As famílias cuiabanas travavam uma eterna luta para proteger o açúcar das formigas — e o quanto essa pequena ‘guerra doméstica’ unia a casa.
Uma das diversões da criançada era observar o vai e vem das formigas na varanda, carregando alimentos para o formigueiro.
Que organização e união!
Pareciam até conversar entre si.
Minha mãe aproveitava esses momentos para nos ensinar sobre a hierarquia das formigas, sua admirável organização social e os abrigos que comportavam milhares delas.
Pequenas, mas extraordinariamente organizadas, viviam em colônias onde cada uma tinha sua função bem definida: operárias, soldadas, rainhas e machos reprodutores.
Trabalham em silêncio e harmonia, construindo verdadeiras cidades subterrâneas, com túneis e câmaras — símbolos de esforço, disciplina e cooperação.
Mesmo minúsculas, carregavam pesos muito maiores que o próprio corpo, movidas por uma força coletiva admirável.
Nas manhãs quentes, era comum vê-las em fila, transportando pedaços de folhas, grãos e restos de alimentos, numa coreografia perfeita da natureza.
As formigas ensinam que a união faz a força, que o esforço contínuo gera resultados e que até o menor dos seres pode transformar o ambiente ao seu redor.
A colônia pode viver muitos anos, especialmente se a rainha for longeva.
Além de tudo, as formigas beneficiam o solo ao arejá-lo e ajudam a controlar pragas.
Gostam tanto de açúcar porque necessitam da energia rápida dos carboidratos.
Reproduzem-se por ovos colocados pela rainha, que dão origem às operárias, aos machos e às novas rainhas.
Quando morrem, são levadas para fora do formigueiro pelas companheiras, que mantêm o ninho limpo e saudável.
Nos campos de agricultura encontramos inúmeros formigueiros — verdadeiras habitações verticais da natureza.
Podem ser boas, quando contribuem para o equilíbrio do solo, ou más, quando danificam as plantações.
Hoje, poucos lares ainda guardam açucareiros.
O café passou a ser adoçado com adoçantes.
Os lindos açucareiros que conservo em casa já não saem dos armários.
Como os hábitos — e o mundo — mudaram!
Gabriel Novis Neves
26-10-2035

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