Bastava uma folha de papel e um pouco de imaginação para nascer um pequeno barco.
Depois da chuva o menino corria até a enxurrada para acompanhar sua viagem pelas águas.
Cada curva parecia uma grande aventura.
A felicidade morava naquela embarcação frágil, construída pelas próprias mãos e conduzida pelos sonhos de uma infância livre e criativa.
Quantos barquinhos de papel construí na minha infância, sob orientação paciente da minha mãe!
Com que alegria depois da chuva o barquinho era lançado na enxurrada para seguir sua viagem entre as águas.
Às vezes, eu acompanhava seu trajeto até que ele se desmanchasse.
Seu prazo de validade era curto, mas suficiente para nos fazer sonhar.
Naquele tempo não precisávamos comprar brinquedos.
Nós os fabricávamos em casa e nos divertíamos.
Fazíamos aviãozinhos com folhas de caderno escolar.
Quando encontravam uma corrente de ar favorável, alcançavam grandes alturas para nossa alegria.
Até hoje faço esses aviãozinhos e os lanço do vigésimo andar do edifício onde moro.
Fico extasiado acompanhando sua trajetória, até desaparecerem na linha do horizonte.
Também desenvolvíamos trabalhos manuais com a ajuda de minha mãe e dos amigos.
Fazíamos bola de futebol com a meia longa de seda de minha mãe.
Construíamos pipas de papel celofane, com varetas de bambu e cola preparada na cozinha de casa.
Esconde-esconde, cabra-cega e me-dá-um canto, eram as brincadeiras preferidas da minha infância.
Quando fui estudar no Rio de Janeiro, passei a me divertir com as ondas calmas do mar, com o futebol na praia e com as noites dançantes no diretório acadêmico.
Os brinquedos mudam de acordo com a nossa idade.
Hoje brinco de escrever crônicas sobre o cotidiano.
Antes, divertia-me construindo centros educacionais e participando da implantação da Cidade Universitária, em Cuiabá.
Filosofando: a vida é uma eterna brincadeira. Enquanto conservamos a capacidade de brincar, também preservamos a alegria de viver.
Gabriel Novis Neves
27-07-2026