quarta-feira, 21 de março de 2012

Pernas curtas


Lia um artigo em um jornal local e, diante da ampla e correta matéria, veio-me a lembrança que a “Mentira tem pernas curtas.” Nada mais moderno e sintético para qualificar o descaso do governo com relação aos transplantes renais em Mato Grosso.
Há alguns anos, na troca do poder estadual, um apressado adulador espalhou pela cidade aquele que seria o slogan do novo governo: “Mato Grosso agora tem governo de verdade.”
Era uma crítica ao governo anterior. Na visão dos temporários novos homens do poder, aquele foi um governo de promessas – chamadas de mentiras.
O núcleo duro deste novo governo mandou, imediatamente, retirar das ruas todo o comprometedor slogan, e, após algumas semanas, surgiu o definitivo que nem me lembro qual era. Todos os governos são como farinha do mesmo saco,  dentro dos padrões habituais com as suas variáveis.
Recentemente, elegemos um governo que dizia que vinha “para quebrar paradigmas.” Tudo não passou de “fogo de palha.”
O jornal informa: “Transplantes de rim não são feitos há 2 anos e meio.” Quem não vive a saúde tinha outra impressão com relação, não só aos transplantes de rim, mas também como os de osso, de medula óssea e de córnea.
Há mais ou menos 20 anos, foi realizado o primeiro transplante de rim no ex-Hospital Geral de Cuiabá.
Transplante renal foi realizado também nos hospitais Santa Rosa e Santa Helena. Apesar de todas as dificuldades, chegou-se a fazer 30 transplantes de rim em Cuiabá.
O governo das inovações fechou dois serviços de cirurgia renal, e resolveu patrocinar, com recursos públicos, um centro moderno em hospital universitário privado para atender a capital, o Estado e os nossos vizinhos bolivianos.
Obras físicas foram realizadas e enormes placas marcaram essa conquista, onde, “há 2 anos e meio não são feitos transplantes de rim.”
Recursos públicos e privados foram investidos no banco de ossos, para futuros enxertos. Além da placa de inauguração do banco e do dinheiro gasto pela iniciativa privada estimulada pelo governo, não tenho notícia de nada mais.
O único serviço que funciona de verdade na área dos transplantes, é o da córnea, realizada em hospital privado em convênio com o SUS e amparado financeiramente com recursos de organizações internacionais.
No mesmo jornal, um subtítulo com o democrático título, “outro lado.” O governo, depois das portas arrombadas e da cobrança da imprensa, explica que: “em julho deste ano está previsto a inauguração do Hospital das Clínicas, onde uma unidade de saúde vai realizar transplantes de rim e medula óssea.”
Quem vai tocar esse serviço será uma Organização Social de Saúde. A expectativa da secretaria de Saúde será realizar, por mês, 17 transplantes de rim e 13 de medula óssea.
O hospital das Clínicas está fechado há mais de 10 anos. A sua recuperação é totalmente possível no tempo anunciado, desde que as obras sejam iniciadas - até agora nada foi feito. É necessário também que não ocorra falta de recursos para as obras físicas e para a montagem de laboratórios. Além, é claro, de um corpo clínico habilitado.
A ANVISA é extremamente rigorosa na concessão de alvará para funcionamento de hospitais de alta complexidade, especialmente com o credenciamento dos integrantes das equipes de transplante.
Seria importante para a população do nosso Estado o acompanhamento dessa obra pelos veículos de comunicação.
Afinal, na fila de transplante de rim, oficialmente, existem cerca de 250 pacientes de hemodiálise, que só é oferecida em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Tangará da Serra, Sinop e Barra do Garças.
O pior, é que dizem que o governo não tem dinheiro.
Mentira, realmente, tem pernas curtas.

Gabriel Novis Neves
07-03-2012

terça-feira, 20 de março de 2012

PERFIL TÉCNICO


Os marqueteiros trabalharam muito para transformar o perfil da presidente.
Repetida à exaustão por todos os órgãos da imprensa, ficou a imagem de técnica eficiente e ótima gerentona.
Passado o primeiro ano do seu governo, essa falsa imagem de técnica, gerentona, inflexível em concessões políticas, parece que desapareceu.
Na montagem do ministério inicial, já demonstrou que era mais política que técnica, pelas inúmeras concessões que ela foi obrigada a fazer para governar.
Essa arrumação tem o nome científico de base de sustentação do governo, sem a qual não se faz nada.
Dentre os exemplos mais emblemáticos de que a presidente era política, cito: a nomeação imposta pelo pessoal do Maranhão do velhinho do motel para o ministério do Turismo; da professora derrotada nas urnas, para a Pesca; do homem derrotado no Amazonas para Estradas e tantos outros, em um universo de trinta e oito ministérios.
Os experientes analistas políticos disseram que esse ministério representava votos na Câmara e no Senado e, de técnico, não tinha nada.
Falaram muito em desvios éticos de alguns ministros, que em represália, para salvarem as suas honras, pediram demissão em caráter irrevogável.
O Brasil perdeu os ministros dos Transportes, Casa Civil, Turismo, Esportes, Agricultura, Trabalho, Cidades e Integração Nacional. O da Defesa pediu para sair, por achar o adversário da presidente mais preparado para o cargo de mandatário primeiro desta nação, e, além disso, tinha o hábito de criticar os seus colegas publicamente.
Na fila, empacado com o seu pedido de demissão a pedido - pelo mesmo motivo que os outros -, o ministro do Desenvolvimento. Alguns abandonaram o barco para se candidatarem nas próximas eleições municipais e outros reconheceram a sua incompetência.
Mudou a sua estratégica técnica limpando o segundo escalão. O destaque fica por conta da demissão do presidente da Petrobrás. Professor qualificado para exercer o cargo, fez durante o período de presidente da estatal, mais política partidária que ações técnicas.
Em seu lugar foi colocada uma amiga da presidente, que em 2007 assumiu uma diretoria na Petrobrás.
Acontece que o marido da atual presidente da Petrobrás, quando a sua mulher assumiu aquela diretoria, possuía apenas um contrato com a estatal, revela o ex-senador Arthur Virgílio, e que: “a partir daí, coincidindo com a nomeação da sua mulher para uma diretoria, sua empresa começou a “prosperar.”
“Hoje, o marido da ex-diretora da estatal possui 43 contratos com a Petrobrás, dos quais, 20 foram obtidos sem licitação”, conclui o ex-senador.
Se for esse o perfil técnico, teremos mais alguns anos de pedidos de demissões a pedido, e que a ética vá para o desfile dos escrúpulos do poder.

Gabriel Novis Neves     
10-02-2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

Crack


O governo criou as Unidades de Acolhimento e os Consultórios de Rua - dois braços de atendimento previstos no Programa de Combate ao Crack lançado no ano passado.
Estados e Municípios, além do Distrito Federal, que se habilitarem ao Programa, receberão um incentivo de R$ 70 mil para montar as unidades. As unidades são uma espécie de residência temporária para abrigar usuário de crack e outras drogas, com quartos coletivos, cozinha, copa, banheiro, área de serviço, de lazer e sala de enfermagem.
Publicada no Diário Oficial, a portaria prevê a criação de dois tipos de unidades: uma para adultos, com até 15 vagas, e outra para crianças e adolescentes, com, no máximo, 10 vagas.
As unidades para maiores de 18 anos receberão R$ 25 mil mensais para auxílio de custeio, e as de crianças e adolescentes, R$ 30 mil.
A previsão do governo é de que, até 2014, mais de 500 estabelecimentos deste tipo sejam criados, com recursos de R$ 442,8 milhões.
Pelo menos 4 funcionários terão que permanecer no local nas unidades 24 horas, 7 dias por semana. Um profissional de nível universitário (não necessariamente médico, mas especializado em tratamento de crack, álcool e outras drogas), terá que permanecer todos os dias da semana na unidade, das 7 às 19 h.
As unidades terão de estar vinculadas a um Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas. A estadia dos usuários nas unidades será de, no máximo, 6 meses.
As secretarias responsáveis pela unidade de acompanhamento terão que fazer o controle, a fiscalização e a auditoria dos trabalhos.
O trabalho desempenhado em cada centro será feito de acordo com um projeto feito pelo CAPS (Casa de Apoio Psico-Social) de referência.
Além de abrigo, as unidades deverão garantir a educação dos internos. O usuário poderá entrar e sair livremente da unidade e receber visitas de familiares.
Os municípios e o Distrito Federal, também podem solicitar habilitação para receber recursos destinados à montagem do Consultório na Rua.
Calma pessoal! Este não é o projeto que a secretaria estadual de Saúde encomendou aos especialistas de São Paulo para resolver a calamitosa situação em que se encontra o Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho.
Apenas transcrevi uma portaria do ministério da Saúde sobre o mal que acomete o Brasil e Mato Grosso. E que foi distribuída pela AE de Brasília.
Os governos do Estado e dos Municípios estão tomando alguma providência para se habilitarem a captar esses recursos de Brasília e entregá-los às OSS para administrar os dependentes químicos?
Teremos condições de oferecer essa contrapartida ao governo federal, ou vamos ficar vendo a banda passar?
A prefeitura fez, no final do ano passado, uma festa para apresentar ao ilustre público uma VAN que, desde a sua pintura, mereceu críticas desfavoráveis por motivos raciais.
Quem fumava o crack era negro. Retaguarda mínima o governo não ofereceu, e notícias do tal consultório da rua, eu gostaria de ter.
Cumprir os itens da portaria para trazer dinheiro para o Estado, nunca tive notícias e, provavelmente, não terei, pois não há vontade política do governo em oferecer a contrapartida à União.  

Gabriel Novis Neves    
27-01-2012

domingo, 18 de março de 2012

RETOMADAS


Uma das características dos antigos mato-grossenses era a sua determinação para as retomadas. Quem não se lembra da história do Brasil, onde nos foi ensinado a retomada de Corumbá durante a Guerra do Paraguai?
Durante a segunda grande Guerra Mundial, foi decisiva a ação nos nossos pracinhas na retomada do Monte Castelo, na Itália.
Retomamos, com o auxílio dos índios, o Rio de Janeiro dos franceses e o Maranhão dos holandeses.
Atualmente estamos lutando, e perdendo, a retomada de enorme área de terras ao Pará.
O mato-grossense é um herói que sabe que “a história só se repete como farsa.”
Os tempos são outros, e o nosso Estado é uma amostra do Brasil. As lutas também são por motivos outros.
No momento, o partido do Tiririca, nome de maior expressão eleitoral da sigla, luta para a retomada do Ministério dos Transportes.
Foi o preço estipulado pelos defensores dos princípios republicanos para permanecerem na base de sustentação do governo.
Essa imaginária base de sustentação, como imaginária é a linha do Equador, negocia o sim do seu grupo ao governo federal no Congresso, desde que haja retomado o Ministério dos Transportes. Só esse interessa.
Transposição de ministérios ou simplesmente uma permuta, não interessa ao partido do Tiririca.
Os republicanos alegam que são muito ligados aos problemas da terra, e defendem a tese da primeira metade do século XX: “Governar é construir estradas”, do presidente da República Washington Luiz.
Essa briga “ideológica” promete ir longe. A presidente conhece muito bem o trabalho que esse partido desenvolveu na pasta a ser retomada.
Existem trabalhos prioritários em algumas frentes que não podem ser paralisados.
As obras mais importantes até 2014 não serão executados por esse ministério, que serão os doze campos de futebol nas cidades sedes da Copa do Mundo.
A questão da mobilidade urbana está sendo cuidada pelo Ministério das Cidades, agora de ministro mudado, exatamente pela retomada do VLT, provocada por Mato Grosso.
A presidente tem um compromisso de acabar com a miséria neste país. Isto significa a não dar apenas comida a quem tem fome, mas educação, saúde, segurança e fazer a inclusão social desses miseráveis, concedendo-lhes o diploma de cidadania.
As estradas estão sendo amparadas por um programa nacional de tapa-buraco, e tudo funcionará como dantes.
O mundo precisa de humildade entre seus líderes para encontrar a paz com justiça social.
“Ser humilde não significa pedir perdão por existir.”
Vamos esquecer, para o bem desta nação, essa retomada e as cartas misteriosas?

Gabriel Novis Neves
07-02-2012

sábado, 17 de março de 2012

Descrença


Um país que não consegue administrar os seus aeroportos será que tem condições de gerenciar com eficiência projetos mais complexos como os da educação, da saúde e da segurança da sua população?
Não faço parte dos pessimistas e tampouco torcedor do quanto pior, melhor.
Agora, que é preocupante constatar isso, é.
O governo justifica a sua decisão dizendo que o sistema aeroportuário, sempre tocado por eles, chegou à exaustão.
Na iniciativa privada, exaustão é falência.
O governo brasileiro faliu os nossos aeroportos, construídos com o nosso dinheiro, e a solução foi entregar a sua gestão a quem tem competência e está fora da onerosa máquina administrativa chapa branca.
O grupo de empresários que ficou com os três mais importantes aeroportos Guarulhos em São Paulo, Viracopos em Campinas (SP), além de Brasília, estão felizes.
Dizem que fizeram um negócio da China com o incompetente governo e vão ganhar muito dinheiro.
Grande parte dos recursos a serem investidos na modernização e ampliação dos aeroportos adquiridos, virá de recursos do próprio governo, que serão pagos em suaves e longínquas prestações.
Os empresários esperam dos consórcios a obtenção de lucros motivadores para se habilitarem a compra dos outros importantes aeroportos brasileiros.
O governo está apavorado com a chegada da Copa do Mundo, e a falta, ou a vergonhosa situação dos nossos aeroportos, é um verdadeiro cartão negativo de visitas aos turistas do mundo todo.
Cada vez que me lembro da história do nosso aeroporto, chamado de internacional e de bi-citadino, eu fico com a certeza que ele não iria prestar - como diria o jornalista Marcos Antonio Moreira.
Feito às pressas, sem planejamento, tendo na cabeceira da sua pista o único acidente geográfico elevado do pantanal (Morro de Santo Antonio), analiso o poder construtor de um distúrbio gastrointestinal em uma primeira dama, jovem e bonita do Brasil.
A ampliação do aeroporto da diarréia é chamada, humoristicamente pelos velhos cuiabanos conhecedores da história, de puxadinho - local onde, bem antigamente, eram construídos os sanitários dos casarões cuiabanos. 
Um pouco de história é sempre importante para ajudar na compreensão das gerações mais novas.
Será que um país que tem uma das principais economias do mundo e que foi várias vezes campeão do mundo na produção de alimentos e do futebol, não tem capacidade de administrar aeroportos bem inferiores aos melhores do mundo?
É um absurdo o que acontece por aqui, onde, até o petróleo da camada do pré-sal, será explorada por particulares.
Uma ONG bem que poderia administrar o Brasil.
É a nossa triste realidade - produtora de tanta descrença nos jovens.

Gabriel Novis Neves
27-02-2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

DOIS MESES


Completei dois meses que, cirurgicamente, retirei um tumor maligno da pele da cartilagem do meu nariz.
Sinto-me curado e, pelo que diz a imprevisível medicina, não tenho motivos para preocupações.
O tipo de câncer de pele que me atacou não produz metástases, mas poderá voltar em outra parte da pele, o maior órgão do corpo humano.
Se isso acontecer vou torcer para que tenha o mesmo sobrenome daquele que morou na aba do meu nariz.
Desse tipo existem três sobrenomes (tipo histológico) diferentes. O meu é considerado muyamigo, e é tratado intimamente de baso.
Sua grande virtude é não sair da sua casa (metástase) para outras regiões.
O cirurgião para tapar o buraco que ficou com a retirada do “meu amigo” teve que fazer uma cobertura especial, chamada de enxerto de pele, pois não se consegue aproximar com fios uma cartilagem do nariz.
Não tive nenhuma complicação nesse pós-operatório remoto. Única recomendação médica foi que usasse pequena placa de silicone, para facilitar o nivelamento da pele implantada.
Fiquei esse tempo todo com a cobertura visível no nariz. No início algumas pessoas ainda me perguntavam o que era aquilo, mas isso foi temporário. Logo todos se acostumaram com aquela situação.
Situação semelhante nós observamos quando alguém encontra pela primeira vez crianças dormindo na rua. A reação é de revolta. Após a primeira semana, as crianças são vistas como mais um problema do governo, e o sentimento de indignação desaparece.
Essa doença que tive é vista pela sociedade com certo preconceito, e foi muito importante para mim.
Precisava, e preciso ainda, de muitas lições para tentar entender essa fantástica criatura que é o ser humano.
Tão forte e tão poderoso, torna-se admirável pela sua extrema fragilidade para enfrentar as pedras colocadas no caminho da vida.
Retirei o curativo no período das festas de Momo. Proibido de tomar sol, fiquei em casa com tranquilidade, saindo apenas para a caminhada e a passada na padaria.
O dermatologista orientou-me para, de vez em quando, dar um descanso ao rosto evitando a barba diária. 
A unanimidade queria saber se depois de velho iria usar barba revolucionária.
Em um país em que as mulheres não possuem pelos e no carnaval a fantasia predileta é a pintura do corpo nu, uma barba de cinco dias chega a assustar.
E viva a minha cura! Mesmo com as invencionices do capitalismo decadente da venda de corpos femininos pintados na Sapucaí.
Não é a toa que a indústria que mais cresce no mundo é a pornográfica, e, a que mais decresce no Brasil, são hospitais e pesquisas para a cura do câncer.

Gabriel Novis Neves
27-02-2012

quinta-feira, 15 de março de 2012

Jogo Limpo X Jogo Sujo


O Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) publicou, em 9 de dezembro de 2011, uma singela cartilha, com o sugestivo título de Jogo Limpo X Jogo Sujo.
A data escolhida, 9 de dezembro, não foi por acaso -  representa o Dia Internacional Contra a Corrupção.
Uma das finalidades do Confea é fazer com que os cidadãos leigos possam acompanhar e fiscalizar o andamento das obras públicas, para que todos possam exercer plenamente a cidadania.
Com as obras da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, a sociedade brasileira deve estar preparada para evitar o Jogo Sujo, onde muitos milhões de reais costumam desaparecer como que por encanto.
Está na memória de todos o que ocorreu no Rio de Janeiro por ocasião dos últimos Jogos Pan-Americanos: as obras suntuosas foram construídas a toque de caixa - quadro idêntico ao que vemos agora com relação às obras da Copa.
Se houvesse naquela ocasião um Jogo Limpo com os recursos que o governo federal derramou na ex-Cidade Maravilhosa, não teríamos o sucateamento da nossa saúde pública, pois o dinheiro saiu de um mesmo saco pelas mãos da motivação política.
Lembro-me do campo de futebol construído por exigência do Comitê Olímpico Internacional.
Após alguns jogos, para não ficar abandonado, foi praticamente doado a um clube de futebol. O “Engenhão", totalmente construído com dinheiro público, foi para o Botafogo de Futebol e Regatas.
Sem falar nos alojamentos dos/as atletas, atualmente bem danificados. Exemplo típico de Jogo Sujo.
De acordo com a transparência internacional, corrupção é o abuso do poder público para fins privados.
Somos constantemente abalados  com o Jogo Sujo realizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), anfitriã da Copa 2014.
O seu presidente alegando motivos de saúde, renunciou ao comando da poderosa empresa nacional de futebol.
A presidente da República se negava a recebê-lo. O deputado federal, campeão mundial nos Estados Unidos e fiscal do Congresso Nacional, diz que estão fazendo Jogo Sujo na CBF, e solicitou a sua substituição. Os estrangeiros da FIFA torcem para que termine esse Jogo Sujo, que coloca em risco a própria competição - que existe para faturar durante os jogos.
Até a Constituição Brasileira será alterada para atender o Jogo Sujo da Lei da FIFA.
Nos Estados sedes da Copa, a situação não é diferente. Existem projetos que não podem ser divulgados, pois a sua publicidade poderia atrapalhar os trabalhos para a Copa, segundo informações oficiais.
Cheiro de Jogo Sujo. A maior novela dessa Copa por aqui, está relacionada ao projeto da mobilidade urbana.
Quando Cuiabá foi escolhida para subsede da Copa, as regras do jogo foram aceitas pelos interessados.
Alteraram tudo para um verdadeiro Jogo Sujo. Mandatos de diretores não foram respeitados, o modelo de transporte modal agora é tão caro, que endividou gerações neste Estado. A Agência criada para cuidar da Copa foi extinta e criada uma super Secretaria com poderes ilimitados em seu lugar. Jogo Sujo.
A cartilha do Confea ensina que, para acompanhar e fiscalizar  uma obra, é necessário entender como o projeto da obra foi realizado.
No caso do VLT discute-se, em inúmeras audiências públicas, o anteprojeto, pois ninguém viu o projeto.
Sem projeto definido, diminuição do trecho dos trilhos, aumento das estações de passageiros, um custo há muito definido aguardando liberação desses empréstimos pelo governo federal, é Jogo Sujo achar que alguém responsável irá mandar dinheiro para o anteprojeto.
Essa cartilha do Confea não vai prestar para Mato Grosso, diria o jornalista Marcos Antonio Moreira, para quem Mato Grosso é outro país.
O contribuinte terá que aguardar com ansiedade o resultado desse Jogo Limpo X Jogo Sujo, na Cidade Azul.

Gabriel Novis Neves
13-03-2012