Durante uma conversa quase respondi de forma impulsiva.
A frase subiu pronta, inteira, querendo sair.
Mas eu a engoli.
Fiquei em silêncio.
Minutos depois, percebi que fiz bem.
Nem toda verdade precisa nascer no primeiro impulso.
‘Em boca fechada não entra mosca’ — era o provérbio preferido do meu pai.
Homens de poucas palavras, raramente respondiam de imediato às perguntas que lhe faziam.
Na infância eu não entendia; hoje reconheço ali uma forma silenciosa de sabedoria.
Responder impulsivamente quase nunca é aconselhável.
Muitas vezes evitamos dissabores simplesmente deixando certas frases repousarem dentro de nós.
Quantas amizades já foram preservadas pelo cuidado com as respostas!
Frases engolidas não faz mal à saúde — ao contrário, costumam proteger relações.
Já presenciei conflitos graves nascerem de palavras ditas sem freio.
Às vezes, basta uma resposta atravessada para mudar destinos.
O calado quase sempre, permanece em paz com os que o cercam.
Nunca fui impulsivo, e isso me ajudou muito na minha vida.
Aprendi cedo a ouvir mais do que falar.
Muitas vezes passei por ingênuo — quase um bobo — numa espécie de teatro consciente.
Enquanto os outros se apressavam, eu aguardava.
E foi assim que consegui implantar projetos importantes e alcançar bons resultados.
Há quem chame isso de estratégia.
Outros, de prudência.
Prefiro chamar de disciplina.
Engolir a frase que está na ponta da língua exige esforço.
É um exercício diário de domínio próprio.
Nem toda a verdade precisa ser dita imediatamente; algumas amadurecem melhor no silêncio.
Nas negociações, inclusive, é útil ter ao lado alguém impulsivo — desde que tudo esteja previamente combinado.
O silêncio também fala, e às vezes diz mais do que qualquer argumento.
Hoje entendo: ficar calado não é fraqueza.
É apenas escolher o momento certo de falar.
E, muitas vezes, a paz começa exatamente na palavra que decidimos não dizer.
Gabriel Novis Neves
22-02-2026
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