terça-feira, 10 de março de 2026

CADEIRAS DE BALANÇO


Toda casa antiga parecia ter uma cadeira de balanço.

 

Ela ficava quase sempre na sala ou na varanda.

 

Era um móvel simples, mas cheio de presença.

 

Na minha infância, aquela cadeira parecia pertencer naturalmente aos mais velhos.

 

Os avós se sentavam nela com uma calma que as crianças ainda não compreendiam.

 

O movimento lento para frente e para trás parecia acompanhar o ritmo das conversas.

 

Enquanto a cadeira balançava, surgiam histórias.

 

Histórias da família.

 

Histórias da cidade.

 

Histórias de um tempo que já havia passado.

 

As crianças escutavam com curiosidade.

 

Às vezes sem entender tudo.

 

Mas guardando aquelas narrativas em algum lugar da memória.

 

A cadeira de balanço também servia para momentos de silêncio.

 

Ali alguém podia pensar, descansar ou simplesmente observar a tarde passando.

 

O ranger discreto da madeira fazia parte da casa.

 

Era um som doméstico, familiar.

 

Com o tempo muitas dessas cadeiras desapareceram.

 

As casas mudaram.

 

Os móveis ficaram modernos.

 

Mas poucos conseguiram substituir aquele velho balanço.

 

Hoje, quando vejo uma cadeira assim, lembro imediatamente da minha infância.

 

Percebo que ela não era apenas um móvel.

 

Era quase um ponto de encontro entre gerações.

 

Ali o tempo parecia caminhar mais devagar.

 

Talvez por isso as histórias fossem tão boas.

 

A cadeira de balanço ensinava uma coisa simples:

 

Às vezes a vida precisa apenas de um pequeno movimento para continuar seguindo em frente.

 

Gabriel Novis Neves

05-03-2026




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.