sábado, 18 de janeiro de 2025

SILÊNCIOS DE DOMINGO

 

Os dias da minha semana são cheios de ruídos, do amanhecer ao anoitecer, mesmo vivendo no vigésimo andar de um edifício em área residencial.

 

Durmo com portas e janelas fechadas, enquanto o som suave do ar-condicionado, ajustado a 19 graus, mantém o ambiente fresco e silencia os barulhos externos. Só trovões e raios, raros por aqui, conseguem atravessar essa barreira.

 

Tenho um certo apreço por chuvas torrenciais e barulhentas durante o dia. São espetáculos que gosto de observar e ouvir, mas o teto de concreto do apartamento me priva da experiência simples e deliciosa de escutar a chuva calma batendo nas telhas, como era na casa da rua do Campo, onde vivi.

 

Quando retornei do Rio de Janeiro para exercer a medicina, os tetos das casas já eram forrados de madeira, e os tempos das goteiras e dos borrifos de chuva se tornaram apenas memória.

 

Ao despertar, desligo o ar-condicionado, abro as janelas e me debruço no parapeito de mármore. De lá, contemplo o sol emergindo no horizonte, anunciando um novo dia.

 

Os galinheiros das redondezas entram em festa com o canto dos galos. Cães vadios celebram a manhã com latidos, enquanto procuram companhia. Morcegos, cansados da noite, recolhem-se aos seus esconderijos, prometendo voltar ao cair do dia.

 

Os pássaros, sempre alegres, brindam os ouvidos humanos com seus cânticos, que muitos tentam, inutilmente, imitar.

 

Os caminhões da coleta de lixo, que passam pela madrugada, deixam atrás de si um ruído familiar. O amanhecer chega acompanhado do ronco dos motores: ônibus, carros e motos, todos apressados em ocupar o asfalto.

 

De vez em quando, o barulho de um avião corta o céu, e sempre me fascina pensar na grandiosidade do “mais pesado que o ar” voando sobre nós.

 

Pássaros visitam meu jardim, e as pombas, sempre fiéis, procuram um refúgio seguro para seus ninhos, como a soleira da janela do meu escritório. É a natureza nos ensinando, discretamente, a alegria das coisas simples, como o pôr do sol.

 

Mas o domingo chega diferente. Pela manhã, o silêncio das ruas me assusta. É como se a cidade, cansada do barulho incessante, tirasse uma pausa para respirar.

 

Os moradores urbanos, habituados ao som constante da vida moderna, talvez não entendam o privilégio daqueles que vivem no campo: o som puro da natureza, o espetáculo do nascer do sol e a mágica despedida de sua luz no poente.

 

Gabriel Novis Neves

29-12-2024





sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

O ANO NOVO COMEÇOU


Alguns dizem que o ano só começa após o Carnaval. Outros esperam a Semana Santa ou até as festas juninas.

 

Para mim, ele começa no Dia de Reis, quando os ecos do Natal ainda permanecem na memória, mas os boletos começam a ser pagos: presentes, salários, condomínio, farmácia e tantas outras lembranças do fim de ano.

 

Nesse início de ciclo, aeroportos e rodoviárias se enchem de vidas, de despedidas e reencontros. Pessoas que vêm e vão, cada uma em busca de um destino que lhes alimente a alma.

 

Os mais extravagantes viajam para longe, em busca de belezas exóticas e distantes.

 

Mas eu, em 1982, encontrei encanto aqui mesmo, visitando todos os municípios de Mato Grosso. Fui conquistado pela história, pelo povo e pelas paisagens naturais que só esse solo guarda.

 

Vi cidades nascendo, uma visão rara e pulsante, impossível de ser encontrada nas nações mais antigas da Europa, Ásia ou Austrália. Enquanto lá é o passado, aqui é o futuro, vibrante e promissor.

 

Quem pode resistir ao charme do Vale do Araguaia, com suas pequenas cidades, discretas no tamanho, mas gigantes na produtividade do agronegócio? A paisagem é um quadro vivo, um refúgio para o olhar cansado.

 

Barra do Garças exala um charme que transcende palavras.

 

Na Amazônia mato-grossense, surgem cidades que são polos de desenvolvimento, entrecortadas por cachoeiras e cercadas pela exuberância da selva.

 

O polo de Barra do Bugres, com seu traçado rodoviário que conecta até Tangará da Serra, dá vida a um mosaico de cidades jovens. Tangará, por sua vez, é um exemplo de modernidade, com serviços de qualidade e forte presença educacional.

 

Sinop, jovem e promissora, desponta entre as dez maiores cidades do Estado, coroada com um curso federal de medicina. É a capital do Nortão, dividindo sua importância com Alta Floresta, Sorriso e Primavera do Leste.

 

Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, com seus vastos campos de soja, milho e arroz, espelham o vigor do agronegócio, enquanto Cáceres e seu entorno revelam o esplendor natural e histórico.

 

Vila Bela da Santíssima Trindade, a primeira capital de Mato Grosso, guarda memórias preciosas.

 

E que dizer do entardecer no rio Paraguai? Em Cáceres, o espetáculo é de tirar o fôlego, como uma tela que o Criador pintou com cores mágicas.

 

Rondonópolis, terceira maior cidade do Estado, une pioneirismo e progresso. Seu comércio e serviços pulsantes, somados à Universidade Federal de Rondonópolis e ao curso de medicina, a tornam um marco regional.

 

Jaciara, Juscimeira, Alto Araguaia… são recantos onde a beleza da natureza descansa os olhos e alimenta o coração.

 

A Grande Cuiabá, formada por Cuiabá e Várzea Grande, traz o contraste entre tradição e modernidade, banhada pelo rio Cuiabá. Esse rio, que antes de desaguar no Pantanal, abraça cidades históricas como Santo Antônio de Leverger e Livramento.

 

Chapada dos Guimarães, um dos maiores tesouros de Mato Grosso, é um convite permanente ao encantamento. Suas cachoeiras, mirantes e o clima ameno a tornam um santuário para a alma e um destino reconhecido internacionalmente.

 

Mato Grosso é pujante e grandioso. Sua riqueza econômica se reflete na gastronomia farta e nos serviços bem estruturados.

 

Ainda assim, os que saem do Estado em busca de novos horizontes talvez não percebam que aqui reside um tesouro inigualável.

 

Que o novo ano nos permita olhar mais profundamente para as belezas que nos cercam e valorizar a terra que nos acolhe com tanto vigor e generosidade.

 

Gabriel Novis Neves

06-01-2025




quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

JANEIRO, O MÊS DO RENOVO


Janeiro chega como um visitante inesperado.

 

Não bate à porta, não pede licença.

 

Ele aparece logo após as luzes piscantes do Natal e os ecos da contagem regressiva de Ano Novo.

 

Sem cerimônia, traz consigo promessas frescas e um ar de recomeço.

 

É um mês que respira esperança.

 

Suas manhãs têm o cheiro de folhas novas e suas tardes são quentes como abraços demorados.

 

Janeiro é o momento de sentar à mesa da vida com um café na mão e um caderno em branco à frente.

 

É tempo de refletir sobre o que passou e, com certa ousadia, planejar o que está por vir.

 

Nas cidades, o movimento recomeça.

 

As ruas, antes silenciosas durante as festas, ganham de volta o som dos passos apressados e dos cumprimentos entre vizinhos.

 

Mas, enquanto isso, nas praias, o cenário é outro: pés descalços, risos soltos e o som constante das ondas que parecem cantar sobre a eternidade.

 

O sol de janeiro é um convite à renovação.

 

Ele aquece a pele, mas também algo mais profundo, lá dentro, onde guardamos nossos desejos e sonhos.

 

As chuvas inesperadas, que caem sem aviso, são como lembretes de que nem tudo é controlável – e está tudo bem assim.

 

Virar a página do calendário é, para muitos, um ato simbólico, quase um ritual.

 

Deixamos o peso do ano passado na borda da estrada e carregamos conosco apenas a bagagem leve: os aprendizados, os encontros e, porquê não, os sorrisos que ficaram?

 

Janeiro nos dá a chance de reacender velhos sonhos e até inventar novos.

 

É um tempo de votos simples e sinceros: “Que seja um ano melhor”, dizemos a nós mesmos e aos outros.

 

Mas, no fundo, é mais do que isso.

 

É o desejo de que sejamos melhores. Mais leves, mais corajosos, mais generosos.

 

Enquanto o ciclo começa, respiramos fundo e seguimos adiante.

 

Janeiro nos lembra que a vida é feita de inícios, e que cada amanhecer é uma nova oportunidade de tentar, falhar, aprender e, acima de tudo, viver.

 

Que o mês do renovo nos ensine que, mesmo em meio à rotina, é possível encontrar magia.

 

Que nossos dias sejam iluminados, não apenas pelo sol, mas pela luz que carregamos dentro.

 

Afinal, janeiro é apenas o começo, e o restante do ano ainda é uma promessa esperando para ser cumprida.

 

Gabriel Novis Neves

14-01-2025




N.E.: JANUS ou Jano, o deus de Janeiro

Janeiro, o primeiro mês, era dedicado a Jano um dos mais antigos deuses de Roma e sem equivalente na mitologia grega. Em sua honra, eram celebradas as januálias no começo de janeiro. Todo dia primeiro de cada mês era-lhe, também, dedicado. 

Jano presidia os começos: o início do ano, de uma empresa, negócio ou obra. Intervinha nas ações dos deuses e dos homens. Era o deus das decisões e das escolhas. 

Mas todo começo contêm, em si, o fim e por isso Jano era representado com duas faces contrapostas: uma envelhecida com barba e outra jovem. Elas simbolizavam, respectivamente, o passado e o futuro. Podia ser representado, também, com uma face masculina e outra feminina, provavelmente simbolizando o Sol e a Lua. 

Jano era o deus das transformações e das passagens, marcando a transição e a mudança de um estágio a outro. Dia 1º de Janeiro, “a porta que abre o ano”, continha o ano velho que se encerrou e o ano novo com todos segredos do futuro. Jano era responsável por abrir as portas ao ano novo.

 https://ensinarhistoria.com.br/ano-novo-1-janeiro/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues




quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

PROLIFERAÇÃO DOS CURSOS SUPERIORES

 

A proliferação dos cursos superiores no Brasil tem levado muitos egressos das faculdades a desempenharem tarefas que não exigem formação acadêmica, configurando um evidente desvio ocupacional.

 

Mesmo em áreas tradicionalmente prestigiadas, como Direito, Engenharia Civil e Medicina, a situação não é diferente.

 

Abrir faculdades particulares tornou-se um excelente negócio no país.

 

Cobram-se mensalidades altas e, muitas vezes, utilizam-se do FIES (Fundo de Financiamento Estudantil) como base de sustentação.

 

Os alunos carentes recorrem ao FIES, contraindo dívidas com a Caixa Econômica Federal, que repassa às universidades o valor integral das mensalidades logo no início do ano letivo.

 

Ao concluir a graduação, muitos desses egressos enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho formal.

 

Muitos optam por disputar cargos públicos, mas sem enfrentar concursos.

 

Não conseguindo uma colocação, acabam se submetendo a empregos que não exigem formação superior

 

Um exemplo recorrente é o de motoristas de aplicativos como Uber, formados em áreas como Agronomia, Letras, Engenharia Florestal, Direito, Administração, Engenharia, Jornalismo e outras.

 

Na área da saúde a entrada no mercado de trabalho ocorre em geral pelo SUS, cujas tabelas de remuneração são vergonhosamente baixas.

 

Atualmente o SUS paga cerca de R$ 317,00 por um parto normal e R$ 443,00 por uma cesariana.

 

Uma cirurgia para retirada do estomago custa R$ 496, 52, enquanto uma consulta é remunerada por apenas R$ 10,00.

 

Em contrapartida uma consulta via Unimed alcança R$77,00.

 

Outros procedimentos médicos poderiam ser citados, mas esses exemplos são suficientes para ilustrar o cenário crítico.

 

Enquanto o Brasil não instituir a profissão de médico de Estado, com regulamentações semelhantes às dos militares e do Poder Judiciário, continuaremos a enfrentar esse quadro vergonhoso.

 

Temos uma concentração de médicos nos grandes centros urbanos, enquanto várias cidades do interior permanecem desassistidas, agravadas pelo despejo anual de novos profissionais no mercado, muitos destinados ao subemprego.

 

É urgente a criação da profissão de médico do Estado.

 

Enquanto isso, pagarei R$ 1.800 a um pedreiro com instrução primária para consertar um vazamento no banheiro do apartamento embaixo do meu

 

O serviço levará cerca de quatro horas.  

 

Depois, o gesseiro arrumará o pedaço do teto que foi aberto, e terei que pagar R$ 700 por isso.

 

Curiosamente, os milionários que conheço não possuem curso superior, assim como o Presidente da República.

 

Fica a pergunta: vale a pena estudar para viver no Brasil?

 

Gabriel Novis Neves

13-01-2025





terça-feira, 14 de janeiro de 2025

COMENTÁRIOS DOS LEITORES


Uma amiga escritora, com vários livros publicados, confessou que acredita que seu último trabalho não agradou ao público, pois não recebeu os comentários que esperava.

 

Eu, por outro lado, nunca publiquei um livro impresso.

 

Tenho quase 3.700 crônicas sobre o cotidiano, todas disponíveis no meu blog Bar do Bugre.

(BAR DO BUGRE NA INTERNET)


Minha experiência de 16 anos como cronista me ensinou que são poucos os leitores que comentam sobre o que escrevo.

 

Quem me ‘inventou’ como escritor foi o Dr. João Nunes da Cunha Neto, advogado da empresa da qual eu era sócio.

 

Estávamos sempre juntos, e ele um intelectual brilhante no campo do Direito.

 

Com seu escritório movimentado em Cuiabá, João Cunha é também um amante da literatura, da música, e das novas tecnologias.

 

Além disso, canta em festas familiares, é um grande amigo e excelente conversador.

 

Um certo dia mostrei a ele alguns textos que escrevi para preencher o vazio da minha precoce viuvez.

 

Gostou tanto que, algum tempo depois, criou dois blogs para publicar as minhas crônicas: o G.N.N. Cultura e o Bar do Bugre.

 

Optei pelo Bar do Bugre, que homenageia meu pai e está mais alinhado com a minha trajetória de vida.

 

Já o outro blog me afastava das minhas raízes não acadêmicas.

 

Por não me considerar uma pessoa de grande cultura, recusei várias o convite para ser membro da Academia Mato-Grossense de Letras.

 

O Dr. João Cunha é o editor fundador do blog e o responsável pelo seu visual, muito elogiado pelos leitores.

 

De uns tempos para cá, deixei de escrever sobre política e futebol, temas que abordava com frequência — hoje escrevo só esporadicamente.

 

Envio minhas crônicas para amigos por meio das listas de transmissão.

 

Os comentários que recebo são raros, muitas vezes breves ou apenas em forma de memes.

 

Confesso que também não costumo comentar tudo o que recebo por e-mail ou WhatsApp.

 

Por isso, digo à minha amiga escritora para não se preocupar com a ausência de comentários.

 

Com as tecnologias, as pessoas ficaram mais caladas.

 

No caso dos livros, o futuro parece ser aguardar um resumo no TikTok.

 

Gabriel Novis Neves

10-01-2025





segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

MINHAS REFEIÇÕES


Fui criado com seis refeições diárias, e na época os moradores da minha cidade seguiam o mesmo exemplo.

 

Ao acordar, guaraná ralado ou um cafezinho, seguido de café com leite e pão com manteiga.

 

Às 10 horas, era a merenda, geralmente uma fruta dos quintais.

 

O almoço acontecia ao meio-dia e consistia apenas no prato principal, rico em proteínas animais e carboidratos.

 

Naquela época, o cuiabano não gostava de saladas de verduras e legumes.

 

Apesar do rio Cuiabá ser rico em peixes, a preferência do cuiabano era por carnes bovinas e suínas. A carne de frango caipira era a segunda escolha.

 

No almoço, o pacu, dourado, matrinxã, pintado, piraputanga, e caldo de piranha eram comuns.

 

Arroz, feijão mulatinho, macarronada, farofa de vários tipos, batata e banana frita, além de torresmo, nunca faltavam na mesa do cuiabano.

 

A sobremesa era feita pelas donas de casa, com muito carinho.

 

Na merenda da tarde, era comum salgadinhos, bolos e suco de frutas caseiras.

 

No jantar, não podia faltar sopa de macarrão ou de batata-doce, acompanhada de pão francês quentinho.

 

Meu pai sempre jantava um copo grande de nata de leite e um sanduíche com pão, manteiga, queijo, salaminho e presunto, e a meninada o acompanhava nesse lanche.

 

A sobremesa era uma xícara de café para os adultos.

 

O lanche antes de dormir para a garotada, um copo de café com leite e pão francês com manteiga e açúcar.

 

Quando fui estudar o terceiro grau, adquiri novos hábitos alimentares.

 

Fui obrigado a me acostumar com as refeições das pensões e do restaurante universitário, onde a comida vinha em bandejões de alumínio, com pequenas divisórias, sobremesa e copo de papel com leite gelado.

 

Nos plantões dos hospitais, as refeições eram simples, mas a ceia sempre era esperada — galinhada com arroz.

 

Esses hospitais tinham cantinas terceirizadas, e lá descobri a pizza napolitana, comprada por fatias, e o famoso ‘sanduíche de bauru’.

 

Quando voltei à minha cidade natal, passei a me alimentar de tudo, exceto peixe cru.

 

Minhas refeições hoje:

 

Ao acordar, tomo uma xícara pequena de café quente. Depois, como meio mamão-papaia gelado com colher de sobremesa, e uma xícara de café com leite quente, acompanhada de quatro petas.

 

Às 10 horas, uma laranja gelada, fatiada e sem caroços, em prato de sobremesa.

 

No almoço, tenho um prato feito pela cozinheira, começando com uma salada de folhas verdes, rodelas de tomate, palmito, azeitonas verdes, castanhas-do-pará e caju, regadas com azeite, vinagre ou limão.

 

A sobremesa é uma fruta gelada, que pode ser manga, melancia, melão, fruta-do-conde ou uma salada de frutas.

 

À tarde, a merenda é maçã ou pera gelada.

 

No jantar, uma tigela com dois ovos cozidos e temperados com sal, acompanhado de uma xícara de café com leite, pão integral com manteiga, presunto e queijo branco na sanduicheira.

 

A sobremesa são dez ameixas pretas com caroços.

 

Antes de dormir, como uma banana-prata.

 

Gabriel Novis Neves

13-01-2025





É BOM ENVELHECER


Quem gosta de escrever sabe: às vezes, a inspiração vem com força e as palavras parecem não querer parar.

 

Logo cedo, levanto da cama, tomo meu café e vou direto para o computador.

 

Ligo a máquina, abro o Word, e as palavras começam a surgir na tela, formando frases cheias de significado.

 

Escrevo com pressa, temendo que algo se perca na enxurrada de ideias que ocupa minha mente.

 

Deixo que elas fluam, conduzidas pelo toque do meu dedo indicador no teclado do laptop.

 

Se sinto que o texto o texto vale a pena, sigo até o fim, sempre pensando no blog do Bar do Bugre, onde tudo ganha forma e beleza.

 

Enquanto escrevo, busco um título que desperte a curiosidade do leitor, algo que o prenda e o convide a continuar.

 

Às vezes, fico com a sensação de estar ‘num mato sem cachorro’, mas insisto — a narrativa não pode se perder.

 

Telefonemas interrompem meus pensamentos, com paciência, consigo retomá-los.

 

Brincar com as palavras e com as teclas virou uma deliciosa companhia, um passatempo que descobri na fase mais madura da minha vida.

 

Antes, minhas horas eram preenchidas pelo trabalho técnico, e mal sobrava tempo para a família.

 

Hoje, olhando para trás, vejo que tudo aconteceu como deveria.

 

O tempo não volta, e aceito isso com serenidade.

 

Afinal, como dizem, ‘Deus dá o frio conforme o cobertor’.

 

Às vezes, me pergunto: e se tudo isso tivesse acontecido de outra forma?

 

Mas aprendi a valorizar a simplicidade do presente, especialmente com saúde.

 

Já não sinto mais necessidade de viajar ou frequentar restaurantes badalados, coisas que marcaram minha juventude.

 

Agora, tudo que preciso está ao meu alcance, graças as tecnologias modernas.

 

Assisto a jogos de futebol, filmes, documentários, noticiários, tudo confortavelmente deitado na minha cama.

 

Converso com amigos, faço transferências bancárias, pago contas, e até admiro as flores do meu jardim — tudo pelo celular.

 

Não perco reuniões online, e até mesmo os técnicos de manutenção do apartamento são chamados por vídeochamada.

 

É também assim que mantenho contato com meus filhos, netos e bisnetos.

 

Ao terminar este texto, percebo que já sei qual o título perfeito para ele:

 

É bom envelhecer!

 

Gabriel Novis Neves

07-01-2024