terça-feira, 3 de março de 2026

ENGULA AS PALAVRAS!


Durante uma conversa quase respondi de forma impulsiva.

 

A frase subiu pronta, inteira, querendo sair.

 

Mas eu a engoli.

 

Fiquei em silêncio.

 

Minutos depois, percebi que fiz bem.

 

Nem toda verdade precisa nascer no primeiro impulso.

 

‘Em boca fechada não entra mosca’ — era o provérbio preferido do meu pai.

 

Homens de poucas palavras, raramente respondiam de imediato às perguntas que lhe faziam. 

 

Na infância eu não entendia; hoje reconheço ali uma forma silenciosa de sabedoria.

 

Responder impulsivamente quase nunca é aconselhável.

 

Muitas vezes evitamos dissabores simplesmente deixando certas frases repousarem dentro de nós.

 

Quantas amizades já foram preservadas pelo cuidado com as respostas!

 

Frases engolidas não faz mal à saúde — ao contrário, costumam proteger relações.

 

Já presenciei conflitos graves nascerem de palavras ditas sem freio.

 

Às vezes, basta uma resposta atravessada para mudar destinos.

 

O calado quase sempre, permanece em paz com os que o cercam.

 

Nunca fui impulsivo, e isso me ajudou muito na minha vida.

 

Aprendi cedo a ouvir mais do que falar.

 

Muitas vezes passei por ingênuo — quase um bobo — numa espécie de teatro consciente.

 

Enquanto os outros se apressavam, eu aguardava.

 

E foi assim que consegui implantar projetos importantes e alcançar bons resultados.

 

Há quem chame isso de estratégia.

 

Outros, de prudência.

 

Prefiro chamar de disciplina.

 

Engolir a frase que está na ponta da língua exige esforço.

 

É um exercício diário de domínio próprio.

 

Nem toda a verdade precisa ser dita imediatamente; algumas amadurecem melhor no silêncio.

 

 Nas negociações, inclusive, é útil ter ao lado alguém impulsivo — desde que tudo esteja previamente combinado.

 

O silêncio também fala, e às vezes diz mais do que qualquer argumento.

 

Hoje entendo: ficar calado não é fraqueza.

 

É apenas escolher o momento certo de falar.

 

E, muitas vezes, a paz começa exatamente na palavra que decidimos não dizer.

 

Gabriel Novis Neves

22-02-2026




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