judiciário e atendia todo o Estado, ainda não dividido.

 

Era o local para aulas práticas de psiquiatria forense para os alunos da Faculdade Federal de Direito de Cuiabá.

 

Na verdade, era um imenso depósito de doentes mentais, cujas famílias na maioria, não queria recebê-los após a alta hospitalar.

 

Naquela época um Juiz de Direito mandava a Polícia Militar recolher os moradores de rua que eram encaminhados para o Hospital Psiquiátrico, única opção para cumprir a ordem judicial.

 

No outro dia eu ficava sabendo da internação de moradores de rua e os liberava, pois eles não eram doentes mentais.

 

Limpar esse problema social dessa maneira não era justo.

 

Sabedor que eu os libertavam, o juiz ameaçou-me de prisão!

 

Assim era o Adauto Botelho.

 

A professora de História me fez inúmeras perguntas sobre esse hospital, que até hoje merece atenção dos estudiosos.

 

A tese foi aprovada e ela aguarda vaga para o curso de pós-graduação na UFMT.

 

Dei uma longa entrevista e gravei um vídeo sobre os cursos cinquentões da nossa universidade: Administração, Agronomia e Engenharia de Floresta.

 

Gravei um curto depoimento com imagem e som para a inauguração da placa comemorativa da ‘Sala de Partos’, primeira sede da reitoria da FUFMT.

 

Fui entrevistado pelo professor de história Oscar Correa, para o ‘Programa Wilson Santos’ na TBO.

 

E fechando o ano com chave de ouro, minha sala de jantar foi transformada em um mini estúdio de televisão para gravar e divulgar uma live para a Casa de Cultura Silva Freire, administrada, e muito bem, pela sua filha professora doutora Larissa Freire Spinelli.

 

Técnicos, fios, luzes, três câmeras para filmar, fotógrafo, um aparelho de TV, microfones sem fio.

 

Os entrevistadores: Professora Mestre em filosofia Valderez do Amaral e o Professor Doutor em história Fernando Tadeu de Miranda Borges.

 

“Conversas ao pé do cajueiro’ demorou três horas.

 

O tema central era sobre a poesia, do também professor de Direito da UFMT, Silva Freire.

 

‘A universidade’ na visão do poeta em 1979, sua preocupação com o meio ambiente, ecossistema, a inevitável ocupação da nossa Amazônia, preservação da nossa história e cultura.

 

Terminamos a conversa relembrando fatos históricos da universidade da selva, no mês que a universidade completa 54 anos de criação.

 

Café com bolo e água gelada foram servidos após a live para todos os presentes se confraternizarem!

 

Tudo é Natal e Ano Novo!

 

Gabriel Novis Neves

18-12-2024




sábado, 21 de dezembro de 2024

DESCOBERTA MAGNÍFICA


Remexendo as gavetas entupidas do meu escritório à procura de uma foto antiga de março de 1953, encontrei uma preciosidade histórica, que foi a fala em fevereiro de 1982, quando renunciei ao cargo de 1º Reitor da UFMT.

 

Wladimir Dias Pino fez a arte gráfica do folhetim, que passo a transcrever.

 

‘Há menos de um mês, quando informei ao MEC, minha decisão de deixar, por vontade absolutamente livre e espontânea, a reitoria da UFMT, alguém sugeriu que, nesta ocasião, eu fizesse o que chamou de um discurso histórico.

 

Mas como fazer tal coisa, se em mais de uma década tive oportunidade de dizer à universidade milhares de palavras, todas referentes a diversos momentos de sua história?

 

Como revelar mais alguma coisa importante, depois de termos comemorado em 1981 dez anos de criação da universidade, com tantas referências ao histórico do seu desenvolvimento?

 

Prefiro, neste momento, a humildade relativa de um discurso pessoal.

 

Tive a sorte de, sob minha gestão como Secretário de Educação de Mato Grosso, ter participado da criação de duas universidades, uma no Norte e outra no Sul do Estado.

 

Meu papel no caso, foi livrar-nos de um atestado de loucura.

 

Criar duas universidades num Estado com meio habitante por quilômetro quadrado, distantes milhares de quilômetros da faixa costeira onde se instalou e prospera, há quase cinco séculos, o desenvolvimento nacional, parecia um gesto louco.

 

Mas eu já havia tido contato diário com a loucura num período imediatamente precedente, quando dirigi o Hospital Adauto Botelho, hoje uma instituição de vanguarda na Psiquiatria brasileira.

 

Observei, muitas vezes, que a loucura está para a sensatez, como a casca está para a polpa do abacaxi.

 

A verdadeira profissão de uma pessoa é viver junto com as outras, e nela se aperfeiçoar mesmo praticando vários e diferentes ofícios ao longo de uma vida de trabalho.

 

Descubro, neste momento, que como médico, Secretário de Educação e Reitor sempre pratiquei, nesta terra, o duro ofício de descascador de abacaxis sociais, ofertando fatias de desenvolvimento à uma sociedade em mudança contínua e acelerada depois de dois séculos e meio de isolamento e estagnação.

 

Pretendo prosseguir no ofício desta vocação tão curiosa, quanto útil a Mato Grosso.

 

O recurso mais raro e precioso encontrável neste Estado é gente, seja de nível superior ou ainda analfabetos, muito poucos diante da extensão da nossa terra.

 

Tudo que puder aqui ser feito para proteger e melhorar a vida dos mato-grossenses, tradicionais ou recém-chegados, deve no mínimo ser tentado.

 

O que parece, à primeira vista pura loucura, pode revelar-se nova ciência.

 

Penso, entre outras, na loucura que foi uma universidadezinha ainda no berçário do MEC, isolada no Brasil Central e no sul da Amazônia, conceber e construir o núcleo pioneiro de uma cidade-laboratório na floresta amazônica para apartar a briga milenar entre o ser humano e o meio-ambiente tropical.

 

Agora vai-se evidenciando, através da fantástica destilaria da História, que em Aripuanã, nasceu a filosofia da ciência que vai marcar o século XXI.

 

A cidade-laboratório de Humboldt foi criada com a louca sensatez que impulsiona o surgimento de toda e qualquer cidade pioneira em Mato Grosso.

 

Nosso santo padroeiro é o futuro.

 

A ele ofertamos todo dia o nosso trabalho e nossa fé em Deus.

 

Nossas plantações de arroz são, para quem sabe ver e amar o próximo, semeadas com esperança humana.

 

Não vejo, qualquer sentido de despedida nesta minha fala final como Reitor da UFMT.

 

A luta não terminou. Estamos todos juntos nela.

 

O que está acontecendo aqui e agora pode ser simbolizado dinamicamente pelo que ocorre na arte do futebol brasileiro.

 

Os jogadores trocam de posição quando o time vai ao ataque ou se fecha na defesa.

 

Durante todo esse tempo, armei nossas jogadas no meio do campo, tirei bolas de dentro do gol e fiz lançamentos precisos.

 

Agora o time precisa de gols e lá vou eu para a frente.

 

Vamos à luta então’.

 

Gabriel Novis Neves

12-02-1982







sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

VISITAS À FAMÍLIA


Esta semana fui convidado para a inauguração do novo apartamento da minha neta Isabelle, casada com Michael Maluf, e a casa da minha filha Monica, casada com Mauro Carvalho.

 

Estou devendo uma visita aos apartamentos das minhas netas Fernanda, casada com Flávio Ricarti, e da Nathalia, casada com o Lucas Maciel.

 

Camila, minha neta primogênita, casada com Hélio Arruda, inaugurou a sua casa no ano passado, e eu já os visitei.

 

Isabelle, irmã da Camila, convidou um padre salesiano para benzer o apartamento, celebrar a santa missa, seguida de almoço para todos os familiares.

 

Eu não estive presente por motivos de locomoção.

 

Prometo ainda este ano visitar as moradias dos meus amores.

 

Quem mais sente a minha ausência são as minhas bisnetas queridas.

 

Sempre digo às minhas netas que elas estão iniciando suas vidas conjugais por onde não consegui terminar.

 

Fico alegre com as conquistas materiais dos meus filhos e netos, demonstrando que eles foram muito bem-educados para viver esse momento de conquistas.

 

Todos trabalham por conta própria.

 

O único funcionário público da família sou eu.

 

Fiz uma longa carreira e não estou tão bem financeiramente como eles.

 

Nos cargos públicos que ocupei a minha riqueza foi a de transformar sonhos de gerações em realidade.

 

Essa é a herança maior que deixarei a eles.

 

Tive que me reinventar para enfrentar o desconhecido do meu futuro, com as mudanças tecnológicas, internet e inteligência artificial.

 

Fiz o curso de Medicina na Faculdade da Praia Vermelha da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, em 1960.

 

Meus conhecimentos, com raras exceções, ficaram obsoletos na década de oitenta, com o surgimento da tecnologia médica, especialmente em imagens e análise químicas.

 

Quando lecionei a disciplina ginecologia-obstetrícia, no Hospital Universitário Júlio Muller da UFMT, fui obrigado a fazer um novo curso de medicina e, ensinando aprendi para me atualizar.

 

A ciência evoluiu muito, assim como a sociedade e seus costumes, com novas métodos de interação e mais rápido com as pessoas.

 

As tradições permanecem em minha família.

 

Devo passar a noite do Natal e Ano Novo, na casa da minha filha com toda a já imensa família reunida.

 

Gabriel Novis Neves

15-12-2024