quarta-feira, 14 de março de 2012

SIM E NÃO


Está havendo abuso em dizer-se sim, quando sim é não; e não, é sim. O sim moderno nunca foi só uma afirmação, aprovação, consentimento ou ato de consentir. Assim como o não, não está sendo usado apenas como sinônimo de negação ou recusa.
Nos tempos atuais, quando o sim ou o não, são ouvidos como resposta, para ter validade, há necessidade de, pelo menos, uma quarentena de puérpera - que nos meus tempos de criança era rigorosamente de quarenta dias.
O mês de janeiro, geralmente conhecido como mês oficial de férias, é o terror dos jornalistas que fazem cobertura nos poderes da república.
Os prédios chapas-brancas de todo o Brasil ficam às moscas. Um ou ouro vigilante de firma terceirizada, às vezes, dá o ar da sua graça caminhando a passos lentos pelas calçadas do poder, ou sentados nos banquinhos de madeira que só os vigilantes possuem.
O escrevinhador do cotidiano esteve aqui, e detectou um janeiro riquíssimo de assuntos - difíceis de resumir em um artigo.
Posso dizer, com a maior segurança, que nunca, jamais, na história deste Estado de Mato Grosso, houve tanto sim transformado em não, e não em sim.
“Governo anuncia que o Fan Fest da FIFA será no lugar onde o papa João Paulo II realizou a Missa Campal quando esteve em Cuiabá em 1991, na região da Morada do Ouro.”
Foi o sim do governo, após profundos e detalhados estudos da ex-Agecopa, aprovados pela FIFA.
Bastou uma lembrancinha dos evangélicos, que essa escolha privilegiava os católicos, para, em menos de vinte e quatro horas, o solene sim virar um não definitivo.
O Fan Fest será realizado no Porto, no antigo Parque de Exposição Agropecuária.
O que o governo gastou na elaboração do projeto e nas horas técnicas para a decisão do sim virar não, é preferível esquecer, pois somos um Estado rico e endividado.
Decisão do governo: “A Defensoria Pública este ano não terá um vintém de aumento no seu deficiente orçamento.”
Municípios como, Marcelândia, Terra Nova do Norte, Apiacás, Feliz Natal, Itaúba, Matupá, Nova Monte Verde, Nortelândia, Rosário Oeste, Tapurah e Vera, ficarão desassistidos, entre outros municípios, da justiça gratuita.
O Ministério Público Estadual, acatando pedido da juíza de Marcelândia, determinou que, no prazo de quinze dias, a Defensoria coloque defensor em seu município. Caso contrário, o Chefe da Defensoria será punido por crime de responsabilidade. É um não que será transformado em sim.
A Defensoria solicitou recursos ao governo para não deixar as comarcas sem defensores. O governo alegou a crise internacional para dizer não. A justiça ameaça o defensor.
É fácil adivinhar o que irá acontecer. “Um dos últimos diretores da Agecopa, nomeado no governo anterior com mandato de quatro anos, disse não ao governador, quando a sua vontade era de dizer sim.”
“O leigo secretário municipal de saúde disse não aos neurocirurgiões do Pronto Socorro e, ainda por cima dizem - e eu não acredito - passou uma descompostura nos médicos. Até quantas mortes irá suportar, para dizer sim?”
“O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), disse não ao governo, e fui informado que o sim está encomendado.” O secretário Estadual de Saúde estava acumulando essa função com a de deputado federal e disse que não estava irregular em suas funções.
Assinou atos que foram publicados no Diário Oficial, concedeu entrevista coletiva à imprensa explicando porque somos o primeiro lugar no Brasil em hanseníase, despachou com o pessoal das OSS, enfim, fez tudo que um eficiente secretário faz.
Veio a denúncia de acúmulo de cargos. O sim virou não. O governador tornou sem efeito os atos publicados, em um não de reprovação. No momento procuram-se os culpados pela publicação indevida...
Para não ficar pior a situação, escolheu uma viagem para uma consulta médica no SUS dos poderosos, que funciona no Hospital Sírio-Libanês (SP).
Esse gesto reflete que o governo não confia nos serviços médicos daqui, tampouco nas OSS.
Sim e não viraram figuras de retórica dos discursos políticos, e nunca sinal de decisão.
Tempos modernos, onde as palavras são apenas palavras e nada mais.

Gabriel Novis Neves
27-01-2012

terça-feira, 13 de março de 2012

Ser ético


A educação caseira e a influência do meio em que estamos inseridos fazem com que adquiramos um conjunto de valores morais e éticos. Esses valores irão nortear o nosso comportamento na sociedade.
Quando nos falta essa base - principalmente a familiar saudável - ficamos como que ao acaso da vida, tal qual um barco à deriva.
Às vezes conseguimos incorporar valores positivos ao longo da vida, mas é difícil. O mais previsível é uma vida sem caminhos e retornos, ou tortuosos.
Estamos em uma situação muito parecida com aquela do profeta baiano Rui Barbosa no seu famoso discurso - Oração aos Moços.
A mediocridade já se implantou em nosso país em todos os setores, sejam culturais, educacionais, sociais, políticos, econômicos.
Em um quadrado desses é difícil ser ético, talvez em pensamento.
Modernamente, os não éticos principalmente, são generosos na utilização dessa palavra, agora acompanhada de transparência.
A ética e a transparência, massificadas como estão, causam mal estar àqueles que não perderam ainda toda a sensibilidade.
Os éticos que conheci - muitos já nos deixaram - jamais se utilizaram dessas palavras hoje tão banalizadas: ética e transparência.
Reparem nos exaltados defensores e nos propagandistas da ética com transparência, o seu comportamento social geralmente digno de reparos.
É uma vergonha, como diria alguém.
Para ser ético hoje neste país, paga-se um preço altíssimo. Chego mesmo a dizer desanimador. É quase uma renúncia total, para uma vida quase sem interlocutores.
Em alguns momentos, até mandar os escrúpulos às favas não está descartado, embora carregando a cruz do remorso para o resto da vida.
Outros, pelas circunstâncias, pagam penitências por deslizes que jamais aceitaram ter cometidos.
Esses são éticos mais conscientes, que apresentaram pequenas falhas de caráter pela própria condição humana. Mas, logo se redimem.
É penoso manter-se ético em uma sociedade mercantilista, individualista, competitiva, materialista, onde a filosofia predominante é que os meios justificam os fins.
Houve no mundo, e o Brasil faz parte do pedaço não muito sadio do mundo, um esforço planejado, e executado com sucesso, para reduzir a ética em palavra de retórica.
São os tempos modernos, com certeza - diria meu pai ao ler este artigo.
O constrangimento foi banido e não incomoda aos contraventores da ética. Esses só pensam neles.
Parece que é um favor ser ético e, no nosso país, ser ético é quase igual vender a alma a interesses menores - antigamente chamado de diabo.
Quando temos que nos calar, porque todos têm telhados de vidros, só nos resta lembrar que um dia este país foi ético.

Gabriel Novis Neves
14-02-2012

segunda-feira, 12 de março de 2012

UM CORTINHO


A atual ministra do Planejamento repete o que ouvíamos de Gudin, Roberto Campos, Delfim Neto, Simonsen, Reis Veloso, FHC e Malan, só para citar os mais importantes professores e ex-ministros, sobre a economia do Brasil.
A receita do governo popular socialista é a mesma dos chamados governos reacionários da direita.
O método utilizado atualmente no governo participativo em nada difere do governo militar. Dona Miriam repete o que aprendeu com os seus antecessores para salvar o Brasil da falência. Fez, segundo ela, um cortinho no orçamento aprovado pelo Congresso e sancionado pela Presidente de R$ 55 bilhões de reais.
Realmente é um cortinho, pois, com os feriados previstos para este ano, perderemos R$ 45 bilhões, segundo os mais otimistas. Certas coisas em economia eu não entendo e nem irei entender.
Quando dois e dois são cinco, o melhor é não discutir com essa gente de linguajar diferente que é o economês.
O remédio indicado é cirúrgico. E falam que o problema é tão sério, que em vez do bisturi será utilizado a navalha e a tesoura. 
Pelos corredores oficiais, como das outras vezes, dizem que ordens superiores mandam cortar a própria carne dos gastos governamentais.
Pesquisei os órgãos públicos que receberão a  tesourada.
Imaginei que a cirurgia fosse começar pelo Congresso Nacional, Poder Judiciário, Tribunal de Contas, cartões corporativos, excesso de despesas com jatinhos e diárias, número escandaloso de cargos comissionados, os conhecidíssimos e disputadíssimos DAS (Direção de Assessoramento Superior), além da infinidade de contratos de preenchimento temporário.
Nadinha disso. A tesourada acertará benefícios previdenciários, saúde, ministério das Cidades, ministério da Defesa, complemento do FGTS, ministério da Justiça.
O trajeto da tesourada não foi feito por critérios de prioridade. Todos sabem da situação da nossa saúde pública por falta de financiamento público e esse cortinho de 5.4% no orçamento da saúde, ninguém entendeu.
Outro problema é com a nossa defesa, principalmente na fiscalização das nossas fronteiras, na luta com as drogas (3.8%). 
Deixo de comentar o que significa diminuir recursos para os problemas das nossas cidades, o crônico déficit da previdência dos pobres, além de diminuição de subsídios (5.1%), principalmente para a nossa educação.
Em nosso rico Mato Grosso, onde temos tantos reis da produção de alimentos, 90% dos nossos professores do ensino fundamental, ganham abaixo do salário básico do sindicato.
As ruas não se conformam com esse cortinho da Dona Miriam de R$ 55 bilhões como foi feito.
Se não pode mexer no bolso dos poderosos, acabe com os feriados, pelo menos.
Assim como foi feito o cortinho, é uma terrível injustiça social em um governo que diz que faz tudo pelo social.

Gabriel Novis Neves        
25-02-2012

domingo, 11 de março de 2012

Outro aparelho


Vou aproveitar esse feriadão prolongado patrocinado pelo Rei Momo para os DAS, para comprar um novo aparelho de televisão.
Embora a minha atual TV seja nova, ela apresenta um problema técnico que ninguém consegue resolver, muito menos decifrar.
As imagens televisadas que recebo através nossos jornais locais devem ser de outras partes do mundo, que nem sei identificar.
Um amigo da padaria disse-me que tem viajado muito de carro pelo nosso Estado, e que as nossas estradas estão excelentes, bem diferentes das existentes há dez anos.
Tomo o café da manhã assistindo ao noticiário da televisão. Raro é o dia em que o assunto não seja o péssimo estado das nossas estradas.
Vejo o abandono em que elas se encontram, praticamente sem possibilidades de tráfico, e ouço depoimentos de caminhoneiros, passageiros e moradores, das mais diversas regiões – unânimes na reclamação quanto à precariedade das estradas.
É uma verdadeira lástima a cena, e constrangedor os depoimentos daqueles que fazem o desenvolvimento deste Estado.
Essas imagens, proibidas para maiores de idade e pagadores de impostos, são do interior do Estado.
Somos conscientes que muitas dessas obras foram superfaturadas - para manter a nossa democracia, que é a melhor forma de governo para os ricos.
É complicado falar das estradas, avenidas e ruas da Grande Cuiabá. “Caso de polícia e justiça”, como disse certa vez um político mato-grossense.
O Programa Oficial Tapa Buracos provou ser um verdadeiro desperdício de dinheiro público. Andarilho da madrugada que sou, observei o número de vezes que essa operação foi acionada, e o prazo de validade do serviço.
Próximo à minha casa, nos últimos seis meses, três vezes os mesmos buracos foram encobertos, e permanecem abertos. Fazer operação tapa buraco em uma cidade sem rede de esgoto e saneamento básico é jogar dinheiro público pelo ralo.
Um técnico do governo foi convidado por uma emissora de televisão para explicar a pouca durabilidade desses remendos.
Ele explicou que, nos locais sem asfalto e no tapa buraco, o governo utiliza apenas dois centímetros de camada asfáltica. É o famoso asfalto abaixa poeira.
Pois bem. Todos esses fatos eu vejo na minha televisão. Mas, como tenho alguns amigos e conhecidos que insistem em dizer que tudo está na mais perfeita ordem nas estradas e suas similares, acho que o problema é no meu aparelho de TV.  
Interferências ocultas, com certeza. Vou trocá-lo por um de imagem mais pura e real.

Gabriel Novis Neves
06-02-2012

sábado, 10 de março de 2012

REMÉDIO PARA ESTRESSE


Fiz uma rápida viagem para São Paulo. Ouço sempre falar que qualquer viagem, por pequena que seja, ajuda a combater o estresse. Para mim a terapêutica não funcionou, muito pelo contrário, fiquei estressadíssimo.
O estresse começou na ida para o aeroporto. Duas horas antes do horário marcado para o embarque, eu já estava pronto. Mas, vida de caronista não é fácil. Eu era este caronista.
Olhava angustiado as horas se passando, e nada da minha acompanhante e seu motorista chegarem. Por fim chegaram – bem em cima da hora. Fomos para o aeroporto, literalmente, voando.
Trânsito engarrafado – claro! Hora do pico. Pior horário para se trafegar por essas avenidas e ruas estreitas. Dentro do carro só ficava escutando os comandos angustiados da minha acompanhante ao motorista: “vai, vai, vai!” – “corta, corta, corta!” – fura, fura, fura!” – “avança, avança, avança!”
Eu, em silêncio só de olho no relógio. A hora da decolagem do avião vencendo. E o estresse subindo!
Nessas horas o melhor mesmo é o silêncio e a aparente calma, com os dedos da mão direita na artéria radial do braço esquerdo.
Finalmente, chegamos. O alto falante da empresa de aviação anunciava a última chamada para o embarque. Fizemos o chek in rapidinho. Sorte que só portávamos bagagem de mão.
Ao passar pela detecção de metais da Polícia Federal, aquele bendito alarme soou.  Sou obrigado a abrir a maletinha de mão, pois o raio-X detectou um instrumento metálico que lembrava uma bomba de mão. Mas era, tão somente, a minha latinha de creme de barbear. Liberado, entrei no avião. Fui o último passageiro a entrar, apesar de, com certeza, ter sido o primeiro a ficar pronto para a viagem.
Nem acreditei quando, enfim, sentei na minha poltrona. O estresse, a mil por hora. Logo eu, que procuro fazer tudo com calma e com margem de tempo suficiente para evitar a correria do atraso.
Antes, e nos primeiros minutos de voo, o calor na aeronave era insuportável. Aos poucos o calor foi se transformando em um frio indesejável, provocando tosse alérgica em crianças e idosos.
Faltando quinze minutos para o pouso, entramos em uma pequena turbulência. Ordem para afivelar os cintos apareceu no comando eletrônico. Bem nesta hora senti vontade de ir ao banheiro. Fui.
Quando me aproximava do banheiro uma comissária – gentilmente – aconselhou-me a retornar para minha poltrona e obedecer o sinal de afivelar o cinto.
Disse-lhe que, infelizmente não poderia atendê-la, minha necessidade era premente, não tinha alternativa. Ela, após alertar-me do perigo do meu procedimento, me liberou a passagem. Agradeci e, graças ao preparo físico adquirido com meus exercícios físicos diários, consegui fazer com perfeição  manobras de contorcionista.
Retorno à minha poltrona e fico observando a beleza do azul acima das nuvens acinzentadas. As turbinas desaceleram e o momento agora é de furar as nuvens e visualizar a cidade.
Leve trepidação e o trem de pouso do Foker holandês é descido.
Nesse instante, não sei porque, me lembrei dos “Mamonas” - conjunto musical cujo avião se chocou com um dos morros que vejo pela janelinha do avião. Afasto este pensamento.
Pouso perfeito. Desembarque no ônibus e saída rápida do aeroporto, pois a bagagem era de mão.
Táxi para continuação de outra viagem intermunicipal em trânsito caótico. Outro estresse.
Chegamos ao quarto do hotel, sãos e salvos. O coração a mil por hora. Certifiquei-me que, viagem, definitivamente, não é remédio para cura do estresse.

Gabriel Novis Neves
02-03-2012

sexta-feira, 9 de março de 2012

Depressão profunda


Tenho um amigo que é corintiano roxo. Todas às vezes que o seu time vence, imediatamente recebo dele um email com os seguintes dizeres: “depressão profunda.”
Vou ao texto da matéria e encontro apenas anotado o resultado do jogo.
Depressão profunda, nesse caso, quer dizer: alegria, contentamento, satisfação, felicidade e, lógico, uma forte ironia.
A ironia é uma forma de comunicação, geralmente instrumento de gente inteligente. Não é ofensiva, somente irritante para quem a ironia é dirigida.
O remédio para enfrentar essas situações com alto astral é não se esquecer que o bom cabrito não berra.
Acabei de ler a entrevista do novo presidente do tribunal de Justiça de São Paulo na revista Veja.
Entrei em depressão profunda - não no sentido irônico do meu amigo - por ver dissecado, por uma autoridade, o que é o Brasil.
A matéria deixa transparecer a sua idolatria pelos felizardos brasileiros de primeira classe, minoria neste país. Vivemos em uma nação produtora de milionários felizardos, muitos por causas desconhecidas.
Enquanto isso, o trabalhador brasileiro - que sustenta com o seu esforço as castas do poder e ainda dá um duro tremendo para sobreviver:
- sai de casa de madrugada para trabalhar,
- enfrenta uma viagem de trem feito sardinha, bate ponto, descansa após o almoço em horário determinado pelo ministério do Trabalho no chão da obra,
- tem direito apenas a um período de férias por ano, cujo salário é determinado pelo governo federal, e aprovado pelo submisso Congresso Nacional.
Então, quando eu leio a dita entrevista, aí, nesse momento vem a depressão profunda, verdadeira e revoltante.
 É declarado na entrevista o salário cheio de algumas categorias funcionais, sendo todas legais; adiantamento de vencimentos para compra de apartamentos, auxílios de fazer inveja às entidades filantrópicas, e duas férias anuais, sendo uma sempre vendida, por necessidade de serviço.
Longe de eu pensar que o novo presidente do Tribunal de Justiça não tem razão ou está na ilegalidade.
Conceitos emitidos na matéria é que não acho justo, para com a maioria dos brasileiros responsáveis por todos esses pagamentos.
O juiz não pode fumar maconha, disse o presidente do tribunal. Correto. O médico pode fumar?
Comparado o salário total de um magistrado de São Paulo, é pouco comparado com os salários da iniciativa privada, justifica o presidente do Tribunal.
Correto.
Na empresa privada, trabalha-se muito, há necessidade de qualificação e resultados. Do contrário, o executivo, mesmo com currículo fantástico, é demitido ou a empresa vai à falência.
No serviço público, tanto fez quanto tanto faz. No final do mês o holerite chega no dia combinado.
Viver em um país com tantas desigualdades sociais, onde a maioria dos Estados e Municípios está quebrada financeiramente; com salário de um professor do ensino fundamental em alguns Estados, corresponder à metade do salário mínimo; servidores públicos menos útil ao Brasil com salários oficiais de 600 mil reais - dá uma depressão profunda.

Gabriel Novis Neves
09-02-2012

quinta-feira, 8 de março de 2012

PROCURA-SE UM AMIGO


De tempos em tempos, a imprensa noticia a história de um misterioso cheque de um grande empresário a “um amigo”.
Ele foi emitido em 2008, preenchida a data e destinatário em 2010.
Essas datas são importantes e poderão ajudar a desvendar o caso, cuja cobrança está na justiça. Para provar isso o empresário pede uma perícia no cheque.
Em 2008, o empresário foi candidato à prefeitura de Cuiabá, e 2010 um ex-correligionário amigo se candidatou ao cargo mais importante do Estado, contra o empresário emitente do cheque.
Conheço a história de vida do empresário.
Em 2008 estive em sentido contrário politicamente ao seu desejo, pelo conjunto da obra que representava.
Em 2010 fui um dos seus incentivadores.
O valor do “cheque do posto” como ficou conhecido, não discuto.
Hoje o empresário do Coxipó é um dos mais bens sucedidos homens de negócios do Estado.
Diversificou o seu trabalho, e irei chamá-lo de minerador.
Construiu uma trajetória marcada por seriedade e muita credibilidade.
Ele depositou na justiça o valor total do cheque e se dispôs a discutir a dívida que ele não reconhece, além de alegar nunca ter feito compra de combustível ou qualquer outro negócio com o referido posto ou sua proprietária.
Pagar por uma despesa cometida mesmo inflada, não irá alterar o metabolismo das suas saudáveis empresas.
Ganhou patrimônio e  muito, com o seu trabalho, criatividade, modernidade e capacidade técnica. Jamais ocupou um cargo público ou estourou caixas eletrônicas.
O intrigante nessa história, parecida com romances policiais, e que precisa ser esclarecida é o seguinte:
Quem recebeu das mãos do empresário esse cheque de R$ 1,191 milhão, divulgado pela imprensa?
Quem pagou ao posto e recebeu a nota fiscal da quitação da dívida?
Existe uma nota de combustível emitida por este posto?
Por que ela nunca foi apresentada?
Se a cobrança é de um posto de combustível e não tem nota fiscal, estaremos diante  de um fato grave de sonegação.
Quem dos "amigos" de 2008 do empresário e que estão hoje no poder estão envolvidos na trama deste cheque?
Será que este cheque foi dado em caução para "amigos" levantar dinheiro em 2008?
Cheque caução só é proibido por lei no atendimento hospitalar.
Será que estes "amigos" não pagaram este cheque e guardaram para prejudicar politicamente  o “amigo.”?

Por que um cheque de 2008 aparece depositado na época da campanha de 2010, quando o empresário enfrentava os seus "amigos" na campanha de governador?
Dinheiro para pagar o cheque todos sabemos que o empresário tem, aliás, já está depositado em juízo o valor informa a imprensa.
Porque então ele se nega a reconhecer a dívida? 
Por que o posto está cobrando o empresário, e entrou na justiça para receber o que deve segundo o proprietário do combustível, sem esses comprovantes?
Os próximos capítulos dessa minissérie, - “Cheque do Posto,” promete grandes emoções.
O empresário evoca como testemunhas para comprovar que não é devedor, o atual governador do Estado que em 2008 era vice, e estava engajado na sua campanha em cargo de comando.
O secretário de Fazenda da época, cuja razão não consigo entender, e um amigo do tempo das vacas magras, hoje empresário e que como ele, nunca exerceu cargo público.
O empresário acusado de caloteiro disse a imprensa, -  “Irei comprovar que não devo nada em que pese o cheque ser verdadeiro”.
Ficou claro o caso, ou será mais um daqueles crimes sem cadáver?
A opinião pública exige um esclarecimento, pois estão envolvidas personalidades públicas que deveriam estar longe dessa polêmica discussão jurídica não republicana.
Há tempos, a pizza é o prato predileto do brasileiro em situações semelhantes.
Acho que estão preparando uma gigante, para este caso.
São muitos ingredientes indigestos na história do “Cheque do Posto.”

Gabriel Novis Neves           
06-03-2012