Poucas descobertas encantavam tanto um menino quanto encontrar um ninho escondido entre os galhos.
Aproximava-se devagar, quase prendendo a respiração para não assustar a pequena família de pássaros.
O momento despertava curiosidade e admiração pela natureza.
Sem perceber, aprendia que a vida floresce nos lugares mais simples e merece sempre cuidado e respeito.
A construção da casa do joão-de-barro era acompanhada com curiosidade e encantamento.
Quanta sabedoria escondida naquela pequena obra da natureza!
Basta observar essa joia do reino animal para nos encantarmos com a perfeição da engenharia dos pássaros.
Eles aprendem cedo os instintos da sobrevivência e, quando formam um casal, já sabem construir um abrigo seguro e protegido.
O que mais me encanta na casa do joão-de-barro são as suas divisórias internas, planejadas com admirável inteligência.
Ali os filhotes nascem, são alimentados pelos pais e permanecem protegidos dos predadores.
Quando chega o tempo certo, aprendem a voar e deixam o ninho, prontos para viver de forma independente.
Encontrar um ninho de passarinho escondido entre os galhos de uma árvore também era uma descoberta que me ensinava a respeitar a natureza e todas as formas de vida.
Era bem mais simples que a casa do joão-de- barro, mas possuía o essencial: um ninho cuidadosamente construído para abrigar os ovos e proteger os filhotes.
Ali a fêmea botava os ovos, chocava-os e, com a ajuda do macho preparava os pequenos para ganhar o céu, obedecendo às perfeitas leis da natureza.
Aprendi ainda menino, que a vida floresce nos lugares mais simples, subindo aos galhos mais altos das arvores do quintal de minha casa.
Também acordava com o concerto dos passarinhos, cada espécie com seu canto característico.
Sanhaços, pica-paus, periquitos, sabiás-laranjeiras, canários-da-terra, bem-te-vis, joões-de-barro transformavam a manhã em uma verdadeira sintonia.
Cantavam para marcar território, atrair a companheira e celebrar mais um dia de vida.
Ainda bem que moro em uma área de reflorestamento.
Todas as manhãs continuo despertando ao som dos pássaros, especialmente dos bem-te-vis.
Sempre que os ouço, tenho a impressão de que a natureza ainda encontra um jeito delicado de conversar conosco.
Gabriel Novis Neves
24-07-2026