segunda-feira, 3 de outubro de 2022

ALMOÇO EM VÉSPERA DE ELEIÇÕES


Faltou meu filho Fernando, em viagem com a família, as minhas bisnetas Marias, o meu bisneto João Gabriel, meu genro Mauro e Hélio, casado com a minha neta Camilla.


Em compensação a Mônica convidou um casal de amigos, completando a longa mesa de pedra da sala de almoço.


Apesar de tanta gente adulta, a casa estava calma com a ausência sentida das crianças, que trazem muita alegria, com as suas brincadeiras, falando e chorando, tudo ao mesmo tempo.


Na mesa de adultos só se falava sobre as eleições.


Nas majoritárias para a Presidência da República, mesmo os mais afoitos pela política, deram os seus palpites, sendo pouco comentada, já que ninguém acreditava nos tais institutos de pesquisas.


Havia unanimidade com relação ao Senado Federal e Governo Estadual no 1º turno das eleições aqui em Mato Grosso.


O que mais ouvi foi a pergunta se fulano ou fulana ganhariam as eleições proporcionais de deputados federais ou estaduais em nosso Estado.


Ninguém se arriscou em palpites em outros Estados Federativos, baseado nas mais variadas pesquisas.


Saudosos tempos em que o nome de IBOPE, instituto de pesquisas com muita credibilidade, virou nome popular, significando aprovação.


O almoço terminou após às 14 horas, cada qual indo para sua casa “na mais tranquila ordem e paz”.


Fui ao quarto para a tradicional soneca que herdei dos meus pais.


Ao despertar tomei uma xícara de chá de camomila e estou terminando esta crônica para o meu estoque.


Estou satisfeito em me manter invicto, sem assistir a nenhum dos inúmeros debates das televisões em redes e locais.


Fico, inclusive, sabendo que houve debates, quando alguém pelo WhatsApp me pergunta o que tinha achado.


Debate em televisão é igual pinga, depois da primeira rodada do debate de um candidato ofendendo a honra do outro sempre retrucando, ambos têm direito de respostas.


No último debate presidencial em uma importante cadeia de televisão, recebi um telefonema de um colega do Rio que assistiu até ao final a troca de ofensas entre os candidatos, revoltado em ir dormir tão tarde.


Foi quando fiquei sabendo que existia um padre candidato à Presidência do Brasil.


Depois me explicaram que ele é padre da Igreja Católica Ortodoxa, do Oriente, e não faz parte da Igreja Católica Romana, como ele bem explicou, e que não reconhece a autoridade do Papa, e sim, do patriarca de Constantinopla, e era de direita, colaborando com os ataques ao candidato líder das pesquisas.


Graças a Deus parece que terminou o período eleitoral em nosso Estado, pelo menos.


Não participei da campanha eleitoral, e o mais importante: não fiz nenhum inimigo, ou encerrei uma amizade duradoura.


Gabriel Novis Neves

01-09-2022




domingo, 2 de outubro de 2022

INÍCIO DA SEMANA


A segunda-feira não é um dia simpático para a maioria da nossa população.


Acho que lembra o início de uma jornada de trabalho, não aceito por aqueles que festejam o “sextou”!


Quando a primeira obrigação é ir ao dentista, mesmo que seja apenas para prevenção da minha saúde bucal, logo me vem à memória o ruído da máquina do dentista.


Na rua de Baixo (Galdino Pimentel) a casa onde nasci era colada à do dentista Lúcio de Almeida, um prático que atendia a sua clientela.


Minha mãe sempre me mandava lá, por ser mais barato, e até hoje tenho todos os meus dentes.


Minha mãe dizia que eu devo isso ao uso continuado do Calcigenol Irradiado, receitado por ela na mudança da primeira para a segunda dentição, e escovar os dentes com folhas das goiabeiras.


Meu dentista tinha filhas e um filho famoso chamado Ivo de Almeida, o melhor locutor esportivo da história de Cuiabá de todos os tempos.


Foi homenageado quando da inauguração do Estádio José Frageli, o Verdão, quando ganhou uma estátua de corpo inteiro bem na sua entrada.


Com as obras que transformaram o Verdão em Arena Pantanal, não sei do paradeiro da estátua.


Cuiabá é assim, especialmente com as fotos dos ocupantes de cargos públicos importantes.


Terminado seus períodos de mandato as fotos são arrancadas das paredes e jogadas no almoxarifado, quando não no lixo ou queimadas.


Exemplo recente ocorreu na UFMT, onde no Conselho Diretor existia uma foto do Presidente da República que criou a nossa universidade.


Essa foto não existe mais nem na sala do Conselho Diretor ou Universidade.


Estamos apagando a nossa histórica recente, e o nosso departamento de História e o Núcleo de Documentação Histórica de MT (seu nome original com seus pesquisadores), o IHGMT (Histórico Geográfico de Mato Grosso) e a Academia Mato Grossense de Letras, bem que poderiam fazer anotações sobre esses fatos relatados.


Até os primeiros prédios da nossa universidade foram “envelopados”, tornando irreconhecível o início do campus!


A Biblioteca Central, o Teatro Universitário, Ginásio de Esportes e blocos do Centro de Tecnologia, Agronomia e Saúde, são difíceis de serem escondidos.


Depois, grupos de idosos, reclamam do desmanche da nossa história.


Voltei do dentista com uma receita para comprar uma escova elétrica, uma novidade para mim, sem nenhuma cárie dentária e o meu retorno marcado para antes do final do ano para retirar tártaros.


Gabriel Novis Neves

26-09-2022




sábado, 1 de outubro de 2022

OS PITORESCOS 45


Bem antigamente, ricos e pobres casavam nas suas cidades. Hoje, isso é privilégio de pobres que casam em casa, sem necessidade do cartório ou Igreja. Recepção só se for rachadinha. Não vale cortar a gravata do noivo para angariar fundos para a lua de mel.


Na Cuiabá antiga, assisti a muitos casamentos de pompa, que eram aqueles que a noiva chegava na Igreja de carro com o seu pai, vestida de branco, véu, grinalda e um buquê de rosas brancas. Essa vestimenta era guardada e utilizada no casamento das suas filhas. O buquê de rosas era jogado pra suas amigas. Hoje, o casamento é quase secreto e, incluindo o cerimonial, bufê e show dos cantores sertanejos de Goiás, só é possível para o pessoal do agronegócio cujas despesas são lançadas em nome das suas empresas, para abater no Imposto de Renda.


Bem antigamente, era comum o cidadão depois de tomar uma boa dose de pinga, subir correndo o arco da Ponte Júlio Muller e saltar gritando a plenos pulmões – “Bandeirantes no Ar”. “Bandeirantes no Ar”, foi o primeiro noticiário radiofônico organizado por Augusto Mário Vieira em 1952, sendo transmitido pela rádio a voz D´Oeste, cujo prefixo era PRH3 e ZYZ5. Hoje, quem fizer isso é louco e internado no Hospital Adauto Botelho.


Na Cuiabá antiga, passar caminhando pelas pistas de pedestres da ponte, era um bom programa para os domingos à tarde e feriados. Ninguém pensava em subir correndo esse arco e, se jogar no Rio Cuiabá, cheio de peixes. Hoje, atravessar a Ponte, só de veículos por causa da violência.


Bem antigamente, diz a lenda que existia na Santa Casa da Misericórdia de Cuiabá, um “enfermeiro” que era prático chamado de Antônio Amaro, de extrema confiança do seu Presidente perpétuo Dr. Zelito. Era o responsável pelo “chá da meia-noite”, uma beberagem que, diziam, era oferecida aos doentes mais graves, à meia-noite, para que “passassem desta para outra melhor”. Hoje, os doentes graves não são mais internados por falta de vagas, não havendo mais necessidade do “chá do Antônio Amaro” e, esses pacientes passam para uma vida melhor em casa mesmo.


Na Cuiabá antiga, existia a nossa Santa Casa da Misericórdia, e nunca um paciente grave voltava para casa por falta de vagas. As irmãzinhas administradoras sempre encontravam um leito. Hoje, a Santa Casa da Misericórdia de Cuiabá, após uma série de escândalos com o afastamento das irmãzinhas, foi transformada em Hospital Regional de Cuiabá pelo Governador Mauro Mendes e, é administrado pela secretaria estadual de saúde, mantendo em dia o pagamento dos seus funcionários e, fornecedores.


Bem antigamente, Cuiabá tinha fama de ser uma cidade hospitaleira, recebendo os visitantes sempre com muito carinho e atenção. Quando aparecia alguém estranho, logo era interpela-lo com uma conversa mais ou menos assim:


- Tudo bem? Você não é daqui, de onde é?


-Veio a passeio ou a trabalho?


- Vai fazer o que, agora?


- Tem uma “brincadeira” na casa de um amigo, você não quer ir lá comigo, tomar uma cerveja? Pronto! Ali começava uma amizade às vezes duradoura. Minha mãe, era especialista nessas abordagens com as senhoras chegantes, criando muitas amizades duradouras com as pessoas que vinham de fora para trabalhar aqui. Hoje, quando encontramos com desconhecidos, já sabemos que vieram do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para trabalhar no agronegócio, ficarem ricos e morarem em mansões no litoral da Santa Catarina. Quando não inventam em ser políticos.


Na Cuiabá antiga, sua população praticamente era de nativos, educados com essa hospitalidade aos que vinham de fora. A Cuiabá cosmopolita vive enjaulada nos edifícios, pouco conhecendo seus vizinhos. Hoje, como as pessoas não se encontram e há um precipício separando as classes sociais, até o hábito de colocar apelidos nas pessoas está desaparecendo, sendo cultuado pelos maiores de setenta anos. Sinto saudades de “Pedra Canga” que é uma variedade de pedra com superfície muito irregular, que pode se comparar a um rosto cheio de acne, apelido que ganhava aqueles que apresentavam o rosto com essas cicatrizes. Uma história muito contada por estas bandas, foi de um turista que ficou hospedado no extinto Grande Hotel de Cuiabá, com receio de ganhar um apelido dos antigos cuiabanos. Não saiu do quarto e de vez em quando saía à janela do seu quarto para contemplar a Praça Alencastro, a Matriz e o movimento do nosso Centro Histórico. Após repetir por vezes essa cena, ouviu alguém chamando por ele – “Olá Cuco, desce aqui para conversarmos”. Cuco, era aquele passarinho do relógio, que a cada hora colocava a cabeça para fora de sua janelinha e anunciava as horas: cuco-cuco-cuco. Essa era a minha Cuiabá!


Gabriel Novis Neves

04-09-2022




PANE NA INTERNET


Acordei e fui tomar café na copa com a  enfermeira e cozinheira.


As duas possuem celulares e me avisaram que depois do temporal que caiu em Cuiabá ontem à noite, com raios, trovões, relâmpagos e ventos fortes, inclusive atrasando o jogo na Arena Pantanal por meia hora, fiquei sem o sinal da internet e os celulares estavam funcionando com o 4G.


Liguei para a minha operadora de telefonia e Internet e depois daquelas informações do robô fui transferido a uma funcionária à distância.


Tive sorte, por que a moça além de bem-educada e gentil, era eficiente.


Recebi uma série de comandos, como desligar o moldem durante 10 minutos e voltar a ligar, e que, com a sua ajuda técnica à distância tudo deveria estar funcionando.


A atendente estava em Fortaleza toda satisfeita, pois o seu time havia vencido na noite anterior de virada, com o gol da vitória nos acréscimos o poderoso time do Flamengo.


Esticou a conversa me oferendo inclusive, a troca de 200 para 300 megas na minha internet por preço menor ao atual, dizendo estar hoje na promoção esse produto.


Tudo ficará mais rápido no envio das minhas mensagens pelo meu iPhone, ainda por preço menor.


Forneceu-me espontaneamente, os números dos celulares dos técnicos, evitando que eu passe pelo robô, o que é uma maravilha.


Interessante que o prefixo dos celulares é 11, de São Paulo.


Fiquei sabendo que o início das atividades da operadora, se inicia às 4 horas da manhã até às 24 horas, horário de Brasília.


Aproveitou a conversa e como competente vendedora, me ofereceu uma série de serviços que o celular disponibiliza bastando baixar um aplicativo que nunca tinha ouvido falar, à preços baixíssimos e eu não consigo realizar operações nem no meu aplicativo da Calculadora.


No final da longa conversa, me pediu que iria receber as alterações que fizemos e indicações pelo email, como todos os esclarecimentos da operadora.


Também uma avaliação do seu atendimento de 0 a 5, e outra da operadora.


Declarei meu voto na nota cinco a máxima, com louvor.


Ao se despedir de mim contou da sua filhinha de 3 anos que ontem levou ao pediatra, diagnosticada e medicada como uma pequena infecção de garganta.


Disse que essa criança foi o maior presente que recebeu de Deus.


Confortei-a dizendo que criança saudável é assim mesmo e dá muito trabalho.


Ao se despedir, perguntou a minha idade e quando lhe disse, ela me respondeu que não aparentava, reduzindo-a em 30 anos.


Fiquei curioso para saber qual método que utilizou para chegar a esse número, e ela respondeu: pelo conteúdo da conversa que tivemos por longo tempo e a voz.


Quem sabe, na maioria das vezes resolvem os nossos problemas com gentilezas que geram gentilezas.


Gabriel Novis Neves

29-09-2022




sexta-feira, 30 de setembro de 2022

CALENDÁRIO APERTADO


Com as eleições gerais marcadas para o próximo dia 2, e o segundo turno para o dia 16 de outubro, ficou apertado o término das várias competições nacionais e internacionais dos clubes brasileiros, com as eleições, a Copa do Mundo no Catar e festas do final do ano.


O final do “Campeonato Mundial de Clubes”, que seria em novembro, já foi adiado para fevereiro ou março de 2023.


A final da “Copa Sul-Americana” entre o São Paulo e o Independiente Del Valle, será disputada em Córdoba (Argentina) neste próximo sábado, dia 1º de outubro, às 17 horas.


O jogo final da “Copa do Brasil”, será no próximo dia 12 e 19 de outubro, e os adversários ainda não foram definidos.


A final da “Taça Libertadores da América”, será em Guayaquil, no Equador, dia 29 de outubro às 17horas, entre o Flamengo e Atlético Paranaense.


O “Campeonato Brasileiro” com seus jogos espremidos, terminará dia 13 de novembro.


A “Copa do Mundo” no Catar terá o seu início dia já no próximo dia 20 de novembro e o seu final em 18 de dezembro, uma semana antes do Natal para os católicos.


Como demonstrei, teremos o próximo trimestre deste ano cheio de emoções na política e nos esportes, podendo surgir novidades com a dança dos políticos e técnicos de futebol.


No Brasil os jogadores disputam os jogos e se perderem o técnico é demitido.


Na política não se faz nada nestes próximos dias, só aguardando o resultado das eleições.


Conversei com a minha gerente de Gestão de Patrimônio Íon Itaú.


Ela me disse que no início de outubro a sua carteira de investimentos, ficará na expectativa do comportamento do dólar, que é a nossa moeda universal, para saber quem será o próximo Ministro da Fazenda e Presidente do Banco Central.


Enquanto isso ficamos na esperança para conquistarmos o hexa campeonato mundial de futebol!


Gabriel Novis Neves

28-09-2022




quinta-feira, 29 de setembro de 2022

DIA NUBLADO DE FUMAÇA


Pela manhã o sol não apareceu, encoberto por uma camada de fumaça das queimadas que acontecem em nosso Estado e são tão comuns nesta época do ano.


Uma leve brisa, e o Instituto de Meteorologia nos anunciava pela televisão pancadas de chuvas à tarde.


Fui tirar uma sonequinha pós-prandial e ao voltar para o meu escritório o sol continuava escondido, e o calor a exigir o ar refrigerado ligado.


Não acredito em chuvas, a não ser de madrugada para limpar essa fumaceira toda e amenizar um pouquinho esse calor, que em Cuiabá é de lascar.


Estamos chegando na primavera e o inverno nem parece que existiu.


Falam muito das queimadas da Floresta Amazônica e do Pantanal e se esquecem do Cerrado, que desde criança ouço a dizer “que está no tempo das queimadas”, época para preparar o solo para as plantações.


Com tantas novas tecnologias à disposição do homem do campo, é muito difícil alterar os hábitos das pessoas.


Um arquiteto, amigo meu desde 1971, me chama pelo celular.


Queria dar as suas notícias e saber das minhas.


É especialista em projetos de hospitais e campus universitários.


Com o reitor Zeferino Vaz construiu o de Campinas (SP) e foi autor de vários projetos na nossa universidade. 


Fez o projeto do antigo Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas, Ginásio de Esportes, Biblioteca Central, Teatro e Restaurante Universitário.


Autor do anteprojeto do Hospital Central, que foi inviabilizado por falta de recursos federais.


Doado para o Governo do Estado, teve o seu início em 1984, quando eu era secretário estadual de saúde em terreno do Centro Político Administrativo (CPA).


Terminado o mandato do governador Júlio José de Campos, teve as suas obras paralisadas por muito tempo.


Toda a sua estrutura foi profundamente alterada por vários governos e as obras reiniciadas e para conclusão no governo de Mauro Mendes.


João Carlos Bross, o arquiteto paulista, me descobriu em Cuiabá por um acaso.


Veio participar de uma licitação pública pela manhã, onde hoje é a Trescinco, e para chegar lá para quem vinha do centro da cidade, era obrigado a fazer uma rotatória em frente à universidade.


Ao voltar ao Hotel Santa Rosinha, onde estava hospedado, depois do almoço foi ao seu quarto.


O voo para São Paulo só no outro dia, e como nunca praticou o ócio criativo, lembrou-se que na rotatória do Coxipó havia uma enorme placa com os dizeres: “ Futuras Instalações da Universidade Federal de Mato Grosso”.


Em baixo: “Obra do Governo Pedro Pedrossian”.


Pediu um taxi e solicitou ao motorista que o levasse à Universidade.


Logo estava em meu “Gabinete”.


Hoje, quem vai ou vem do Coxipó, não vê mais o nosso campus universitário, escondido pelo elevado de concreto que seria trajeto para o VLT, cujos vagões comprados e pagos, estão apodrecendo em um galpão em Várzea Grande há 8 anos.


O sol não apareceu nesta tarde esfumaçada de forte calor sem chuvas.


É a primavera chegando.


Gabriel Novis Neves

19-09-2022




quarta-feira, 28 de setembro de 2022

HORÁRIO ELEITORAL GRATUITO


O título já é enganoso, pois, de gratuito não tem nada.


Quem paga o “Horário Eleitoral Gratuito” é o contribuinte com os impostos sempre mais caros.


Esse programa é o mais chato da televisão brasileira.


Para ficar livre do programa que financiamos, só se escolhermos uma TV paga, sendo que até no youtube ele nos alcança.


Assim mesmo temos que selecionar música boa para ouvir e evitar o “canal Bis”, que só toca música e é de um canal pago.


Como seria o perfil do espectador do Programa Eleitoral Gratuito?


Será que assistem por prazer?


Certamente, a não ser os familiares dos candidatos, ninguém assiste esse programa mentiroso de super-heróis lutadores pelo bem-estar dos seus.


E as entrevistas individuais ou coletivas dos candidatos majoritários, são daqueles que aparecem melhor colocados nas intenções de votos, segundo os desmoralizados institutos de pesquisas (!).


É um verdadeiro show de marqueteiros que tais técnicos de futebol portugueses, cobram uma fortuna para “treinar os candidatos” a responderem as perguntas que lhe serão feitas, sempre as mesmas desde o início desse programa.


O brasileiro que irá votar é muito bem informado e com antecedência já escolheu o candidato em quem votar, independente de assistir o tal programa eleitoral, que só é visto quando estiver numa sala de espera com a televisão aberta ligada.


Minha funcionária da cozinha que só trabalha com a TV ligada, o porteiro do meu edifício, o alfaiate em frente à minha casa e até em determinados quartos coletivos de hospitais, assistem o programa eleitoral, ou melhor ouvem nomes e números dos sabe-tudo candidatos.


São tantos os números e siglas partidárias, que confesso que não saberia mencionar o nome e número de partidos.


Acho que o perfil do tele espectador desse programa é estar em um ambiente com a televisão ligada e não poder desliga-la.


Dia desses me aconteceu um fato até então inédito para mim.


Estava trabalhando em meu escritório doméstico, quando o meu celular tocou.


Verifiquei que a chamada era local e mesmo não estando em minha lista de favoritos, resolvi atender.


A pessoa do sexo masculino se identificou como sendo de uma empresa de pesquisa que eu nunca tinha ouvido falar dela, e gentilmente me perguntou se teria alguns minutos para responder uma pesquisa sobre as próximas eleições.


Disse que era menor e não poderia votar, desligando o celular.


Imediatamente o moço pediu que uma colega me telefonasse sobre o mesmo assunto.


Respondi que o seu colega havia me telefonado e como tinha cem anos, mês bisnetos me proibiram de votar.


Gostaria de saber como traduziram o meu voto: se, branco, nulo, não souberam, ou deixariam de votar.


Gabriel Novis Neves

17-09-2022