Entrei na fila sem pressa.
Havia poucas pessoas à minha frente.
Mesmo assim, o atendimento parecia demorado.
Observei os rostos, os gestos, os suspiros discretos.
A vida ensina muito nas pequenas esperas.
Nem sempre é o tamanho da fila que nos inquieta — é o tempo dentro de nós.
Quando eu era jovem enfrentei muitas filas.
Fila para a escola, para o recreio, para a missa, para a agência do Banco do Brasil, para assistir às partidas de futebol, para o cinema.
Acabei me acostumando com as filas, a ponto de sentir certa falta delas.
As tecnologias modernas reduziram muitas dessas esperas.
O laptop resolveu parte dos problemas.
Eu, que sou da geração pré-internet, hoje resolvo boa parte dessas filas pelo celular, computador ou até televisão.
Filas inevitáveis ainda existem: as dos aeroportos ou as dos benefícios do INSS.
São locais ideais para tirar uma pequena soneca, mesmo sendo atendimento preferencial.
A vida ensina muito nas pequenas esperas.
Nem sempre o que nos incomoda é o tamanho da fila, mas o tempo dentro de nós.
É quando o cérebro mede o tempo de maneira diferente e reclama que a fila anda devagar.
Como o ser humano é difícil de entender!
As filas faziam parte do cenário das cidades.
Quando morei no Rio de Janeiro, conheci novas filas: a do pão, a do bonde, a do restaurante universitário.
Fila para escolher um lugar perto das ondas do mar, apenas para bronzear.
Fila para pegar o bondinho da Praia Vermelha até o Morro da Urca e o Pão de Açúcar.
Fila para admirar as belezas da baia da Guanabara.
Também, imitando os paulistanos, filas para assistir ao pouso e à decolagem das aeronaves no Aeroporto Santos Dumont, ainda antes da chegada dos jatos.
O Presidente JK tinha um moderníssimo Avro.
Essas são as filas que ficaram guardadas na minha memória.
Hoje entendo melhor: às vezes a fila não anda devagar — é o nosso tempo interior que caminha mais depressa.
Gabriel Novis Neves
04-03-2026
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.