Existem feriados que todos comemoram, mas poucos sabem explicar.
Descansamos, viajamos, adiamos compromissos, mas quase nunca lembramos a origem da data.
O calendário vai acumulando nomes, santos, heróis, lutas e acontecimentos.
Com o tempo, o significado se apaga, mas o descanso permanece.
Talvez por isso seja bom, de vez em quando, perguntar o que aquele dia realmente representa.
Aos noventa anos, confesso que ainda tenho muito a perguntar sobre certos feriados.
O mês de junho, por exemplo, quase inteiro pertence aos santos festeiros: Santo Antônio, São João e São Pedro.
No primeiro domingo de julho acontece a tradicional festa de São Benedito, que muitos confundem como o padroeiro de Cuiabá.
Na baixada cuiabana, essas festas atravessam junho, julho e às vezes chegam até agosto.
Como era gostoso receber convites para comemorações em bairros distantes ou chácaras iluminadas por fogueiras!
Havia música ao vivo, dança, fogos de artifício, comida da roça e gente animada até a madrugada.
Homens e mulheres vestidos para a festa acompanhavam a procissão do santo no andor, muitas vezes seguidas do banho no rio.
Hoje, essa tradição sobrevive em algumas famílias e comunidades mais antigas.
A igreja continua celebrando seus santos com missas de madrugada, procissões e quermesses.
Meus pais festejavam São Pedro, no dia vinte e nove de junho.
Meu pai levava a imagem do santo até a igreja para a missa.
Depois, em nossa casa da rua do Campo, servia-se chá com bolo e queima de fogos de artifício.
Havia almoço para a família, amigos íntimos e, mais tarde, fogueira acessa no quintal.
Meu pai amava fogos de artifício.
Trazia caixas de tric-trac, foguetes, pistolões, busca-pés, balões e até fósforos de palitos coloridos, que encantavam as crianças.
O mate queimado acompanhado dos bolinhos feitos no forno da cozinha completava a festa.
Tudo terminava vencido pelo cansaço feliz dos convidados.
As festas juninas foram se descaracterizando com o tempo.
Hoje sobrevivem, principalmente, nos pátios das escolas e na lembrança das famílias tradicionais.
Mas basta o cheiro da fogueira ou o estampido de um foguete distante para que junho inteiro volte a viver dentro de nós.
Gabriel Novis Neves
12-05-2026