Houve um tempo em que comprar tecidos era um verdadeiro acontecimento familiar.
As lojas exibiam prateleiras repletas de algodão, linho, chita, cambraia e tantos outros tecidos que despertavam a imaginação.
As mães escolhiam cuidadosamente as estampas, enquanto as crianças já tentavam adivinhar como seriam as roupas depois de prontas.
Mais do que uma simples compra, aquele momento representava cuidado, economia e expectativa.
Cada metro de tecido carregava a promessa de um vestido novo, de uma camisa para uma ocasião especial ou de uma roupa feita sob medida para durar muitos anos.
Na minha infância, comprar tecidos fazia parte da rotina da família.
Minha mãe conhecia as melhores lojas de Cuiabá e sabia distinguir, apenas pelo toque, a qualidade de cada fazenda.
Depois da compra, os cortes eram levados à costureira, que transformava aqueles panos em roupas elegantes.
Havia uma alegria silenciosa em acompanhar cada etapa, desde a escolha do tecido até a primeira prova.
As roupas não eram descartáveis.
Eram usadas com carinho, passavam por pequenos consertos e, muitas vezes, ganhavam nova utilidade quando já não serviam aos filhos mais velhos.
Aprendíamos, desde cedo, a valorizar aquilo que possuíamos.
Hoje, as vitrines oferecem roupas prontas em abundância, mas desapareceram a espera, a participação da família e o encanto de ver nascer uma peça feita especialmente para nós.
Talvez por isso, um simples pedaço de tecido ainda seja capaz de costurar lembranças que o tempo jamais conseguiu desmanchar.
Gabriel Novis Neves
10-07-2026