A horta era motivo de orgulho da família, mas bastava um descuido para as galinhas transformarem tudo em confusão.
O menino corria atrás delas sem machucá-las, protegendo alfaces, couves e temperos.
Entre risos e pequenas correrias, aprendia que cuidar exige firmeza, mas também delicadeza.
Um dos problemas do quintal da minha casa na rua do Campo, era a promiscuidade entre a horta e o galinheiro.
Mesmo cercada com tela, a horta era frequentemente invadida pelas galinhas, que pisavam em tudo o que encontravam, criando uma grande confusão.
Como era difícil correr atrás delas sem machucá-las!
Mas era motivo de orgulho para os cuiabanos possuir hortas produtivas, que ajudavam suprir as necessidades da cozinha, quase sempre com um galinheiro ao lado.
As famílias pouco precisavam ir às feiras, pois os quintais bem cuidados produziam raízes, verduras, temperos, ovos e frutas durante boa parte do ano.
No apartamento onde moro, tenho um pequeno jardim.
Além de produzir flores e atrair passarinhos, mantenho uma pequena horta doméstica e algumas frutas, como jabuticabas.
É um orgulho fotografá-lo e compartilhar suas belezas com os amigos.
Tomando conta da horta e do galinheiro, aprendi que cuidar exige firmeza, mas também delicadeza.
Nesta retrospectiva do meu tempo de menino, reencontro ensinamentos que estavam adormecidos na memória.
Educar exige atenção, paciência e delicadeza, até nas coisas mais simples da vida.
Que bela escola era a nossa casa, tendo como primeiros professores o exemplo dos nossos pais!
Havia as conversas na varanda, nas portas das casas e junto às janelas.
Os quintais eram verdadeiros centros de convivência e lazer da família.
Havia os sinos das igrejas e as batidas do relógio da Matriz.
O dia da Primeira Comunhão, quando o jejum era absoluto.
As procissões pelas ruas da cidade.
O rio Cuiabá e suas enchentes.
O córrego da Prainha, com sua bica de água fresca, ajudando a abastecer o centro da cidade.
Tudo ensinava alguma coisa.
Até as galinhas que invadiam a horta.
Foi observando essas coisas simples que o menino do interior aprendeu a viver.
Gabriel Novis Neves
14-08-2026