Acabei de acordar. Dormi com ar refrigerado ligado. Desliguei o aparelho, abri portas e janela para ventilar e fui à copa tomar o café da manhã. Após o desjejum, sentado na cadeira de balanço na sala, sempre envio minha crônica do dia aos amigos.
A funcionária da cozinha, chegando para trabalhar, foi me cumprimentar e perguntou se poderia ligar a refrigeração, pois o calor sempre está insuportável. Respondi que acabara de desligar o aparelho e abri portas e janelas do quarto para respirar um pouco de ar natural.
Então, o senhor terminando isso ai, vai para o escritório do computador, onde já liguei o ar refrigerado, me disse ela. Está insuportável o calor no apartamento, especialmente no cômodo onde trabalho. Calor e “abafamento” fazem subir a pressão arterial, e daqui a pouco vou medir e controlar a sua, falo para ela.
Perfeita a observação da minha funcionária! Todos sofremos com o clima da “Cuiabrasa” e agora é tarde para escolher um lugar onde morar, onde haja as quatro estações do ano bem definidas.
Nasci e cresci aqui e não me recordo de ter vivido esse calor sufocante nos últimos anos. Lembro-me muito bem dos tempos de criança e adolescência, quando todas as noites dormia coberto com um fino cobertor das lojas Pernambucanas.
A Cuiabá de antigamente não era a de hoje. Não existia um único edifício em Cuiabá, todos moravam em casas cobertas com telhas de barro, sem forro, com imensos quintais cheios de árvores de grande e médio porte e as principais avenidas e ruas eram bem arborizadas. O lençol freático bem superficial inundava com suas correntezas as ruas da cidade, jogando sua água no "finado" córrego da Prainha.
O homem destruiu a natureza em prol do “progresso” não planejado, e o resultado é esse - viver em uma cidade de clima desumano. Tem muita gente que deixa de comer para pagar a conta da luz, não um luxo, mas um medicamento de extrema necessidade. Converso com pessoas e ouço relatos que após um dia de trabalho não conseguem dormir à noite por causa do calor.
Destruímos a Cidade Verde dos poetas cuiabanos, e agora temos uma cidade de clima desértico, onde medidas (poucas) paliativas não resolverão o nosso problema de aquecimento solar.
Gabriel Novis Neves
11-10-2021
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