O Dia das Mães nunca passa em branco dentro da gente.
Mesmo quando a casa está cheia, as vozes se misturam, as crianças correm e a mesa parece festa, há sempre um instante silencioso em que a memória se senta ao nosso lado.
Minha mãe chamava-se Irene.
Foi uma mulher forte, longeva, dessas mães antigas que sustentavam a família mais pelo exemplo do que pelas palavras.
Sou o primogênito de nove filhos e aprendi cedo a dividir cuidados, afetos e responsabilidades.
Mamãe Irene carregava a casa inteira no olhar atento e nas mãos sempre ocupadas.
A outra mãe da minha vida foi Regina, mãe dos meus três filhos.
Regina partiu ainda em plena maturidade, quando a vida parecia ter muito caminho pela frente.
O destino, com suas estranhas coincidências, levou Irene e Regina no mesmo ano.
Perdi duas referências de afeto quase ao mesmo tempo.
A vida, porém, ensina silenciosamente que ninguém consegue viver sem mãe.
Talvez por isso eu tenha adotado minha filha única, Mônica, como mãe.
É ela quem cuida, aconselha, pergunta, protege e vigia discretamente meus passos.
O tempo vai mudando os papéis sem pedir licença.
E o amor aprende novas maneiras de permanecer vivo.
O Dia das Mães, para mim, é muito mais saudade do que tristeza.
Saudade das vozes, dos gestos simples, dos cuidados invisíveis, das presenças que ajudaram a construir a família que hoje vejo crescer à minha volta.
As mães não desaparecem completamente.
Continuam vivendo nos filhos, nos netos, nos bisnetos e na delicadeza dos cuidados que atravessam as gerações.
Talvez seja essa a verdadeira eternidade das mães.
Gabriel Novis Neves
10-05-2026
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