Cuiabá era outra cidade antes da chegada da UFMT.
A vida universitária ainda era pequena e muitos jovens precisavam sair do Estado para estudar.
A implantação da universidade trouxe movimento, novos bairros, ônibus lotados de estudantes e uma juventude cheia de sonhos.
Aos poucos, a cidade passou a conviver com professores vindos de várias regiões do Brasil. Surgiram debates, eventos culturais, bibliotecas e novas profissões.
A universidade não mudou apenas o ensino: modificou o jeito de pensar de toda uma geração mato-grossense.
Muitos cuiabanos ilustres temiam que os filhos da terra não fossem capazes de implantar um projeto tão complexo: uma universidade federal em uma cidade de aproximadamente oitenta mil habitantes, distante dos grandes centros de educação, cultura e artes.
Viviam cochichando pela cidade, defendendo a vinda de técnicos do Rio de Janeiro e de São Paulo para executar a missão.
Dos três maiores responsáveis pelo trabalho, apenas o reitor havia estudado fora de Cuiabá, onde cursou Medicina.
Os vice-reitores acadêmico e administrativo, haviam cursado Direito em nossa Faculdade de Direito.
Aos poucos a universidade atraiu professores e pesquisadores de vários estados do Brasil e até do exterior.
Muitos ex-alunos foram aproveitados como professores e servidores da instituição federal.
Na época da implantação, não possuíamos nenhum professor com pós-graduação.
Hoje, todos têm doutorado e muitos pós-doutorado.
Ninguém mais precisa sair de Cuiabá para se tornar mestre ou doutor.
No início das atividades universitárias, professores eram enviados aos melhores centros de pós-graduação do Brasil e do exterior.
A inversão do binômio ensino e pesquisa para pesquisa e ensino foi fundamental para a captação de recursos destinados para o projeto Humboldt, do Ministério do Planejamento.
Nossa universidade nasceu como fundação, e não como autarquia, o que favoreceu muito sua instalação no Coxipó da Ponte.
Foi protagonista do desenvolvimento de Cuiabá e de toda a região sul da Amazônia.
Participou também de momentos decisivos da história de Mato Grosso, inclusive do período que antecedeu a divisão territorial do Estado em 1977.
Em 1974 o presidente Ernesto Geisel esteve na universidade e assistiu à nossa palestra, numa sala de aula do primeiro bloco da área tecnológica.
Contar a história da UFMT, prestes a completar cinquenta e seis anos, só é possível em conta gotas.
São muitas histórias, personagens, sonhos e dificuldades vencidas para caberem numa única crônica.
A universidade cresceu junto com Cuiabá.
E Cuiabá nunca mais foi a mesma depois dela.
Gabriel Novis Neves
22-08-2026