quarta-feira, 7 de março de 2012

A zebra


O elegante e simpático animal listrado não faz parte dos vinte e cinco bichos do popularíssimo, jogo do bicho.
Assim que o governo oficializou os jogos de azar, com a sua loteria esportiva, reparou essa injustiça, e adotou a zebra nos anúncios dos resultados do futebol dos domingos, no Fantástico.
Ela passou a ser carinhosamente chamada de zebrinha por milhões de brasileiros.
Aos distraídos ela sempre avisava: “olha eu aí! ...ka...ka...ka”. Seus olhinhos piscavam rapidamente, toda afetada, em um sinal claro de gozação, quando o resultado do jogo era o inesperado. A zebra do domingo à noite, além de famosa, era odiada e amada.
“Deu zebra” se transformou em um jargão muito popular, utilizado, não só no futebol, mas em qualquer empreendimento de resultado contrário ao esperado.
Em nosso Estado, ultimamente, temos tido muitas zebras. Embora sejam animais que possuam o seu habitat na África, adaptaram-se muito bem por aqui, chegando a provocar reações de ciúmes nos antigos, que estão sempre a murmurar: - só tem zebra nesta terra!
Encontramo-nos diariamente com zebras das mais variadas espécies. Sempre bem humoradas e frequentando os lugares mais sofisticados da cidade, especialmente os do poder.
O secretário de Saúde do Estado foi nomeado pelo governador. Assinou atos que foram publicados no Diário Oficial. Surgiram então as reclamações de acúmulo de cargos, vetado pela remendada Constituição Brasileira. Deu zebra.
Para espantar o lindo animal, o governador teve que demitir o secretário de saúde de fato, que não é qualquer um, e anular os seus atos publicados no Diário Oficial.
O governo do Estado vai à Rússia e compra jipes para fiscalizar a nossa imensa fronteira, e ainda adianta um tanto em dinheiro como sinal de negócio fechado. A zebra aparece novamente, causando grandes estragos, até agora não corrigidos, pois tem gente mentindo.
Com a saúde pública, sucateada e falida, principalmente por falta de financiamentos públicos, escolheram Organizações Sociais para resolver a situação no Estado.
Os poucos hospitais públicos foram entregues a essas OSS, com valores pagos, superiores aqueles da tabela do SUS.
Foi a maior zebra conhecida na nossa saúde pública. Medicamentos de médio e alto custo continuam faltando, e as filas para consulta e internação, cada vez aumentam mais. Zebrona.
Iniciou-se o período escolar, e há um calendário de dias e carga horária para serem cumpridas por determinação do Conselho Nacional de Educação.
No período de férias escolares o governo não preparou fisicamente as suas escolas para o novo ano letivo.
Professores concursados aguardam nomeação. Os temporários são nomeados. Muitas escolas estão pensando em reformas após o período de chuvas (abril), e, no momento, não têm condições de receber alunos e professores.
Casas, galpões, salões, armazéns e igrejas são improvisados em escolas. Na avaliação dos alunos, vai “dar zebra”; na dos professores, frustração.
Com exceção das obras do campo de futebol para os jogos da Copa, hoje com 25% do projeto em andamento, as demais estão aguardando recursos federais.
É zebra sem dinheiro. Esperavam-se ovos de ouro, que a galinha não botou.
Existem também as falsas zebras.
Olha uma falsa zebra: nenhuma empreiteira do Estado participará das obras da Copa. Estas serão convidadas a construir meio-fios nas avenidas e pintá-los de acordo com o patrocinador da obra. Se os recursos forem da prefeitura, será tudo azul e branco.
Isso foi combinado antes do início das obras, e estava escrito há dez mil anos atrás.
As empreiteiras locais, que prestam serviços ao Estado, por falta de pagamento de serviços prestados, paralisaram suas obras por toda esta terra. Outra falsa zebra.
Ninguém acreditar no SUS não é zebra, é exemplo de cima.
O MTSAÚDE não paga médicos, laboratórios e hospitais?  Isso é tradição do governo, e não, zebra.
Como são bonitas as zebras! Embora, mais odiadas que amadas.

Gabriel Novis Neves
01-03-2012

terça-feira, 6 de março de 2012

É CHATO


O governo federal, finalmente, assumiu o corte de R$ 55 bilhões no seu orçamento deste ano. Só de emendas parlamentares, somam R$ 20,3 bilhões.
Essas emendas são sempre bloqueadas no primeiro semestre do ano, para serem, posteriormente, negociadas por matérias de interesse do executivo.
Sendo este ano, um ano de eleições para as prefeituras, é fácil imaginar o balcão do toma-lá-dá-cá para garantir os mais valiosos colégios eleitorais, tudo em nome da democracia - que é a “melhor forma de governo para manter as coisas como estão.”
Existe um ritual para a liberação das emendas, baseado no dito popular que, dois bicudos não se bicam.
Metade desses recursos é liberada depois de declarado o apoio aos interesses do governo e, a outra metade, após o resultado das eleições.
Resumindo: com a vigência da lei da Responsabilidade Fiscal, nenhuma obra poderá ser lançada antes do empenho total dos recursos prometidos.
Como na política não existe compromissos de honra, e sim, de promessas, muitos recursos continuarão bloqueados, aumentando o número de descrentes com a política.
Recentemente sentimos na própria carne, com o prematuro desenlace do PAC I e PAC II, a dor de filhos perdidos por uma mãe.
O que significa esse corte de R$ 55 bilhões no orçamento de ministérios importantes para o desenvolvimento do Brasil? Segundo dados de Lu Aiko Otta da Agência Estado-Brasília: Saúde e Educação perderam R$ 5.5 bilhões e R$ 1.9 bilhões, respectivamente, em valores aprovados no Congresso Nacional.
O chato é ouvir da ministra do Planejamento, “que no caso da Saúde, trabalhamos com o valor determinado pela Constituição e na Educação um pouco além.”
Para um leitor distraído, parece até que a nossa Constituição foi respeitada e é imexível.
Tramita no Congresso Nacional, em regime de super urgência, um verdadeiro pisotear da FIFA em cima da nossa Carta Magna.
Uma organização multinacional com fins lucrativos, para trazer times de futebol para jogar aqui, exigiu e foi atendida no seu intento de alterar a nossa Constituição.
Alterar a nossa Constituição para o felizardo torcedor beber cerveja, pode. Destinar maiores recursos para a Saúde e Educação é anticonstitucional.
Desconfio que isso seja fazer o povo de besta, chamá-lo de ignorante e imbecil.
O próprio governo desconhece que alguns fugitivos da escola pública aprenderam, pelo menos, a fazer interpretação de textos.
Tem mais: com relação ao corte de R$ 55 bilhões no orçamento federal, desaparecerão R$ 35 bilhões para investimentos, e mais algumas coisinhas que farão falta na qualidade de vida do brasileiro.
Algumas obras importantes que dependem de emendas parlamentares - como a construção do Hospital Universitário da Estrada de Santo Antônio - ficarão aguardando um toma-lá-dá-cá para o seu prosseguimento.
É muito chato constatar a que ponto nós chegamos - que não foi inventada pelo governo atual, mas não há sinais de mudanças.

 Gabriel Novis Neves
16-02-2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

Sensatez


O senador Blairo Maggi deu uma verdadeira aula de sensatez ao falar do seu futuro político.
É difícil ouvir de um político profissional palavras de tanta sabedoria como as proferidas pelo senador.
Em recente entrevista ele defendeu a renovação no comando do Paiaguás, numa resposta direta aos vendedores de ilusões.
Não acha mais novidade, como foi em 2002, embora não tanto.
“O que é bom para a política é o desafio. O desconhecido. É brigar o tempo todo para mudar, mesmo que saiba que não vai mudar, mas você vai “persistir” - declarou o senador.”
Alega o senador que agora já conhece os problemas do Estado e que sabe até onde pode ir com as imensas limitações do cargo, exercido por oito anos de governador.
Diz ele: “o ímpeto é importante, e quando ele é impedido o governante para de sonhar, ao conhecer o seu quadrado de trabalho.”
Mesmo alguns programas que fez nos seus oito anos de governo, acredita ser quase impossível de fazer hoje. 
O senhor está corretíssimo senhor senador. Nada na vida se faz sem motivação e com homens experientes.
A desmotivação do senador é evidente para retornar a um cargo que o desmotivou. Sem esse combustível não conseguimos sair do lugar.
Nunca deveremos voltar a um cargo já exercido. A comparação é a cruel moeda da cobrança - e os tempos são outros.
Todos nós moramos durante nove meses no útero materno. Não conheço ninguém que conseguiu retornar a sua casa original, embora simbolicamente demonstrássemos essa nossa vontade diariamente.
No país da idolatria do poder, é saudável ouvir de quem esteve, e está lá, que o verdadeiro poder é a liberdade de viver e sonhar, fora daquele quadradinho que é oferecido em troca de algumas regalias transitórias.
O homem nasceu para ser livre, e não burro de cangalha, como diz o senador - ao deixar claro que não vai carregar ninguém nas costas no pleito municipal deste ano.
A fila deve estar enorme na casa do senador.
Sempre acreditei no novo, naquele que precisa provar que é digno das nossas esperanças. 
Já fui o novo e errei ao repetir o desafio. Retirei-me do cenário público e continuo colaborando com a sociedade, acredito, em outra frente, onde sou novo.
Não tenho preconceito, mas desconfiança dos “experientes.” Exatamente isso que o senador fala, - “hoje conheço todos os problemas do Estado e sei que não tenho condições de resolver.”
Por sinal nem ele, nem ninguém. Com esse modelo político centralizador e ditatorial, o nosso futuro é o presente que vivemos.
O mundo anda a procura de novos caminhos, que devem ser descobertos pelos homens.
Trabalhei com o governador numa situação que me deixa muito feliz com a sua sensatez.
Ele tinha o ímpeto do conhecimento, eu retornava a um cargo por mim ocupado há anos. Não deu certo administrativamente. Eu tinha adquirido aquilo que me faltou na primeira vez: experiência.
Senador, uma resposta aos amigos do poder: “O importante na vida pública é ter sido e não ser.”
O difícil será encontrar o novo.

Gabriel Novis Neves
11-02-2012

domingo, 4 de março de 2012

GAMBÁ BOÊMIO


“É um pequeno mamífero marsupial preto e branco de hábitos noturnos. No Brasil o seu nome varia por regiões, onde é chamado por mucura, raposa, taibu, taraca, ticoca, sarigué, sariguê, sariguele, sauê, micuê e habita desde o sul dos Estados Unidos até a América do Sul.
Na natureza tem como principal predador, o gato-do-mato, enquanto nas grandes cidades, são frequentemente atropelados por terem a visão ofuscada pelos faróis e por terem pouca mobilidade, exceto nas árvores.
Os gambás não vivem em grupos, mas na época da reprodução, eles formam casais e constroem ninhos com folhas e galhos secos em buracos de árvores.
Boêmios saem dos seus esconderijos ao escurecer para a caça e coleta de alimentos. Alimentam-se praticamente de tudo: raízes, frutas, insetos, moluscos, crustáceos, serpentes, lagartos e aves (ovos, filhotes e adultos).
Os gambás produzem um líquido fétido das glândulas axilares. Esse líquido é utilizado pelo animal como defesa.
Na fase do cio a fêmea exala esse odor para atrair os machos. Fingem-se de mortos até que o atacante desiste. Tem predileção por sangue”.
Esse é o perfil do personagem deste artigo.
Saía do meu edifício para a caminhada do medo, quando encontrei o porteiro do meu edifício no meio da rua. Quando me viu, ele colocou as mãos na cabeça e disse: “Se o senhor tivesse chegado um minuto antes teria a oportunidade de ver um espetáculo.”
O porteiro falava com tanta emoção que eu não tinha a mínima ideia do espetáculo que acabara de perder. Perguntei o que havia acontecido que o fez abandonar a sua cabine de trabalho e fosse para o meio da rua.
“Doutor: o senhor perdeu. Um cachorro quase pega um gambá. Ele não é bom para correr, e o que o salvou foi aquela grade. Ele subiu como um foguete e se o senhor se aproximar poderá fotografá-lo”.
“Mas, será que ele não se assustará com a minha presença?” – indaguei.
“Doutor – me explicou o porteiro - enquanto o cachorro estiver embaixo, ele não desce”.
Aproximei-me do belo animal e ele até posou para as fotos. O porteiro, satisfeito, tinha toda a razão. Brincou comigo e com ar maroto perguntou-me: “ainda sai hoje?”
“Até as onze horas estará divertindo o pessoal que acorda tarde” - respondi.
Gostaria de entender a linguagem do gambá, para perguntar o que fazia na rua àquela hora, onde os primeiros raios de sol estavam brotando e o dia clareando.
Mau cheiro não senti, o que me leva a crer que estava diante de um gambá macho. O que o teria feito perder a hora de voltar para o seu esconderijo e, “escoltado” por um cachorro com cara de pouco amigo, ser obrigado a se refugiar no muro?
Lembrei-me da minha infância onde esses animais, não raro, trafegavam pela nossa casa da Rua do Campo. Papai sempre parava de ler o Jornal do Brasil do Rio de Janeiro e avisava mamãe: “Irene, passou um gambá por aqui”.
Nunca mais me esqueci de uma cena fantástica de um aviso de mau pressentimento. Mamãe, antes de o dia clarear totalmente, ia ao imenso quintal da nossa casa levar alimento para a turma de aves do galinheiro, fazia a limpeza e recolhia os ovos das galinhas poedeiras.
Era comum ela retornar do quintal revoltada: “Gambá fez um estrago essa noite!” - e lamentava o desaparecimento de frangos, pintinhos e ovos quebrados.
Volto ao Gambá do século XXI. O que fazia na rua esse animal bonito, fora dos seus hábitos? Será que o bonitão não fedido e bem nutrido estava ficando com a filha do cachorro que, com ódio o perseguia para esganá-lo?
Após a desistência do cachorro, como disse o porteiro, ele desceu do muro e desapareceu para, com toda a certeza, sair à noite mais comportado e com hora certa para voltar para casa.

Gabriel Novis Neves
08-01-2012

sábado, 3 de março de 2012

É ilegal


A não ser que tenha chegado ao Congresso Nacional na quarta-feira de cinzas alguma Medida Provisória solicitando alteração no Código do Processo Penal, é proibido no Brasil o exercício ilegal da Medicina.
Há anos os médicos lutam no Congresso para a regulamentação do Ato Médico - sem sucesso.
O tratamento de um paciente exige, na maioria das vezes, a presença de equipes multidisciplinares dos profissionais de saúde.
Entretanto, o diagnóstico da enfermidade é, pela legislação vigente, somente do médico.
Isso não vem sendo cumprido neste país de leis perfeitas, colocando em risco a vida de muita gente.
O governo faz vistas grossas a esse verdadeiro absurdo, pois a regulamentação da função do médico não é uma boa medida com relação aos votos necessários para frequentar as maravilhosas gaiolas de ouro de Brasília.
Parece-me que o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Ministério Público e o da Saúde, não têm força política suficiente para fazer cumprir as leis relacionadas à saúde do brasileiro.
Enquanto isso, protegido na sua ilegalidade, muitos estão a exercer, sem a menor cerimônia, o exercício ilegal da Medicina - certos da sua impunidade.
Há dias acompanho pelos jornais, rádios e sites de Cuiabá, um servidor público utilizar-se da medicina para agredir seu adversário político.
Como é pago com o dinheiro do contribuinte, o seu diagnóstico é reproduzido pela imprensa.
Se fosse um pequeno barnabé, essas observações não chegariam aonde chegaram, produzindo, com toda certeza, sofrimento em portadores dessa psicose, seus familiares, amigos, e dificuldades aos médicos para explicar o inexplicável.
O funcionário público que está sendo pago para realizar um projeto, não tem o direito de violentar e agravar a saúde de milhares de pessoas com diagnóstico que, em país civilizado, poderia dar problemas com os defensores dos Direitos Humanos.
O diagnóstico de um paciente, só pode ser revelado mediante consentimento do mesmo, por profissionais habilitados ou quando solicitados pela justiça.
Revelar gratuitamente uma fantasia de diagnóstico médico para atingir um adversário político é crime passível de punição, ainda mais partindo de um empregado do povo a um representante do povo.
A ética médica usa o Código Internacional de Doenças (CID), que é expresso em números, exatamente para evitar aos seus portadores constrangimentos a certas patologias.
As doenças psiquiátricas estão nesse grupo. Se algum DAS desconfiar do estado mental de alguém, solicite à justiça uma perícia médica, e não sair gritando coisas que não conhece ou nunca viu.
Leviandade não fica bem a um servidor público. É um péssimo exemplo de como meter o nariz onde não é chamado, tudo financiado com o nosso dinheiro.
O pior é que o diagnosticado com a doença seria obrigado a pedir o seu afastamento de representante de milhares de mato-grossenses no Congresso Nacional por insanidade mental.
O estopim-curto de Brasília respondeu com outro diagnóstico gravíssimo, pois, segundo ele, o tratamento do seu agressor começa pelo camburão.

Senhores!

Vamos tirar do papel os projetos transformando-os em obras, transparentes e fiscalizadas por quem recebeu esse direito do povo. 
Discutir o desenvolvimento do Estado, e não prejudicar,  milhares de pacientes que sofrem com uma saúde pública ausente e com graves patologias não atendidas pelo SUS.
O exercício ilegal da medicina é crime.

Gabriel Novis Neves     
26-02-2012

sexta-feira, 2 de março de 2012

ELE TINHA RAZÃO


Escrevi sobre o Nelson Rodrigues e o seu óbvio ululante. Embora tenha deixado claro o pensamento do grande escritor, muitos não perceberam que eram frases imortalizadas pelo dramaturgo, e não, minhas, embora assinalasse o que pincei do Anjo Pornográfico no texto por mim publicado.
O conceito moderno de idiota (do Nelson Rodrigues) parece que serviu de carapuça para muita gente, e eu é que paguei o pato. Mas, deixa pra lá.
Notícias de 06/02/2012 do Jornal A Gazeta, de Cuiabá:
“Dia 16 de fevereiro a Secopa realiza duas audiências públicas para discutir com a população a implantação do VLT em Cuiabá / Várzea Grandes”.
“A primeira será no Centro Cultural da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), das 8h às 12h”.
“No mesmo dia, das 14h às 18h, a discussão acontece na Câmara Municipal de Várzea Grande”.
Como disse em recente pronunciamento um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF): “Até as pedras sabiam daquilo que eles discutiam.”
A convocação da população das cidades gêmeas para discutir, o que até as pedras de Cuiabá já sabem - que o modal escolhido é o VLT - demonstra muito bem um óbvio ululante e, que ninguém tem tempo para chorar sobre o leite derramado.
A presença do público deve ser apenas de funcionários da ex-Agecopa, e os de sempre, pois não tem mais nada a se discutir.
Lembro-me da festa que houve no governo anterior quando o pessoal da FIFA, CBF, ministro dos Esportes e governo Estadual, anunciaram o modal escolhido como ideal para as nossas condições, após meses de estudos técnicos.
O governo federal, através do ministério das Cidades, tinha aprovado o projeto do BRT, e iria financiar toda a sua execução. O dinheiro para a obra já estava empenhado.
O governo do Estado cria uma Secretaria Especial só para cuidar das desapropriações.
Isso foi o combinado, e tudo que é combinado não é caro.
Muda o governo e as crises se sucedem na Agência da Copa. O BRT continuava como o transporte modal para a Copa.
Dois presidentes deixam o cargo. A crise aumenta. O governo é obrigado a extinguir a Agecopa e cria a Secopa.
O novo governo não aceitou o combinado. Grupos de pessoas foram a Portugal, Inglaterra, Espanha, Rússia, e até na China, atrás de parceiros com dinheiro para bancar o novo modelo de transporte coletivo.
Confusão com a FIFA, governo federal, queda de ministro. E o não combinado ficou caríssimo a um Estado que diz ter recebido uma herança maldita.
Eu só queria entender a razão dessa Audiência Pública para um assunto já decidido internacionalmente.
Nelson Rodrigues tinha toda razão quando implicava com as idiotias.

Gabriel Novis Neves
07-02-2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

Prédios públicos


Quem caminha pelas ruas e avenidas de Cuiabá, logo percebe que os prédios mais suntuosos são aqueles que abrigam os burocratas desta nação.
Foram construídos com o dinheiro arrecadado dos muitos impostos do povo trabalhador - lógico. A manutenção dos prédios também é feita com o dinheiro do contribuinte.
Estes prédios estão espalhados por toda a cidade. Além, é claro, daquele conjunto de instalações, algumas muito luxuosas, que ocupa uma enorme área nos arredores da cidade, e que recebeu o nome de Centro Político e Administrativo (CPA).
O único prédio nesse privilegiado complexo de edifícios que não vingou, e que seria o principal para a população, é o do Hospital Central de Cuiabá.
Suas obras estão paralisadas há um quarto de século. Às vezes, como agora, alguém acende uma vela sinalizando que um milagre poderá transformar o esqueleto em um corpulento prédio digno dos seus vizinhos.
A vela deste santo ano de 2012 atente pelo nome de PPP (Parcerias Públicas Privadas).
Mas, logo ela se apagará. Nenhum dos nossos milionários empresários se interessou pela parceria – afinal essa construção é obrigação do Estado.
Os turistas “estrangeiros” é que gostam de fotografar os nossos imponentes prédios públicos - após saber o preço dos mesmos.
No meu quadrado de exercícios matinais, passo por alguns deles, e a atenção do pedestre é sempre desviada para o cheiro de dinheiro que exalam, (dinheiro do contribuinte).
A moda agora é envelopá-los em verdadeiras caixas de blindex, exteriorização da nossa riqueza. Até as calçadas são diferentes dos padrões da região. É sempre bom um toque de arte no piso que antecede a entrada desses verdadeiros palácios.
O que é mais triste e revoltante é encontrar, ao lado dessas obras que dignificam a nossa querida cidade, um enorme terreno público abandonado. Há anos que esse terreno está entregue aos mosquitinhos da dengue – que construíram ali, uma enorme fazenda para sua reprodução.
Nesse terreno funcionava uma escola estadual do ensino básico.  Foi demolida. Para a população foi prometido que, em poucos meses seria construído outro prédio – mais moderno e adequado para o ensino-aprendizado. Só que esses meses se transformaram em anos – longos anos.  
É oportuno recordar que a ex-escola está agora instalada em um prédio alugado e que o terreno baldio fica localizado na área mais nobre da cidade. Vale ressaltar também que o valor financeiro do metro quadrado deste terreno é, proporcionalmente, equivalente ao metro quadrado de Ipanema, no Rio de Janeiro.
Não sou absolutamente contra a construção de prédios públicos que possuam uma arquitetura bonita. Só que, para mim, o bonito não está necessariamente ligado ao caro, suntuoso ou imponente.
O chocante nesta história toda é verificar que, no entorno do terreno abandonado, existe muitos investimentos caros em obras para repartições públicas.
Esse terreno baldio, onde gerações de crianças aprenderam o bê-á-bá, e hoje conseguiram a sua inclusão social, fica localizado em frente a um prédio de uma secretaria estadual de vida limitada.
Com o dinheiro aplicado nas intermináveis reformas pelo qual este prédio já passou - inclusive com a instalação de um relógio que incomodou até a ESPN BRASIL, daria para, tranquilamente, ter sido construída a escola nova prometida.
Que é intrigante e constrangedor a locação de recursos financeiros para obras públicas imponentes em detrimento das obras sociais necessárias e primordiais para a população, lá isto é.
Um esclarecimento não faria mal a ninguém. Ainda mais considerando as reformas permanentes desses santuários burocráticos.

Gabriel Novis Neves
16-02-2012