Ainda sentado na cama fiz uma série de perguntas a pessoas e a assuntos diferentes.
Tenho mais dúvidas do que certezas.
Queria saber do advogado que cuida das questões referentes à universidade quando irei receber parte do meu salário de dezembro, que ficou inscrita em restos a pagar.
Também gostaria de ter notícias dos 28,85% retirados dos salários dos antigos professores, cujo processo, há trinta anos, já percorreu todas as instâncias superiores da Justiça do nosso país, sendo aprovado em todas elas.
A gerente de um banco privado disse que pediria um novo cartão de crédito para mim.
Outra, também de banco privado, informou que o meu novo cartão veio com defeito e que providenciaria outro.
Sou isento de pagar imposto de renda nas instituições às quais que tenho vínculo, em razão de uma cirurgia cardíaca realizada anos atrás.
Neste ano, um Ministério enviou à Receita Federal, de forma equivocada, o Informe de Rendimentos, esquecendo-se que sou isento do pagamento do imposto, em razão da cirurgia que fiz no coração.
São tantas as dúvidas que me cercam, e tantas preocupações que me atormentam, que sozinho já não sei mais o que fazer.
Gostaria de viver estes últimos anos como viveu meu pai: com o sentimento sereno do dever cumprido.
Continuo lutando pelos meus direitos, pois não tenho corretor nem empresário.
Não possuo fortunas, mas procuro estar sempre atento àquilo que conquistei.
Lembro-me do avô da minha mulher, que tinha um corretor no banco, responsável por sua vida financeira.
Até consultas médicas ele pagava por via bancária, assim como a sua declaração de imposto de renda.
Levava uma vida calma, serena, sem nenhum tipo de preocupação.
Sempre o invejei por isso, ainda mais agora, beirando os noventa e um anos.
Hoje tenho mais dúvidas e preocupações do que quando era jovem e podia me deslocar para resolver os problemas pessoalmente, e não à distância, como agora.
Enfim, é isso.
No fim da vida, o que mais pesa não é a falta de resposta — é o cansaço de continuar perguntando.
Gabriel Novis Neves
03-04-2026