quinta-feira, 29 de setembro de 2022

DIA NUBLADO DE FUMAÇA


Pela manhã o sol não apareceu, encoberto por uma camada de fumaça das queimadas que acontecem em nosso Estado e são tão comuns nesta época do ano.


Uma leve brisa, e o Instituto de Meteorologia nos anunciava pela televisão pancadas de chuvas à tarde.


Fui tirar uma sonequinha pós-prandial e ao voltar para o meu escritório o sol continuava escondido, e o calor a exigir o ar refrigerado ligado.


Não acredito em chuvas, a não ser de madrugada para limpar essa fumaceira toda e amenizar um pouquinho esse calor, que em Cuiabá é de lascar.


Estamos chegando na primavera e o inverno nem parece que existiu.


Falam muito das queimadas da Floresta Amazônica e do Pantanal e se esquecem do Cerrado, que desde criança ouço a dizer “que está no tempo das queimadas”, época para preparar o solo para as plantações.


Com tantas novas tecnologias à disposição do homem do campo, é muito difícil alterar os hábitos das pessoas.


Um arquiteto, amigo meu desde 1971, me chama pelo celular.


Queria dar as suas notícias e saber das minhas.


É especialista em projetos de hospitais e campus universitários.


Com o reitor Zeferino Vaz construiu o de Campinas (SP) e foi autor de vários projetos na nossa universidade. 


Fez o projeto do antigo Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas, Ginásio de Esportes, Biblioteca Central, Teatro e Restaurante Universitário.


Autor do anteprojeto do Hospital Central, que foi inviabilizado por falta de recursos federais.


Doado para o Governo do Estado, teve o seu início em 1984, quando eu era secretário estadual de saúde em terreno do Centro Político Administrativo (CPA).


Terminado o mandato do governador Júlio José de Campos, teve as suas obras paralisadas por muito tempo.


Toda a sua estrutura foi profundamente alterada por vários governos e as obras reiniciadas e para conclusão no governo de Mauro Mendes.


João Carlos Bross, o arquiteto paulista, me descobriu em Cuiabá por um acaso.


Veio participar de uma licitação pública pela manhã, onde hoje é a Trescinco, e para chegar lá para quem vinha do centro da cidade, era obrigado a fazer uma rotatória em frente à universidade.


Ao voltar ao Hotel Santa Rosinha, onde estava hospedado, depois do almoço foi ao seu quarto.


O voo para São Paulo só no outro dia, e como nunca praticou o ócio criativo, lembrou-se que na rotatória do Coxipó havia uma enorme placa com os dizeres: “ Futuras Instalações da Universidade Federal de Mato Grosso”.


Em baixo: “Obra do Governo Pedro Pedrossian”.


Pediu um taxi e solicitou ao motorista que o levasse à Universidade.


Logo estava em meu “Gabinete”.


Hoje, quem vai ou vem do Coxipó, não vê mais o nosso campus universitário, escondido pelo elevado de concreto que seria trajeto para o VLT, cujos vagões comprados e pagos, estão apodrecendo em um galpão em Várzea Grande há 8 anos.


O sol não apareceu nesta tarde esfumaçada de forte calor sem chuvas.


É a primavera chegando.


Gabriel Novis Neves

19-09-2022




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