As crianças pequenas perguntam sem cerimônia e, por isso mesmo, alcançam verdades que os adultos já aprenderam a contornar.
Um bisneto, com sua curiosidade limpa, pode transformar uma tarde comum em espanto e ternura.
Pergunta sobre a idade do bisavô, sobre objetos antigos, sobre retratos, sobre palavras esquecidas.
E cada pergunta parece abrir uma gaveta da memória.
Ao responder, o mais velho não ensina apenas: revive, reorganiza e repartilha a própria história.
Os pequenos têm ânsia de saber.
Por isso perguntam tanto.
Também ainda não conhecem a inibição que tanto atrapalha os adultos.
Casa barulhenta é casa com crianças.
Na pressa de saber sobre suas origens e tirar suas dúvidas, fazem perguntas em voz alta, muitas vezes todas ao mesmo tempo.
Não há censura nas perguntas dos bisnetos. Elas transformam nossos encontros em verdadeiras aulas de conhecimento e afeto.
Meus bisnetos perguntam sobre tudo o que veem e ouvem.
Procuram respostas nos mais antigos, deixando-nos, às vezes, desconcertados.
Fazem muitas perguntas sobre pequenos animais, que vivem tão perto deles em suas casas, algumas vezes dividindo o mesmo quarto e até a mesma cama.
Fui criado em casa sem animais, embora meu avô possuísse em sua residência um verdadeiro zoológico doméstico.
As crianças recebem muitos estímulos visuais, embora ainda desconheçam o significado de quase tudo.
Têm curiosidade sem limites.
Tudo o que encontram em minha casa aguça essa vontade de saber: álbuns de fotografias, objetos antigos, plantas, quadros de pintores, esculturas, móveis da minha biblioteca e do meu consultório de terapia visual.
Cada coisa vira motivo de espanto.
Cada detalhe pede uma explicação.
Não saberia viver sem crianças ao meu redor.
Sendo o primogênito de nove filhos, sempre tive crianças por perto, até minha ida para o Rio de Janeiro, onde fui estudar Medicina.
Na minha ausência, nasceu minha irmã caçula.
Talvez eu tenha escolhido a Ginecologia e a Obstetrícia para continuar perto do começo da vida.
As crianças sempre foram, para mim, uma fonte permanente de aprendizado.
Elas perguntam porque confiam.
E, sem saber, nos ensinam a responder com amor.
Gabriel Novis Neves
29-04-2026
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