Quando um feriado se juntava ao sábado e ao domingo, parecia que Cuiabá diminuía de tamanho.
Algumas famílias viajavam, outras permaneciam em casa descansando.
O movimento das ruas mudava, e até os ruídos pareciam menores.
Para o menino, feriadão não precisava de viagem nem de programa especial.
Bastavam o quintal, os irmãos e algumas horas sem compromisso.
Naquele tempo, descansar também era uma forma agradável de aproveitar a vida.
Quando volto ao passado, percebo como precisávamos de tão pouco para sermos felizes.
Hoje, filhos e netos viajam, às vezes para longe, em busca de alguns dias de descanso.
Os tempos são outros, os recursos aumentaram e os costumes também mudaram.
Escrevo sabendo que minha filha, netas e bisnetos, viajarão na quinta-feira, aproveitando os dias seguintes até o feriado.
Só de imaginar malas, crianças, aeroportos e toda a preparação, já fico cansado.
Na minha infância ficar em casa com a família reunida, conversando sem olhar o relógio, era suficiente.
Quando se viajava, não era preciso ir muito longe.
Águas Quentes e Chapada dos Guimarães pareciam grandes destinos.
Passar o dia no Porto, na casa de parentes ou amigos, já quebrava a rotina.
A Cuiabá daquele menino também mudou. Muito do verde cedeu lugar ao cimento, e a algazarra dos pássaros perdeu espaço para o barulho dos automóveis.
As cadeiras de balanço desapareceram das calçadas, escondidas atrás dos muros altos.
Talvez o tempo não tenha ficado pior.
Apenas ficou mais apressado.
E ainda sinto saudade dos feriadões em que não fazer nada era fazer tudo.
Gabriel Novis Neves
05-10-2026

