Há emoção difícil de explicar quando os menores repetem nomes da família.
Chamam o avô, o bisavô, identificam parentes e começam a compreender, ainda de forma vaga, que pertencem a uma história maior do que eles.
Ao ouvir esses nomes na boca infantil, sentimos que a memória ganhou novo abrigo.
O que antes parecia apenas passado reaparece no presente com voz nova.
E assim a família segue, não apenas no sangue, mas também na lembrança.
Dos meus bisnetos, só a caçula de apenas dois anos me chama de biso, e não pelo meu nome próprio.
Fico alegre em saber que ela já me reconhece, assim como reconhece tias, tios, primas e primos.
Também a pedagogia infantil é bem diferente dos tempos antigos.
Outrora, comemorávamos nossos aniversários em casa, com tudo preparado pela mamãe.
Hoje, existem empresas especializadas para organizar o aniversário dos pequenos, com palhaços, brinquedos e tema da festa de acordo com a idade do homenageado.
Piquenique foi o convite do aniversário do meu último bisneto.
Eles ganham muitos presentes comprados nas lojas da cidade.
Quando eu era criança, tudo era mais simples, e os presentes, em sua maioria, eram artesanais.
Os antigos estavam acostumados com crianças de todas as idades e não achavam estranho ser chamados de pai, avô ou bisavô.
Confesso que senti algo especial com a chegada do primeiro neto.
Tirei fotografia, escrevi poesia, respondia com ar desconcertado quando me perguntavam sobre ele.
Imagine a minha felicidade quando aquela criaturinha descobriu que eu era seu avô!
Melhor ainda foi quando ela se entregou em meus braços, demonstrando segurança e carinho.
Com os bisnetos, a emoção voltou renovada.
Eles chegam depois de uma longa caminhada da vida, como flores tardias no jardim da família.
Não sabem ainda o que representam, mas trazem consigo a continuidade do nosso nome, dos nossos afetos e da nossa história.
Cada vez que uma criança pronuncia biso, alguma coisa dentro de mim se ilumina.
É a vida dizendo, com voz pequena, que ainda há futuro.
E assim a família cresce na lembrança, no sangue e no amor.
Gabriel Novis Neves
01-05-2026