quarta-feira, 17 de abril de 2013

RÁDIO


Saio de casa pela manhã e, instintivamente, ao entrar no carro, ligo “na rádio que toca notícias” para me informar sobre os últimos acontecimentos - que estão sempre relacionados a fatos desagradáveis.
Coincidentemente, nesse horário entra no ar o Programa “Bom Dia Governador”.
Interessante ouvi-lo. Ficamos sabendo das boas notícias que acontecem por aqui e que ninguém divulga.
É uma verdadeira injeção de autoestima. O governo está avançando (termo moderno) em todos os setores da administração pública, e ninguém percebe, ou, se percebe, fica calado.
Uma das preocupações, vamos dizer de segunda linha de prioridades da nossa gente, é com relação ao desperdício da nossa fabulosa riqueza natural não explorada por falta de infraestrutura para o turismo.
Daqui a poucos meses Cuiabá sediará um grande evento internacional: a Copa do Mundo. Amantes do futebol de todo o planeta virão para essa festa esportiva e, por que não?, também fazer turismo.
A Globo Internacional transmitiu o desfile das Escolas de Samba, a maior e principal vitrine do carnaval brasileiro. Bilhões de telespectadores assistiram ao espetáculo da Sapucaí, e tomaram conhecimento das nossas belezas naturais.
Durante oitenta minutos o mundo conheceu um “Paraíso no Centro da América – Cuiabá”.
Impossível não despertar a curiosidade de centenas de milhares de pessoas para esse novo achado geográfico.
Tenho certeza que muitos dos nossos irmãos farão de tudo para nos visitar.
Internacionalmente Cuiabá é conhecida como a capital que dá acesso a Chapada dos Guimarães. É também a porta de entrada para o Pantanal,  Amazônia e Cerrado.
Pelo que ouvi pelo rádio, o setor de turismo foi um dos que mais avançou nesses últimos quatro anos.
A Secretaria de Turismo foi incansável na divulgação das nossas belezas, tanto no Brasil como no exterior.
Agora nos resta paciência para colher os frutos, digo, euros e dólares.
A preocupação do nativo é com aquilo que foi prometido, comprometido e jurado que seria realizado para receber os nossos visitantes. O tempo passou e ninguém fez nada.
 A duplicação da rodovia até Chapada ficou paralisada na entrada do Manso.
O Complexo da Salgadeira está fechado. Reparos para a sua revitalização, nem sinal.
Obras de engenharia no Portão do Inferno só serão lembradas no próximo acidente fatal.
O teleférico é palavra proibida.
Infraestrutura para a cidade histórica da Chapada, nenhuma providência foi tomada.
O Pantanal também não foi citado, e acho que ele avançou em direção a Bonito, no Mato Grosso do Sul.
Os investimentos, que são os avanços, ficaram resumidos à iniciativa privada.
Falou-se no grupo Amaggi construindo resorts na região do Lago do Manso e no asfaltamento de um pequeno trecho de rodovia para facilitar a chegada à cidade de Nobres.
Nobres é um diamante bruto de raro encantamento, mas precisa de preparo para receber um fluxo economicamente rentável de turistas.
Temos grutas, túneis, águas azuis e todos os prodígios da mãe natureza. Falta-nos apoio governamental.
A indústria do turismo está em permanente expansão. Com o aumento da expectativa de vida da população mundial, aumenta o número de turistas, pois o grande consumidor da natureza são os idosos.
Esse público só exige conforto e o acesso aos bens da tecnologia moderna.
O governo, não oferecendo essa contrapartida, perde uma preciosa fonte de receita. Qualquer recurso é bem vindo para tentar resolver os nossos problemas de saúde, educação, segurança, emprego e cidadania.
Turismo sem investimento no complexo Chapada dos Guimarães e Pantanal é avançar para trás.
Finalizando, fica a pergunta indiscreta:
Até a Copa do Mundo em Cuiabá ainda teremos as ruínas do nosso Centro Histórico ou um amontoado de escombros?
O tempo para que isso não aconteça - para a nossa vergonha -, está se exaurindo.

Gabriel Novis Neves
22-03-2013

terça-feira, 16 de abril de 2013

Troca


Já se tornou tradicional no mês de maio a realização do Festival Internacional de Pesca Esportiva em Cáceres - cidade histórica de Mato Grosso.
Desde dezembro de 2012 a cidade é Patrimônio Cultural do Brasil e um dos 65 municípios indutores do turismo no Brasil pelo IPHAN.
Esse evento começou em 1980 e entrou para o livro dos Recordes em 1992.
É considerado o maior festival de pesca de água doce do mundo na modalidade pesque e solte.
Seus organizadores estimam a participação de trinta mil pessoas. Ocorre às margens do Rio Paraguai, entrada para o pantanal.
Este ano, por falta de dinheiro o festival foi cancelado. Seria a sua 33ª edição.
É lamentável que isso ocorra a dois meses da realização, em seis capitais brasileiras, da minicopa do mundo - a Copa das Confederações.
Seria uma oportunidade de ouro para milhares de turistas estrangeiros, que já reservaram passagem para assistir a um dos maiores eventos futebolísticos do planeta, a alternativa de também assistir e participar do maior festival de pesca esportiva de água doce.
Alegando falta de recursos financeiros para ajudar a prefeitura de Cáceres, o governo do Estado simplesmente ignorou o que representa para Mato Grosso essa festa eco-esportivo-cultural.
Lamentável que os nossos governantes não considerem o turismo como uma atividade econômica.
Muitos países europeus têm no turismo sua maior receita. É uma moderna indústria sem risco de poluição.
Brasileiros generosos distribuem suas economias passeando em países do primeiro mundo.
Aqui em Mato Grosso, a única atividade considerada econômica é a do agronegócio. Vendemos a nossa produção de alimentos aos países ricos. Isso é para equilibrar o valor que os nossos turistas deixam nas suas viagens ao exterior.
Em compensação, sem o festival, Cáceres sediará o 1º Simpósio de Segurança na Fronteira em Mato Grosso.
Evento de custo operacional razoável, que não resolverá o seu principal problema que é bloquear a entrada de drogas ilícitas em nosso Estado para distribuição nacional e mundial.
O crime organizado está tão entranhado no nosso sistema, que é quase impossível o seu extermínio.
O Estado brasileiro tem se mostrado incompetente, impotente e desinteressado nessa luta, cuja discussão é realizada em período eleitoral, de quatro em quatro anos.
Essa troca de eventos mostrou ao mundo que o nosso grande problema é a violência, criminalidade, corrupção, impunidade e os efeitos deletérios das drogas na sociedade.
Famílias são destruídas, crianças abandonadas e os direitos humanos fundamentais ignorados.
Cultura e turismo ecológico foram trocados pela exposição das nossas fraquezas e miserabilidade.

Gabriel Novis Neves
12-04-2013

segunda-feira, 15 de abril de 2013

CAQUEXIA


O termo caquexia nos remete aos casos terminais de doenças as mais diversas, inclusive a cancerosa, em que o grande emagrecimento e o desmantelamento progressivo de todas as funções vitais, levam o paciente ao êxito letal.
Entretanto, hoje me ocorreu a visão daquele outro tipo de caquexia, tão grave quanto – a caquexia mental. Apesar de estar ocorrendo com muita frequência nos mais diferentes meios sociais, nunca se falou sobre ela.
Com o modismo político predominante nos últimos anos de, “nada saber”, “nada ver” e “nada ouvir”, tem-se notado que a sociedade, como um todo, também vem seguindo essas práticas alienantes.
Será possível uma máquina governamental blindar tão eficientemente todos os seus canais opositores?
Onde está a UNE (União Nacional dos Estudantes)? - que em dias não tão distantes conseguiu, através dos “caras pintadas”, deflagrar um movimento que destituiu um presidente eleito pelo povo.
Estaria essa entidade, outrora tão atuante, também manipulada por esses tentáculos governamentais?
No momento, ocupantes de altos cargos na política brasileira, com fichas altamente comprometedoras, apesar de varridos pelas mais diversas redes sociais - método moderno de representação -, têm sequer as suas estabilidades ameaçadas.
Lamentavelmente estamos diante de uma das mais graves caquexias, a mental, capaz de levar toda uma sociedade a um estado de alienação e total desinteresse pelo que se passa à sua volta.
O tempo tem mostrado que os antídotos para esse tipo de mal são, no mínimo, de efeito muito lento e, por essa razão, desanimadores.
Resta-nos torcer para que surja um líder carismático, a exemplo de vários que tivemos em passado recente, capaz de, tal qual uma droga alucinógena, despejar toda a sua carga energética pelos cento e noventa milhões de anestesiados que agora representamos, fazendo-nos acreditar, novamente, que fatores éticos e morais não são uma simples balela filosófica.
Acreditamos numa juventude que, desapegada do seu recolhimento alienante, consiga motivar toda essa massa voltada apenas para o consumo e para a glória das aquisições inúteis e, que no final, nem conseguem deixá-la feliz.
Fatos como o último presenciado na bela Itália nos dão alguma esperança de transformação: nas eleições recentes 25% dos votos foram para um líder sem partido, sem sede e sem verbas de campanha, tudo conseguido apenas com um discurso ético e convincente através das redes sociais.
Não há razão para perder as esperanças.
Lá, como cá, somos todos feitos da mesma essência.

Gabriel Novis Neves
01-03-2013

domingo, 14 de abril de 2013

Adolescência


Temos uma enorme tendência a minimizar o conteúdo de nossas experiências de adolescentes e pré-adolescentes, até porque, normalmente, elas não nos trazem recordações muito gratificantes.
Entretanto, cobramos muito de nossos descendentes comportamentos ditos equilibrados nessa fase de vida.
Esquecemo-nos que a adolescência é um dos piores períodos por que passa o ser humano.
A insegurança que acomete os jovens é total, como em qualquer fase de transição, acrescida de um tumulto hormonal avassalador.
A sensação ambígua de não se sentir adulto, mas também não admitir ser tratado como criança, é fonte permanente de grandes angústias existenciais.
Com a transformação cultural - grande nos tempos modernos -, surgindo o culto do pai amigo ao invés do pai repressor, tem tornado essas relações bem mais amenas, ainda que não despidas de problemas.
Talvez o excesso de permissividade também não seja a forma ideal.
As transformações corporais abruptas, acrescidas de comportamentos os mais inusitados, tornam os adolescentes seres extremamente vulneráveis e carentes.
Na grande maioria dos casos o desenvolvimento físico não combina com as atitudes pueris e exibicionistas que neles notamos.
Há que existir por parte dos pais e educadores um mínimo de conhecimento psicológico para que a convivência entre as partes se torne possível, e até agradável.
Discutir sobre o tema no âmbito familiar, sobretudo no que diz respeito às angústias e dúvidas afetivas, são sempre a única possibilidade para atravessar essa fase tão delicada.
Ao contrário, o enfrentamento, é a pior solução, redundando, na maioria das vezes, na total dissolução dos laços afetivos que, apesar de presentes, estão sempre muito conflitados nos adolescentes.
Com habilidade, amor e paciência, essa fase tumultuada passará, e surgirá o adulto apto ao pleno exercício de sua afetividade e de sua cidadania.
Que nós, pais, avós, educadores, nos conscientizemos da necessidade do cultivo dessa paciência.

Gabriel Novis Neves
24-03-2013

sábado, 13 de abril de 2013

ESCLARECER


Quando um político retorna de viagem, principalmente vindo de Brasília, é comum declarar à imprensa que conseguiu não sei quantos milhões de reais para obras em seu município ou Estado.
É bom esclarecer que, caso esse dinheiro um dia seja liberado, pois existe uma enorme distância entre a intenção e a ação, não significa que o governo federal está fazendo uma cessão, e sim, um empréstimo bancário com todas as garantias legais.
Para a maioria da população, essas bravatas de prestígio com anúncio de liberação de recursos soam como doação do governo federal, e nunca como mais um empréstimo que iremos pagar com os devidos juros e todas as taxas de correção.
O nosso prefeito foi à Brasília de pires na mão atrás de recursos para as obras de mobilidade asfáltica. O Ministério das Cidades ofereceu-lhe um empréstimo de, aproximadamente, trezentos milhões de reais. Acontece que a nossa prefeitura está com a sua capacidade de endividamento em uma situação que não lhe permite contrair empréstimos.
Continuaremos, até pagar essas dívidas acumuladas de administrações passadas, convivendo com os buracos, ruas e avenidas sem pavimentação asfáltica, até sabe-se lá por quantos anos.
A maior tarefa do Mauro nesses próximos quatro anos será trabalhar com os recursos que tem, e pagar as velhas dívidas.
Seria excelente para a autoestima da população se os nossos vereadores, em gesto de amor à cidade, renunciassem ao absurdo aumento dos seus extravagantes salários.
Como o contribuinte iria ficar grato com esse ato de despojamento dos nossos representantes!
A figura do político está tão desgastada perante a opinião pública, que essa atitude seria entendida como sinal de um novo tempo, e ecoaria positivamente por toda a federação.
Infelizmente nada disso acontecerá. Tanto o executivo como o legislativo municipal, tem como prioridade as construções de suas novas e modernas sedes.
Esses recursos não existem, e só aparecerão em remanejamento orçamentário tirando migalhas da educação e da saúde para deixarem o legado de mais dois palácios na cidade desprovida de tudo.
“O mundo que nos espera não está para ser conquistado, mas para ser construído.”

Gabriel Novis Neves
10-03-2013

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Curioso negócio


Por exigência da FIFA e da CBF os feirantes do Centro Comercial do Verdão serão transferidos para o Distrito Industrial do Coxipó.
No local onde hoje abriga os feirantes será construído um elegante e moderno estacionamento VIP para as autoridades e os envolvidos na Copa do Mundo do ano que vem.
O transporte dos jogadores será feito também desse superestacionamento para a Arena Pantanal.
Após os jogos da Copa este espaço, que pertence a particulares, será destinado para construção de moradias para ricos.
A área do futuro estacionamento VIP está avaliada em vinte milhões de reais, preço que o governo do Estado pretende cobrar dos feirantes, que arcarão com as despesas da preparação do novo Centro de Abastecimento, que não será VIP.
Não sou perito em avaliação de terrenos ou imóveis, mas acho estranha a isonomia de valores.
O leigo sabe que a área do Verdão, supervalorizada com a presença do casal de elefantes brancos a poucos metros do Centro de Abastecimento, não pode ser comparada em custo à área do Coxipó.
Enfim, é a oportunidade do Estado fazer um bom negócio imobiliário com os pequenos comerciantes.
Esta Copa poderá não deixar para Cuiabá o legado de benfeitorias que tanto necessita a cidade, mas, em compensação, em termos de trapalhadas já temos um extraordinário acervo.
Compra dos jipões russos com pagamento adiantado e negócio desfeito sem o retorno do adiantamento aos cofres públicos.
Negociações para aquisição dos aviões invisíveis.
A história do relógio da Copa e a sua troca.
O local da instalação física da Agência, depois Secretaria da Copa, e a demissão dos três primeiros presidentes e toda a diretoria inicial, fato até hoje não esclarecido.
Substituição do modal aprovado e com recursos orçamentários federais (BRT) para o VLT, de tenebrosa história e conclusão prevista para as festas dos trezentos anos de Cuiabá.
Mudanças do projeto arquitetônico e estrutural do novo estádio de futebol, no mesmo local onde foi demolido o Verdão.
O lançamento da construção da casca da Arena Pantanal para, em uma segunda etapa, em cima da hora, a licitação para o preenchimento da casca bem mais cara e trabalhosa.
Todo esse sacrifício será esquecido com as benfeitorias que deverão ficar para Cuiabá, cuja dívida será paga com o sacrifício das futuras gerações.
Agora é esperar. Entramos na contagem regressiva à espera desse sonho, que não deve ser transformado no grande pesadelo que foi a morte anunciada do trem que não virá mais para Cuiabá.

Gabriel Novis Neves
10-04-2013

quinta-feira, 11 de abril de 2013

PÊTA


O Ministro da Saúde lançou mais um factóide nesse período pré-eleitoral.
Estamos cansados de saber que os maiores problemas da nossa saúde pública são a falta de investimento e vontade política para resolver essa situação de agressão aos direitos humanos dos brasileiros.
Pois bem. Em pleno 1º de abril sua excelência resolve lançar - com toda a pompa que um funeral de primeira classe oferece - o luxuoso “Programa Nacional de Segurança do Paciente”.
Esse programa, como tantos outros lançados ultimamente pelo Ministério da Saúde, não vai vingar. Vai morrer por inanição financeira.
Ele exige investimentos de infraestrutura em serviços hospitalares e treinamento continuado das equipes de saúde. Isso tem um custo, e não é baixo, especialmente na rede assistencial brasileira, totalmente sucateada.
O bem humorado ministro, que é infectologista, disse à seleta assistência que os médicos deveriam se espelhar nos cuidados dos nossos aviadores de modernas aeronaves.
Tudo na aviação é feito tendo como objetivo a segurança dos passageiros.
Esqueceu o ministro que esses profissionais do transporte aéreo são muito bem remunerados, recebem treinamento continuado durante toda a sua carreira, tem horas rigorosas de trabalho e de repouso.
Além do mais, estão sempre trabalhando com máquinas novas, de última geração e em constantes revisões técnicas obrigatórias.
Muito diferente das condições que o governo oferece aos seus médicos e equipes de saúde. O ministro recomenda lavar as mãos antes de qualquer procedimento médico para a “Segurança do Paciente”.
Mal sabe ele que grande parte dos postos de saúde neste imenso território, sofre com a crônica falta de água, muitas vezes cortada por falta de pagamento.
Que os espaços físicos destinados ao atendimento dos pacientes são inadequados, e muitos são hóspedes das macas e do chão dos corredores dos chamados hospitais, que são prédios caindo aos pedaços onde nada funciona.

Os equipamentos são obsoletos ou parados por falta de dinheiro para a sua manutenção.
Não há medicamentos e a limpeza desses locais é uma indignidade.
Essas são as condições oferecidas aos trabalhadores da saúde de um modo geral.
Aqui em Mato Grosso, esse “Programa Nacional de Segurança do Paciente” é a pêta do ano.
É possível exigir um trabalho semelhante aos nossos pilotos quando um médico especialista, após mais de quinze anos de estudos e renúncias, é convidado a trabalhar na rede pública recebendo de salário bruto, depois atender duzentos e quarenta pacientes mensais, cerca de um mil e quinhentos reais?
O cargo está vago. Dificilmente o governo conseguirá contratar bons profissionais para tocar esse projeto demagógico.
O serviço público no país, onde não há falta de médicos, está recrutando médicos em Cuba e na Bolívia, principalmente para tentar preencher seus cargos vagos.
Como exigir Segurança ao Paciente em um Estado onde as OSSs receberam, para atender seis hospitais regionais, cerca de quinze milhões de reais por mês ou cento e oitenta milhões em 2012 quando, nesse período, o repasse da Secretaria Estadual de Saúde para os 141 municípios mato-grossenses foi de apenas cento e cinquenta milhões de reais?
Com essa merreca de recursos é impossível investir em bons profissionais de saúde, oferecendo-lhes condições dignas de trabalho com segurança ao paciente.
Nem pensar em atender as condições mínimas exigidas pela Vigilância Sanitária, Conselho Regional de Medicina e Ministério Público.
Propostas como esse projeto de 1º de abril só servem para desmotivar ainda mais os trabalhadores de saúde que respeitam os seus pacientes e sonham com uma saúde pública de qualidade.
Enquanto isso, eles continuam utilizando os hospitais privados de São Paulo.
Triste deboche com a nossa boa e ordeira gente, que a tudo suporta.
Até quando, não sei.

Gabriel Novis Neves
02-04-2013