sábado, 19 de setembro de 2026

COISAS SIMPLES

 

O menino não precisava de muito para considerar um dia feliz.

 

Uma fruta colhida no quintal, uma conversa na calçada, um pedaço de bolo, uma brincadeira com os amigos ou alguns minutos ao lado dos pais eram suficientes.

 

Somente muitos anos depois compreenderia a riqueza daqueles momentos.

 

A vida lhe ofereceria coisas maiores e mais sofisticadas, mas poucas teriam o mesmo sabor das pequenas alegrias que quase nada custavam.

 

Lembro-me dos aniversários dos meus filhos ainda pequenos, festejados em casa com os amiguinhos e preparados pela Regina.

 

Também me recordo da recepção do casamento religioso de nossa única filha, realizada em casa, e das reuniões de família no Natal, no Ano-Novo e em outras datas especiais.

 

Tudo muito simples.

 

E talvez por isso mesmo tão inesquecível.

 

Hoje, aos sábados, reúno a família para o almoço.

 

Falo pouco e observo muito.

 

Gosto de acompanhar o crescimento dos meus bisnetos, cada um mais bonito e carinhoso que o outro.

 

Quando, por algum motivo, eles não aparecem, parece que falta alguma coisa. Minha semana fica incompleta.

 

A vida no campo também ensina que felicidade não depende de luxo.

 

As crianças da roça descobrem alegrias que não estão nas vitrines: uma árvore, um bicho, um rio, uma brincadeira inventada.

 

Num mundo cada vez mais consumista, talvez esteja ficando difícil ensinar às crianças que algumas das maiores riquezas da vida não têm preço.

 

Muita coisa a gente aprende com o passar dos anos.

 

Aos noventa e um anos compreendo ainda melhor os grandes professores que foram meus pais, e o valor dos ensinamentos que me deixaram.

 

Aprendi com eles a gostar das coisas simples. Talvez por isso eu também procure escrever assim: com simplicidade, memória e coração.

 

Gabriel Novis Neves 

14-09-2029



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