Antes que as telas ocupassem o tempo livre, era comum interromper as atividades apenas para observar o céu ao entardecer.
As cores mudavam lentamente, os pássaros retornavam aos ninhos e a temperatura se tornava mais amena.
Sem perceber, as pessoas contemplavam um espetáculo diário oferecido pela natureza.
Era um momento de serenidade que encerrava o dia com beleza e esperança.
Os antigos olhavam o céu várias vezes ao dia e acompanhavam o movimento das nuvens, procurando nelas sinais, formas e significados.
O céu sempre foi fonte de inspiração para poetas, compositores e também para os políticos.
Havia quem dissesse que as nuvens se pareciam com eles: num instante apresentavam uma forma e, pouco depois, já eram completamente diferentes.
Esse era o espetáculo silencioso e permanente da natureza.
Hoje, quase ninguém encontra tempo para olhar o céu, especialmente ao entardecer.
Muitos se recolhem diante da televisão para assistir ao futebol; outros preferem as mesas dos bares, onde desfrutam da companhia dos amigos.
Enquanto isso, o sol se despede na linha do horizonte, oferecendo um dos mais belos espetáculos da criação.
Assim como o arco-íris, sua beleza só pertence àqueles que levantam os olhos.
A natureza continua oferecendo maravilhas que passam despercebidas por quem vive apressado entre ruas e avenidas, sempre atento ao trânsito e aos compromissos. Também desapareceram muitos costumes, como o de contar histórias sobre o céu.
Quem da minha geração não ouviu falar de São Jorge montado em seu cavalo, desenhado na lua?
Sentados à porta das casas, os adultos conversavam, as crianças ouviam encantadas e a imaginação voava mais alto que as nuvens.
Com o desaparecimento das cadeiras nas calçadas, as famílias se recolheram para dentro de casa, e aquelas histórias ficaram guardadas apenas na memória.
Não sou contra o progresso.
Ao contrário, reconheço tudo que ele nos trouxe.
Mas confesso que sinto saudades do tempo em que bastava erguer os olhos para o céu e deixar a imaginação caminhar junto com as nuvens.
Gabriel Novis Neves
19-07-2026