quinta-feira, 30 de abril de 2026

MUITOS MODOS DE AMAR


Pai nenhum demora a perceber que os filhos não amam todos da mesma forma.

 

Um demonstra no cuidado prático; outro, na palavra carinhosa; outro, na presença discreta; outro, no telefonema inesperado.

 

O amor, mesmo dentro da mesma casa ou da mesma família, nunca veste roupa igual.

 

Com o tempo, aprendemos a reconhecer a linguagem própria de cada filho e a entender que, por trás de modos tão diferentes, pulsa o mesmo sentimento verdadeiro.

 

O cuiabano, muitas vezes, usa seu próprio vocabulário para demonstrar o sentimento de amar: encabulado, envergonhado, tímido, quase incapaz de pronunciar uma palavra de carinho.

 

O pai entente isso e procura tratar cada filho da mesma maneira, sempre com muito amor.

 

Com o crescimento das crianças podem ocorrer mudanças radicais nesse comportamento afetivo, principalmente

 

quando elas permanecem, por longos períodos, distantes do seu núcleo familiar.

 

A criança tem um poder de imitação incrível.

 

Bastaram seis meses morando no Rio de Janeiro para algumas retornarem com sotaque carioca.

 

Este sotaque é rico em chiados ao pronunciar as palavras, fazendo esquecer, às vezes por completo, o nosso linguajar cuiabano, que acho tão bonito e cheio de ensinamentos!

 

Ele nos dá noções de distância e até nos ajuda a respirar melhor quando a conversa acontece numa cidade de clima quente como Cuiabá. Também aprendem a exteriorizar sentimentos antes inibidos.

 

Os estudiosos procuram explicar a dificuldade da população cuiabana em demonstrar seus sentimentos mais nobres.

 

Desde crianças, éramos obrigados a pedir benção aos nossos pais.

 

Com o crescimento, muitos abandonam essa manifestação.

 

Eu não me lembro de ter sido beijado pelo meu pai, nem de tê-lo beijado.

 

Talvez fosse pela nossa diferença de idade.

 

Quando nasci, ele já era idoso.

 

Com minha mãe, o tratamento afetivo foi totalmente diferente.

 

Havia mais proximidade, mais doçura, mais liberdade para o carinho.

 

Na minha casa, cada filho tem seu modo próprio de amar os pais.

 

Uns falam pouco, mas estão sempre atentos.

 

Outros demostram afeto em pequenos gestos.

 

Há os que telefonam, os que visitam, os que resolvem problemas, os que se preocupam em silêncio.

 

Aprendi, com a idade, que o amor dos filhos não deve ser medido pelo barulho que faz.

 

Às vezes, ele mora numa palavra breve, num olhar de cuidado.

 

Cada filho ama do jeito que sabe.

 

E o coração de um pai aprende a entender todos esses idiomas.

 

Gabriel Novis Neves

26-04-2026




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