Um bisneto correndo pela casa é mais do que uma criança em movimento.
É a continuação visível de uma história antiga, iniciada muito antes de seu nascimento.
Ele ainda não sabe, mas carrega no rosto, nos gestos ou no simples fato de existir, a vitória silenciosa de uma família que atravessou décadas.
Enquanto brinca, sem consciência disso, oferece aos mais velhos uma espécie de consolo: a certeza de que o amor doméstico não termina conosco.
Pertencem à sétima geração dos Novis de Cuiabá.
Uma das cenas mais lindas da minha vida é receber meus bisnetos nos almoços de sábado!
Tenho cinco bisnetos: quatro moram em Cuiabá e um em Portugal
Em Cuiabá vivem três meninas e um menino.
A mais velha tem nove anos, a caçula apenas dois.
Cada um tem seu jeito de me cumprimentar, sempre com muito carinho, demonstrando todo o amor que sente pelo biso.
A menorzinha, sempre risonha, me abraça e me beija na boca, repetindo o gesto várias vezes, como se quisesse guardar aquele momento.
A mais velha me abraça com ternura e responde às perguntas que lhe faço, com certa maturidade de menina crescida.
Sua prima de oito anos se aproxima de onde estou para receber meus beijos na bochecha.
O menino de cinco anos, alegre e brincalhão, também tem seu modo único de demonstrar carinho ao seu biso.
O bisneto que mora em Portugal fala comigo por vídeochamada e gostaria muito de morar aqui para brincar com seus primos.
Sentado na cadeira de balanço, observo a correria e a alegria dos bisnetos pelo salão do apartamento.
Nesses momentos, lembro-me de meus pais, de meus avós e de como começou a nossa história.
De um lado, Salvador, na Bahia.
Do outro, Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.
Meus pais me contaram essa linda história de amor, iniciada há quase dois séculos, e que, certamente, continuará por muitos outros.
Esta é a parte riquíssima que ainda sei contar. Depois de mim, outros continuarão a viver e a narrar essa história.
Porque uma família não termina.
Apenas muda de mãos.
Gabriel Novis Neves
28-04-2026