segunda-feira, 6 de maio de 2024

RESPOSTA À LEITORA


Uma das minhas comadres, daquele tempo em que o parteiro era convidado para batizar o bebê, leu a minha crônica —‘Sou eu” — e ficou preocupada com o tipo de vida que escolhi como companhia, para meus últimos anos de vida.


Inicia dizendo que escrevi um desabafo, me ‘impondo restrições como não sair de casa, não receber visitas, ver amigos, viver sem o contato físico, levando a tristeza e tédio’.


No final do ‘pito’ ela pergunta se não está enganada!


Minha querida comadre está enganada, graças a Deus.


Ela leu não a um desabafo meu, e sim uma das minhas crônicas diárias sobre o cotidiano.


Não saio às ruas por problemas causados pelas artroses nos meus joelhos.


É uma doença familiar, privilégio da longevidade.


Para deixar meu apartamento tenho que mobilizar uma cuidadora e um motorista, pois uso cadeira de rodas.


Nem sempre tenho esse pessoal à minha disposição a qualquer hora do dia.


Além do mais, o calorão que faz em Cuiabá nos empurra para dentro de casa com refrigeração.


Mesmo assim sou obrigado todos os meses a passar uma manhã no ambulatório do meu plano de saúde para fazer infusão de imunoglobulinas.


Duas vezes ao ano vou ao dentista, cardiologista e oftalmo, todos para prevenção, exigência da idade.


As visitas que fazem questão de ‘me ver’, essas aparecem.


Acontece que aqui chegando se esquecem de voltar para casa, e isso me incomoda pela ‘disautonomia’ que adquiri ao ultrapassar a marca atual da expectativa de vida no Brasil.


Estou acostumado com ‘visita de médico’ e não suportaria ‘tardes de recordações’.


O contato físico é essencial para as pessoas desde que nascem.


O bebê que chora, logo se aquieta pelo aconchego dos braços da mãe.


Até hoje não me foi possível visitar ou receber a visita da minha bisneta Maria Valentina.


Na primeira semana de vida o bebê ainda não desenvolveu anticorpos para se defender dos adultos.


Os idosos também devem se proteger das visitas.


Os contatos físicos ficam por conta dos meus filhos, netos, bisnetos, noras, genro!


Não conseguirei viver sem um abraço caloroso dos meus, e amigos.


Escrever espanta o tédio e não me faz sofrer, fazendo o tempo passar rapidamente.


Minha querida comadre, felizmente errou no comentário da crônica — ‘COMO SOU’!


Gabriel Novis Neves

01-05-2024




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