terça-feira, 4 de agosto de 2026

BORBOLETAS


Encontrar uma borboleta colorida era suficiente para interromper qualquer brincadeira.

 

O menino acompanhava seu voo leve entre flores, arbustos e árvores, admirando a delicadeza daquele pequeno ser.

 

Sem perceber, aprendia que a natureza oferecia espetáculos gratuitos todos os dias, bastando ter tempo, curiosidade e olhos atentos para descobri-los.

 

No terraço do meu apartamento mantenho um jardim bastante florido, que atrai borboletas das mais variadas cores.

 

Gosto de apreciar a dança delicada desses pequenos seres, que distribuem vida e beleza pelo jardim.

 

É um espetáculo que a mãe natureza nos oferece gratuitamente, todos os dias.

 

O meu encantamento pelas borboletas começou muito cedo.

 

Morava na rua de Baixo quando conheci e passei a frequentar o Museu da Borboleta.

 

Ele ficava no início da rua dos Porcos.

 

Seu proprietário era o juiz federal Dr. Eufrásio, pernambucano que veio servir em Cuiabá.

 

Minha mãe, dona Irene, logo fez amizade com sua esposa, e as duas se tornaram grandes amigas.

 

Nas visitas frequentes, eu sempre a acompanhava.

 

Foi nessa época que conheci o museu e me apaixonei pela beleza das borboletas coloridas.

 

O museu ocupava a sala da frente da casa, à esquerda do corredor de entrada.

 

Dr. Eufrásio tinha a paciência de conversar com um menino de apenas seis anos de idade sobre a vida das borboletas.

 

Também era conhecido como um dedicado colecionador, preservando com extremo cuidado os exemplares que enriqueciam seu belo museu.

 

Ao aposentar-se, retornou à sua cidade natal, a distante Recife.

 

Nunca mais tive notícias daquele museu.

 

Desconheço qualquer iniciativa pública semelhante em nossa cidade.

 

A universidade possui vários museus, mas não sei se existe um dedicado às borboletas.

 

Tenho a impressão de que o antigo curso de História Natural mantinha algo parecido.

 

O zoológico da universidade, tão apreciado por pesquisadores e crianças, foi fechado por falta de recursos federais.  

 

Quem sabe um Museu das Borboletas pudesse surgir para humanizar ainda mais o campus e despertar, nas novas gerações, o mesmo encantamento que despertou em mim quando era menino.

 

Fica a minha sugestão.

 

Gabriel Novis Neves

30-07-2026




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