Nem sempre a diversão infantil dependia de brinquedos caros.
Muitas crianças passavam horas brincando com caixas de papelão, pedaços de madeira ou latas vazias.
A imaginação fazia o resto.
O tempo mudou muita coisa, mas não conseguiu diminuir a criatividade das crianças.
Quando menino eu mesmo construía meus brinquedos.
Hoje observo que meus bisnetos possuem a mesma capacidade de inventar mundos.
Num almoço de família fiquei olhando uma bisneta de dois anos sentada sobre um pedaço de papelão, sendo arrastada pela sala na maior felicidade.
Era o carrinho mais simples e, talvez, o mais gostoso que ela já tivera.
Na minha infância surgiam brinquedos feitos com latas vazias de massa de tomate, cabos de vassoura, bonecos de barro e jogos de botão arrancados dos casacos de meu pai.
Havia também pular corda, amarelinha, cabra-cega, esconde-esconde e pipas fabricadas em casa.
A imaginação das crianças nunca teve limites, principalmente quando era estimulada pela convivência familiar.
Os brinquedos caros das lojas nem sempre eram os mais queridos ou duradouros.
Os mais admirados eram aqueles construídos no fundo do quintal, imitando as cidades dos presépios natalinos.
Ali a criatividade atingia o máximo: ruas, rios, pontes, estradas, casas e moradores tirando água do poço.
Havia pracinha com coreto, chafariz e bancos de barro ou madeira.
As crianças da vizinhança vinham visitar aquelas cidades imaginárias construídas pelas mãos dos amigos.
O universo infantil nunca conheceu fronteiras. Os brinquedos simples continuam sobrevivendo pela tradição oral, pelo exemplo dos pais e pela alegria das famílias unidas.
Minha mãe gostava de brincar conosco e ensinava tudo sorrindo.
Talvez por isso eu tenha aprendido cedo que a infância é o território onde a tristeza deveria entrar o menos possível.
Gabriel Novis Neves
25-05-2025
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