sábado, 12 de março de 2022

PREDILEÇÃO DOS HUMORISTAS DE CUIABÁ


Não tenho a mínima ideia da predileção dos nossos humoristas, quando pela fala, escritos ou pintura produziam risos, quando se referiam a mim.


Considero-me uma pessoa tímida, sem graça, normal.


Sempre procurei a me comportar, vestir e viver, de uma maneira discreta, quase imperceptível no mundo onde estou inserido.


Só pelos humoristas eu acho graça de mim.


O Rubens de Mendonça foi o exemplo de humorista, que em uma simples quadrinha fotografava com uma nitidez o seu personagem.


Ele tinha o hábito de diariamente ao sair de casa, sempre de terno, revolver na cintura, gravata e piteira no canto da boca, levar em seu paletó várias quadrinhas datilografadas, sobre um mesmo assunto.


Elas com perfeição faziam uma síntese do fato do dia.


No trajeto da sua casa até o bar do Bugre, ligeiramente parava para um papinho, pois, no seu tempo era assim que se cumprimentavam os amigos.


Na despedida o Rubens colocava no bolso da camisa do seu camarada, e naquela época todas as camisas tinham bolso, o papelzinho que continha à quadra datilografada dizendo: depois, leia o que colocaram em meu bolso, continuando a caminhar.


Em um desses encontros o Rubens colocou em meu bolso, a célebre quadrinha da minha ida a Romênia comprar tratores para o Estado.


Outras vezes, antes de ir para a repartição onde trabalhava, falava em segredo uma invencionice sua, na porta do bar.


Depois, do expediente voltava ao local e não reconhecia mais a mentira que deixara em segredo com um amigo, e que lhe era contada como novidade do dia.


Sua filha Adélia Mendonça, ainda guarda muito do humor do seu pai feito em quadrinhas.


Quando retornei médico para Cuiabá, atendia um ambulatório no Centro de Saúde, hoje desativado.


A atendente que me dava apoio era dona Tanita Arruda, que sempre levava seu filho menor para o trabalho, pois, não tinha com quem deixá-lo em casa.


Esse menino depois de formado em jornalismo no Rio de Janeiro se transformou no maior humorista de teatro da nossa cidade.


Era o ator, diretor e produtor Liu Arruda.


Não sei também por que “Comadre Nhara” gostava de fazer a plateia rir, contando “causos de mim”, especialmente no Teatro da UFMT!


Sempre que provocado nas suas longas e engraçadas “entrevistas”, Liu Arruda referia-se a mim dizendo que um homem que “aparou” dez mil crianças, não poderia ser um homem do mal!


No apogeu da sua curta carreira, antes de ir fazer graça no céu, me convidou para um show na sua casa de espetáculos.


Tinha um quadro onde uma personalidade conhecida da cidade era convidada para subir ao palco para ser entrevistado, diante enorme plateia.


Acontece que tanto o entrevistado como a “Comadre Nhara” ficava sentado em um vaso sanitário aberto”.


Agradeci, era muita graça para mim.


A “Comadre Pitú” em uma tarde veio me visitar, toda bem vestida, cheia de pó de arroz pelo pescoço e colo, com o seu inseparável leque e simpatia.


Acompanhava-a uma equipe de TV. Disse-me que o porteiro custou a autorizar a sua entrada no meu edifício.


De cara me disse que a visita seria rápida, pois não podia deixar por muito tempo seu marido Generoso sozinho em casa, pois ele ficou “mordido de saber quem ela iria visitar”!


Tive outro encontro surpresa com a comadre Pitu em um programa de TV, onde fui convidado para falar sobre educação.


O meu irmão Pedro, além de fazer um humor fino, e eu era seu personagem favorito, desenhava com muita graça.


Consegui guardar uma caricatura que ele fez dele mesmo, muito hilária.


Era muito mordaz ao falar e escrever o cotidiano, este sim “muito engraçado”!


Gabriel Novis Neves

10-03-2022


VITAL SIQUEIRA INTERPRETA 
COMADRE PITU


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