Entre andares e olhares tímidos, o elevador se transforma em metáfora da convivência moderna.
Um espaço pequeno onde cabem o silêncio, a pressa e, às vezes, um gesto inesperado de humanidade.
Conheci o elevador em 1952, num hotel da avenida Nossa Senhora de Copacabana, no Posto 2, no Rio de Janeiro.
Suas portas eram gradeadas e tinha um ascensorista uniformizado de azul com boné.
Confesso que senti medo na minha primeira viagem até o quarto andar.
Temia que aquelas portas não se abrissem no lugar certo.
Os elevadores eram pequenos e cabiam poucos passageiros.
Guardo ainda na memória o cheiro do pão francês assado no refeitório daquele modesto hotel.
Nunca conversava com ninguém e torcia para que o trajeto fosse o mais rápido possível, sem sobressaltos.
Só mais tarde conheci os grandes elevadores sempre apinhados de gente, um colado ao outro.
Havia um silêncio respeitoso, quebrado apenas por palavras simples.
Certa vez, um deles enguiçou entre andares, despertando o terror dos passageiros.
Felizmente, o pessoal da portaria sabia lidar com esses pequenos incidentes.
Lembro-me também da trágica morte de Anísio Teixeira, grande educador brasileiro, encontrado no fosso do elevador de um prédio na avenida Rui Barbosa, no Rio.
A versão oficial foi de acidente: a porta interna estaria aberta, e ele, distraído, teria caído.
Casos semelhantes eram comentados, aumentando a desconfiança sobre a segurança sesses aparelhos.
Quase sempre, porém, tratava-se de distração ao abrir a porta sem que o elevador estivesse no andar.
O primeiro elevador em prédio residencial de Cuiabá, foi instalado no Edifício Maria Joaquina, de quinze andares.
O elevador do Palácio Alencastro, que hoje abriga a Prefeitura de Cuiabá, também é dessa época, nos anos sessenta.
Hoje, as crianças cuiabanas conhecem o elevador ao deixar a maternidade.
Gabriel Novis Neves
15-11-2025

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