Não existe dia sem calor em nossa cidade, mas não consegui habituar com esse clima pela manhã, de 38 graus dentro de casa.
O ar refrigerado aqui não é luxo e, sim, uma necessidade.
Estou escrevendo, são dez da manhã e fui obrigado a ligá-lo, e o sol só bate em meu escritório à tarde.
O certo seria, agora que estou aposentado, eu me mudasse para uma cidade brasileira com clima ameno e inverno.
Mas onde está a coragem, pois todo meu suporte familiar e médico, encontra-se aqui?
Já escrevi antes que quando criança dormia sempre com cobertores das Casas Pernambucanas.
Conheci o aparelho de refrigeração familiar quando fui estudar na cidade do Rio de Janeiro.
Nem ventilador usávamos em casa e no bar que meu pai era proprietário e trabalhava.
No meu retorno, médico e casado, comprei um ventilador para o dormitório.
Os automóveis não eram equipados com refrigeração.
A maioria das ruas não era pavimentada e o carro estava sempre com as janelas abertas, entrando o vento quente e poeira.
Os antigos não se queixavam do calor e muitos sempre estavam vestidos de terno completo com gravata e chapéu.
Existiam poucos veículos e a população andava a pé.
Meu pai nunca comprou um carro, por absoluta falta de necessidade.
O primeiro meio de transporte coletivo foram os bondes puxados por animais, ligando pequenos trechos da cidade.
Depois vieram os pequenos ônibus, com bancos de madeira, abertos nas laterais.
Cavalos, carroças e charretes também serviam como meio de transporte, mas o forte era a população caminhar.
Atualmente os historiadores justificam o calorão que esta cidade faz, culpando o progresso sem desenvolvimento social.
Derrubaram os casarões e quintais arborizados da velha Cuiabá, dando origem aos espigões de concreto que dominam a cidade.
Eu acredito estarem com a razão, e mais, os milhares de carros e coletivos, que entulham as ruas, avenidas, viadutos, produzindo a poluição.
Que dia de calor, está hoje!
Gabriel Novis Neves
04-09-2023
Cuiabá, 5 de setembro de 2023, 14.50h |
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.