domingo, 10 de maio de 2026

SEMPRE COM AS MÃES


O Dia das Mães nunca passa em branco dentro da gente.

 

Mesmo quando a casa está cheia, as vozes se misturam, as crianças correm e a mesa parece festa, há sempre um instante silencioso em que a memória se senta ao nosso lado.

 

Minha mãe chamava-se Irene.

 

Foi uma mulher forte, longeva, dessas mães antigas que sustentavam a família mais pelo exemplo do que pelas palavras.

 

Sou o primogênito de nove filhos e aprendi cedo a dividir cuidados, afetos e responsabilidades.

 

Mamãe Irene carregava a casa inteira no olhar atento e nas mãos sempre ocupadas.

 

A outra mãe da minha vida foi Regina, mãe dos meus três filhos.

 

Regina partiu ainda em plena maturidade, quando a vida parecia ter muito caminho pela frente.

 

O destino, com suas estranhas coincidências, levou Irene e Regina no mesmo ano.

 

Perdi duas referências de afeto quase ao mesmo tempo.

 

A vida, porém, ensina silenciosamente que ninguém consegue viver sem mãe.

 

Talvez por isso eu tenha adotado minha filha única, Mônica, como mãe.

 

É ela quem cuida, aconselha, pergunta, protege e vigia discretamente meus passos.

 

O tempo vai mudando os papéis sem pedir licença.

 

E o amor aprende novas maneiras de permanecer vivo.

 

O Dia das Mães, para mim, é muito mais saudade do que tristeza.

 

Saudade das vozes, dos gestos simples, dos cuidados invisíveis, das presenças que ajudaram a construir a família que hoje vejo crescer à minha volta.

 

As mães não desaparecem completamente.

 

Continuam vivendo nos filhos, nos netos, nos bisnetos e na delicadeza dos cuidados que atravessam as gerações.

 

Talvez seja essa a verdadeira eternidade das mães.

 

Gabriel Novis Neves

10-05-2026






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