Antes das coleiras sofisticadas e dos adestramentos modernos, bastava um assobio para o cachorro aparecer correndo.
O menino aprendia cedo aquele chamado especial que somente o animal reconhecia.
De longe surgia o companheiro de todas as aventuras, abanando o rabo como se reencontrasse um velho amigo.
Entre os dois existia uma amizade silenciosa, construída diariamente pelos caminhos, quintais e brincadeiras da infância.
Na roça, o assobio sempre foi uma forma simples e eficiente de comunicação entre pessoas e animais.
Até hoje, técnicos de futebol utilizam o assobio e gestos para orientar seus jogadores durante as partidas.
E, pelo visto, eles entendem perfeitamente o recado.
Havia diversas maneiras de assobiar.
Alguns usavam dois dedos, um de cada mão; outros dois dedos da mesma mão.
O som era forte e podia ser ouvido à grande distância.
Aprendi cedo a assobiar, imitando os mais velhos durante as brincadeiras no mato, quando aquele som ajudava a reunir o grupo ou evitava que alguém se perdesse.
Nunca consegui, porém, fazer o famoso assobio com os dedos nos cantos da boca, capaz de produzir um som ainda mais potente.
O assobio continua vivo em nosso cotidiano. Chama pessoas, reúne cães, imita o canto dos pássaros, serve de alerta, acompanha canções e até faz parte de partituras musicais.
Conheci maestros que, enquanto regiam uma orquestra, assobiavam discretamente acompanhando a melodia.
Quando o assobio imita um pássaro, muitas vezes provoca o voo imediato das aves mais próximas.
Poucas habilidades eram aprendidas tão cedo quanto assobiar.
Um gesto simples, sem custo algum, que atravessou gerações sem perder sua utilidade.
A tecnologia transformou quase tudo ao nosso redor, mas não conseguiu substituir esse antigo costume.
E, para chamar um cachorro amigo, continua bastando um bom assobio.
Gabriel Novis Neves
21-07-2026
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