Durante muitos anos uma cena comum das manhãs brasileiras era alguém voltando da padaria com a sacola de pão balançando na mão.
O cheiro do pão quente escapava pelo papel fino.
Em algumas casas, o café só começava quando o pão chegava.
Havia algo de ritual naquela pequena caminhada diária.
Hoje aplicativos entregam tudo rapidamente.
Mas talvez nenhuma entrega moderna consiga substituir completamente o prazer simples de voltar da rua trazendo pão fresco para casa.
Nasci e fui criado na vizinhança da Padaria Latorraca na rua de Baixo.
Da minha casa sentia o aroma do pão saindo do forno.
De calças curtas e dinheiro contado na mão, cedo fui encarregado pelo meu pai para trazer o pão quentinho para o café.
Essa tarefa à tarde era feita por ele, que nunca teve o hábito de jantar.
Ele saía do bar trazendo queijo, salaminho, presunto e salsichas.
Um copo grande com nata de leite e açúcar completavam a sua refeição.
Todos os dias pela manhã, a charrete da chácara do ‘seo’ Mario Esteves, deixava em minha casa, vinte litros de leite, que eram fervidos.
Uma porção ficava em casa e o restante era levado para a sorveteria do bar.
Quem cuidava da sorveteria era meu tio Ioiô.
Eu já crescido comprava baunilha do quintal da casa do ‘seo’ João Gomes, no Baú.
Papai comprava frutas frescas da terra, nas carrocinhas na porta do bar.
Uma das lembranças da minha infância, foi a chegada da nova e moderna máquina de sorvete.
Tinha sete anos de idade e fiquei encantado com o seu desembarque.
Era enorme e fabricava picolés e sorvetes deliciosos.
Estudantes das escolas próximas, do Jardim e cinema eram seus maiores frequentadores.
Os longevos até hoje lembram da sorveteria e, de quantos namoros iniciaram ali com final feliz.
Gabriel Novis Neves
19-05-2026
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