Relembra os tempos da escola — o cheiro do lápis, o esforço para desenhar as letras bonitas e a paciência das professoras com o “pau de giz”.
Deixei os quintais das brincadeiras infantis para ocupar um banco da escola pública, onde me alfabetizei.
Não conhecia o caderno de caligrafia, não sabia segurar no lápis, tampouco tinha coordenação motora.
Foi a professora Oló quem, com paciência e carinho, segurava a minha mão para desenhar as letras bonitas.
Ainda hoje sinto o cheiro do lápis recém-apontado e recordo o som do ‘pau de giz’ riscando o quadro negro da Escola Modelo Barão de Melgaço — em frente à Praça Ipiranga, ainda sem o coreto e o chafariz que vieram da Praça Alencastro.
Conclui o antigo curso primário, de quatro anos, sabendo ler e escrever com uma bela caligrafia — graças aos exercícios diários no caderno de caligrafia.
Tudo começou em 1942, quando fui alfabetizado, e culminou com a minha posse como Secretário Estadual de Educação, em 1968.
Muita água correu debaixo da ponte nesses 26 anos.
Fiz o antigo curso ginasial com exame de admissão no Colégio Salesiano.
Depois, dois anos do científico no Colégio Estadual de Mato Grosso e o último ano no Colégio Anglo-Americano, no Rio de Janeiro.
Seguiu-se um ano de preparatório para o vestibular de Medicina, no Curso Galloti, na Cinelândia.
Aprovado no vestibular da Praia Vermelha, vieram seis anos de faculdade, mais quatro de especialização.
Regressei à minha cidade natal no final de 1964.
Em 1968, ingressei na Educação como Secretário de Estado e saí, em 1982, como Reitor Fundador da UFMT.
Continuei como docente de Medicina, até a minha aposentadoria da UFMT.
Implantei o Curso de Medicina da UNIC, sendo o seu primeiro diretor.
Tudo isso, talvez, tenha começado lá atrás — quando aprendi a segurar o lápis e tracei minhas primeiras letras no velho caderno de caligrafia.
Gabriel Novis Neves
29-10-2025



