Iniciamos novembro, mas o comércio já começa a vestir suas vitrines para dezembro.
Árvores iluminadas, enfeites coloridos e promessas de felicidade anunciam um Natal que parece chegar antes da hora.
Na minha infância, dezembro era esperado com uma ansiedade deliciosa.
Havia tempo para desejar, imaginar e sonhar.
Hoje, tenho a impressão de que a pressa comercial está roubando o encanto da espera.
Naqueles tempos, os dias pareciam mais longos.
Cada semana tinha sua importância, e o amanhã chegava trazendo alguma novidade.
Para nós, meninos da velha Cuiabá, dezembro significava festas, alegria e três meses de férias escolares.
Eram dias de brincadeiras nos quintais, visitas aos vizinhos e encontros com parentes que moravam longe.
Lembro-me da felicidade que sentia quando chegava minha tia de Corumbá, acompanhada das duas filhas.
Também vinham os primos do Rio de Janeiro, assustados com os animais que circulavam tranquilamente pelas ruas.
Tudo era simples, mas havia uma alegria que não precisava ser comprada.
O Natal chegava devagar, permitindo que a imaginação preparasse sua chegada.
Hoje, as festas parecem atropelar umas às outras.
Mal termina uma comemoração, já estamos preocupados com a seguinte.
Novembro nem começou e muita gente já encerrou o ano, programando viagens, fazendo compras e antecipando felicitações.
Aos 91 anos, acompanho essa correria com a tranquilidade de quem já viveu muitos dezembros.
Meus dias seguem seu ritmo, entre cuidados, consultas médicas, lembranças e o carinho da família.
Recebo votos de felicidade em abundância, muitos deles enviados antes mesmo de dezembro chegar.
Não reclamo da modernidade.
Apenas sinto saudade de quando sabíamos esperar.
Porque descobri, depois de tantos Natais, que a felicidade não estava somente na festa.
Estava também na alegria de esperar por ela.
Gabriel Novis Neves
30-10-2026






